Ibovespa cai com Petrobras e dólar sobe para R$ 5,08 às vésperas da superquarta
O Ibovespa encerrou o pregão desta terça-feira, 16, em queda de 0,45%, aos 169.648 pontos, em uma sessão marcada pela cautela dos investidores antes das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Ao longo do dia, o principal índice da B3 oscilou entre a mínima de 169.121,31 pontos e a máxima de 170.415,52 pontos. O volume financeiro somou R$ 27,4 bilhões.
A bolsa brasileira acompanhou o movimento de realização observado no exterior, especialmente diante da fraqueza das ações de tecnologia em Wall Street, e foi pressionada principalmente pelo desempenho da Petrobras, impactada pela forte queda dos preços do petróleo.
O petróleo ampliou as perdas após os avanços nas negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio e a perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global da commodity.
O petróleo Brent com entrega para agosto recuou 5,06%, cotado a US$ 78,96 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI com vencimento em julho perdeu 5,82%, cotado a US$ 76,05 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).
Acompanhando as quedas, os papéis preferenciais da Petrobras (PETR4) fecharam em queda de 1,33%, enquanto as ações ordinárias (PETR3) recuaram 0,96%, estendendo as perdas da sessão passada.
A queda da companhia se somou ao desempenho negativo de outras empresas relevantes da bolsa. Parte do setor bancário variou de queda à estabilidade. As units do BTG (BPAC11) caíram 0,35%, enquanto as preferenciais de Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) registraram ligeira alta de 0,12% e 0,06%. As ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3) também ficaram estáveis com ligeira alta de 0,05% e as units do Santander (SANB11) encerraram no zero a zero.
Entre os destaques negativos do pregão estiveram Braskem (BRKM5), que recuou 9,23%. Magazine Luiza e Usiminas também figuraram entre as maiores perdas do índice com queda de mais de 6%.
Na ponta positiva, algumas ações ligadas aos setores de mineração, indústria e saúde conseguiram avançar. A Vale (VALE3) fechou em alta de 0,26%, enquanto a MRV (MRVE3) subiu 2,32% e RD Saúde (RADL3) avançou 2,02%.
Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, a queda do Ibovespa reflete uma combinação de fatores externos e domésticos. “O Ibovespa cai em linha com o exterior, que recua pressionado pelo setor de tecnologia, apesar do acordo preliminar entre Washington e Teerã, e impactado sobretudo pela Petrobras, que cai com o recuo dos preços do petróleo”, afirma.
Segundo Perri, o movimento também reflete a abertura dos juros de longo prazo no Brasil, diante das preocupações do mercado com o cenário fiscal e eleitoral. “Indo além, o mercado reage também à alta nos vencimentos longos da curva de juros, que responde às perspectivas de favoritismo eleitoral do presidente Lula, o que enseja projeções de continuidade da política fiscal pouco responsável do governo atual. Com isso, empresas cíclicas também recuam”, diz.
Dólar sobe e fecha acima de R$ 5,08
No mercado de câmbio, o dólar comercial voltou a subir diante do enfraquecimento do real e de outras moedas de países exportadores de commodities, em meio à forte queda do petróleo. A moeda norte-americana encerrou o dia em alta de 0,39%, cotada a R$ 5,0867, após oscilar entre R$ 5,0495 e R$ 5,1030.
Além do movimento global, o câmbio doméstico também refletiu preocupações com o cenário fiscal e político brasileiro.
“O dólar cai globalmente, mas sobe no Brasil por aversão ao risco em relação aos emergentes e, sobretudo, ao país, por conta de preocupações em relação à política fiscal de longo prazo ganhando protagonismo. Pesam também perspectivas de fluxo cambial mais modesto com a queda dos preços do petróleo pesando sobre as exportações e os termos de troca”, afirma Perri.
Superquarta no radar
A atenção dos investidores segue voltada para a chamada "superquarta", quando o Comitê de Política Monetária (Copom) e o Federal Reserve (Fed) anunciam suas decisões sobre juros. Na avaliação de Perri, o Fed deve manter os juros inalterados, com discurso ainda cauteloso. “A expectativa é de manutenção dos juros, com discurso ainda duro condicionado aos dados e, principalmente, aos desdobramentos do acordo entre EUA e Irã sobre os preços de energia e seus impactos sobre a inflação”, afirma.
Para o Brasil, o economista projeta um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, acompanhado de sinalização de pausa no ciclo de flexibilização monetária. “A expectativa é de corte de 25 pontos-base, com sinalização de interrupção condicionada a dados como expectativas de inflação, taxa de câmbio e próximas leituras do IPCA.”
Segundo ele, apesar da desaceleração recente da inflação, a composição dos índices ainda inspira cautela. “A Selic está em um patamar muito contracionista, mas o espaço para cortes adicionais é bastante reduzido. O IPCA veio com composição ainda ruim. O fim do conflito no Oriente Médio traz algum alívio, mas é um evento muito recente para influenciar formalmente a decisão do Banco Central.”
Para os próximos meses, Perri acredita que o Banco Central deverá interromper os cortes. “O ambiente segue mais favorável para investimentos pós-fixados e títulos indexados à inflação.”
Wall Street fecha sem direção única
Nos Estados Unidos, as bolsas encerraram o dia sem direção definida. O alívio das tensões geopolíticas no Oriente Médio e a queda do petróleo favoreceram setores mais ligados à economia tradicional, enquanto o segmento de tecnologia passou por uma realização de lucros.
O índice Dow Jones avançou 0,64%, aos 51.999,67 pontos, renovando recordes históricos de fechamento e intradiário. Já o S&P 500 recuou 0,57%, aos 7.511,35 pontos, enquanto o Nasdaq caiu 1,15%, aos 26.376,34 pontos.
O setor de tecnologia liderou as perdas, com queda de 2,32%. O ETF de semicondutores da BlackRock tombou 5,92%, refletindo a realização após os fortes ganhos recentes do segmento. Em contrapartida, ações ligadas à economia tradicional e ao setor financeiro deram suporte ao Dow Jones, que voltou a renovar máximas históricas.
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