Ibovespa cai com prazo de Trump para reabertura de Ormuz quase no fim

Por Mitchel Diniz 7 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa cai com prazo de Trump para reabertura de Ormuz quase no fim

O mercado de ações no Brasil devolve uma parte dos ganhos que acumulou nas últimas sessões. Nesta terça-feira, 7, termina o prazo que o presidente americano Donald Trump deu para a reabertura do Estreito de Ormuz. Nas redes sociais, em tom ameaçador, ele prometeu dizimar uma civilização inteira caso a ordem não seja cumprida. O petróleo volta a subir, sobretudo o WTI, que já está US$ 5 mais caro que o Brent. Ambos são negociados acima dos US$ 100.

A alta do preço da matéria-prima dá impulso às ações de petrolíferas, sobretudo a Petrobras, segunda empresa de maior peso do Ibovespa. A companhia anunciou mudanças em sua diretoria na noite de ontem e, segundo analistas, tendem a se beneficiar de medidas anunciadas hoje pelo governo. O mercado também avalia o impacto fiscal das ações para evitar que a alta do petróleo chegue ao consumidor final, como as subvenções ao diesel e a isenção de impostos sobre o combustível de aviação.

Às 12h52 (horário de Brasília), o Ibovespa caía 0,7%, aos 186.818 pontos.

O dólar comercial, que fechou no menor preço em quase dois meses na sessão de ontem, tinha uma ligeira alta no mesmo horário, subindo 0,3%, para R$ 5,16.

Bolsas nos Estados Unidos

As bolsas americanas operam em baixa à medida que o prazo dado por Trump ao Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz se aproxima do fim, com as esperanças de um acordo se dissipando. O Dow Jones recuava 0,8%; o S&P 500 cedia 0,9%; e o Nasdaq Composite caía mais de 1%.

O tom do mercado ficou ainda mais pesado após Trump publicar uma mensagem na rede Truth Social: "Uma civilização inteira vai morrer esta noite, para nunca mais ser reconstituída". Em seguida, abriu uma brecha ao sugerir que, com a mudança de regime no Irã, "algo revolucionariamente maravilhoso pode acontecer".

O prazo dado por Trump expira às 21h (horário de Brasília). O presidente ameaçou destruir usinas e pontes iranianas caso nenhum acordo fosse fechado. O Wall Street Journal e a NBC News, citando autoridades americanas, reportaram que os EUA realizaram ataques à Ilha de Kharg durante a madrugada. A ilha é responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo iraniano. Negociadores não estavam otimistas quanto à possibilidade de um acordo antes do prazo, embora a mídia estatal iraniana tenha indicado que as conversas entre os dois lados não estavam encerradas.

As tensões impulsionaram os preços do petróleo: o WTI avançava 3%, superando US$ 116 o barril, enquanto o Brent subia 0,8%, para acima de US$ 110.

Analistas do Société Générale avaliam três cenários para os preços: se o conflito se arrastar até maio, o barril pode bater uma média de US$ 125. No pior cenário — com o fechamento não só do Estreito de Ormuz, mas também do Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho —, os preços poderiam ultrapassar US$ 200, com impacto direto sobre as exportações sauditas e russas.

Tom Graff, da Facet, acredita que os investidores devem assumir que os preços do petróleo permanecerão "significativamente mais altos" do que antes da guerra, mas vê o bloqueio do Estreito pelo Irã como uma "manobra de negociação". Para ele, ninguém — nem mesmo o Irã — se beneficia de um fechamento permanente da rota. "Simplesmente não acho sustentável que o Estreito permaneça fechado por meses e meses", disse o CIO à CNBC. "Em algum momento, algo vai ter que ceder."

A agência Axios reportou que EUA e Irã discutem um cessar-fogo de 45 dias que poderia levar ao fim definitivo da guerra — mas essa é apenas uma das ideias na mesa.

Na agenda do dia, o relatório ADP mostrou que a economia americana criou em média 26.000 vagas de trabalho por semana no setor privado, nas quatro semanas encerradas em 21 de março — mais que o dobro das 10.000 registradas no levantamento anterior. É o quarto resultado consecutivo de melhora no mercado de trabalho, sinal de que as empresas seguem contratando apesar da turbulência geopolítica.

Bolsas na Europa

As bolsas europeias, que operavam sem direção definida ao longo da manhã após voltarem do feriado de Páscoa de quatro dias, não conseguiram sustentar a estabilidade e encerraram o pregão em território negativo.

O clima de aversão ao risco prevaleceu diante das crescentes tensões no Oriente Médio, com Trump mantendo a pressão sobre o Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz — "uma prioridade muito grande", segundo o presidente americano —, enquanto Teerã mantém a rota bloqueada. O mercado também repercutiu a declaração ameaçadora de Trump de que destruiria infraestruturas iranianas caso nenhum acordo fosse firmado até o prazo das 21h desta terça-feira.

No fechamento: Londres recuou 0,85%; Frankfurt, 1,03%; Paris, 0,72%; e o índice pan-europeu Stoxx 600 cedeu 0,96%, aos 590,92 pontos.

Bolsas na Ásia

Os mercados asiáticos fecharam sem direção definida nesta terça-feira, com investidores na expectativa pelo prazo dado por Trump ao Irã para fechar um acordo de cessar-fogo. A Austrália foi o destaque positivo da região, com alta de 1,74%. No Japão, o pregão foi de quase total estabilidade. Na Coreia do Sul, o índice das grandes empresas subiu 0,82%, mas as pequenas e médias recuaram mais de 1%.

A China continental também fechou no zero a zero, e Hong Kong nem abriu — feriado de Páscoa por lá. A Índia conseguiu virar o jogo no fim do pregão e fechou levemente no positivo, após operar no vermelho durante boa parte do dia.

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