Ibovespa busca direção em dia de Copom, Fed e risco de greve; dólar sobe

Por Clara Assunção 18 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa busca direção em dia de Copom, Fed e risco de greve; dólar sobe

O Ibovespa abriu as negociações desta quarta-feira, 18, em queda, mas por volta das 10h30 passou a rondar a estabilidade, refletindo a cautela dos investidores em um dia marcado pela chamada “super quarta”, com decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Às 10h30, o principal índice acionário da B3 registrava ligeira alta de 0,03%, aos 180.551 pontos, após duas sessões consecutivas de alta.

No câmbio, o dólar operava em alta frente ao real. No mesmo horário, a moeda americana subia 0,39%, cotada a R$ 5,220, interrompendo uma sequência de duas quedas seguidas.

O movimento ocorre após um pregão anterior de perda de fôlego. Na terça-feira, 17, o Ibovespa até ensaiou ganhos mais consistentes ao longo do dia, mas desacelerou e encerrou com alta de 0,30%, aos 180.409 pontos. Já o dólar caiu 0,58%, a R$ 5,199, também reduzindo o ritmo de queda no fim das negociações.

Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o comportamento dos mercados nesta quarta deve ser guiado principalmente pelas decisões de política monetária. No Brasil, o foco está na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), enquanto, no exterior, as atenções se voltam ao Federal Reserve.

A expectativa de corte da taxa básica de juros no Brasil ainda divide o mercado entre uma redução de 0,25 e 0,50 ponto percentual, o que tende a aumentar a volatilidade em setores mais sensíveis aos juros, como bancos e varejo.

Nos Estados Unidos, o consenso aponta para a manutenção das taxas na faixa entre 3,50% e 3,75%, mas o tom do comunicado e a coletiva de Jerome Powell serão determinantes para sinalizar o ritmo futuro de cortes.

Além das decisões de juros, dados de inflação no exterior — como o índice de preços ao consumidor na Zona do Euro e o índice de preços ao produtor nos EUA — também estão no radar e podem influenciar as curvas de juros globais e o apetite por risco em mercados emergentes como o Brasil.

No câmbio, pesam fatores como o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos e as expectativas para o início ou aceleração do ciclo de cortes da Selic. Nas últimas semanas, o enfraquecimento global do dólar e o patamar ainda elevado dos juros domésticos favoreceram o real, mas uma sinalização de cortes mais intensos pode reduzir esse suporte. O fluxo cambial semanal, a ser divulgado pelo Banco Central, também será acompanhado de perto pelos investidores.

Greve dos caminhoneiros no radar

No cenário doméstico, a possibilidade de uma greve de caminhoneiros adiciona um elemento extra de cautela. Notícias sobre uma eventual paralisação ganharam força na véspera e elevaram a percepção de risco, com preocupações sobre impactos na inflação, no câmbio e na curva de juros.

O governo federal tenta conter a mobilização. O ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou que será apresentado um pacote de medidas para reforçar o cumprimento do preço mínimo do frete, previsto na Lei 13.703/2018. A iniciativa, conduzida em conjunto com a Agência Nacional de Transportes Terrestres, prevê intensificação da fiscalização e responsabilização de agentes que descumprirem a tabela.

A mobilização da categoria, no entanto, segue em expansão, com assembleias recentes — incluindo uma no Porto de Santos — e adesão crescente de motoristas autônomos e profissionais vinculados a empresas, mesmo sem uma coordenação nacional unificada.

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