Ibovespa cai forte com cenário eleitoral e dólar volta a ficar acima de R$ 5

Por Ana Luiza Serrão 20 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa cai forte com cenário eleitoral e dólar volta a ficar acima de R$ 5

Após fechar o último pregão com ligeiro recuo de 0,17%, próximo da estabilidade, o Ibovespa iniciou as negociações desta terça-feira, 19, em forte queda de 1,81%, a 173,7 mil pontos, com quase todas as ações no vermelho. Hoje o mercado acompanha o noticiário das empresas, o cenário político brasileiro e a aversão ao risco no exterior, com queda de 0,77% no petróleo e alta de 0,76% no dólar comercial às 10h40 (horário de Brasília).

No mesmo horário, as ações da Petrobras, que chegaram a cair 1,40%, mantinham a queda ao cair quase 1%. A Vale também recuava fortemente, com queda de 1,10%. As ações da B3, controladora da Bolsa de Valores do Brasil, caíam 4,07%.

OItaú Unibanco também recuava 2,15%; a Axia Energia, tombava 1,75% e o Bradesco, recuava 1,53%. Entre as maiores quedas também estão a Hapvida, com queda de 3,90%, Cogna, -3,60%; MBRF, -3,21%; e Magazine Luiza, -3,18%. Por outro lado, quem está subindo é a Natura&Co, que registra alta de 0,72%; assim como Usiminas, que sobe 0,55%; Copasa; 0,36%; e Prio, 0,20%.

Os dirigentes do banco central dos Estados Unidos, Federal Reserve (Fed), e do Banco Central Europeu (BCE) discursam neste dia, levando investidores a buscar sinais sobre juros e a inflação, enquanto os EUA anunciaram 42,1 mil empregos a mais por semana no período de quatro semanas encerrado no último dia 2.

Mais tarde, a China divulgará decisão sobre os juros. Outras reuniões que estão no radar do mercado são as do ministro da Fazenda, Dario Durigan, com a Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês), sobre os impactos da guerra no Irã, e com membros do G7, incluindo reuniões bilaterais do Brasil com a França e com o Japão.

Já o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, vai à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, na manhã de hoje, para falar sobre a liquidação do Banco Master, determinada pelo órgão em novembro de 2025.

Pesquisa eleitoral no radar

Uma pesquisa da AtlasIntel também mostrou hoje que 51,7% veem o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) envolvido diretamente com o escândalo do banco envolvendo Daniel Vorcaro. E o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu vantagem na disputa eleitoral, revertendo o cenário do último levantamento.

Lula aparece com 48,9% das intenções de voto agora, ante 47,5% em abril. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, por outro lado, acumula 41,8%, uma queda de seis pontos percentuais em quase um mês, ante 47,8%. Já as intenções indecisas ou com intenção de anular ou votar em branco foram de 4,7% para 9,3% no período.

Petróleo cai após Trump adiar ataque ao Irã

No mercado de commodities, o petróleo recua após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que adiou um ataque militar planejado contra o Irã. O movimento reduz parte dos temores de uma escalada imediata no conflito no Oriente Médio, que poderia provocar novas interrupções na oferta global da commodity.

O Brent para julho caía x%, negociado a US$ 111,04 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI, em inglês) recuava x%, para US$ x. Na sessão anterior, os contratos haviam avançado 2,6% e 3,1%, respectivamente, acumulando o sexto pregão positivo em sete sessões. Os dois já subiram mais de 54% desde o início da guerra.

Apesar do alívio momentâneo nos preços, analistas avaliam que o mercado ainda embute um prêmio elevado de risco geopolítico. O banco ING pontuou que os investidores continuam precificando interrupções persistentes na oferta de petróleo no Oriente Médio, especialmente diante das restrições no Estreito de Ormuz.

A instituição destacou que, mesmo com parte da navegação retomada, os fluxos seguem muito abaixo do normal e podem voltar a piorar rapidamente dependendo da evolução do conflito. As interrupções na oferta têm obrigado o mercado a depender mais de estoques globais e de fontes alternativas de produção.

Wall Street cai com ações de tecnologia e juros

As bolsas de Nova York operam em queda devido à realização de lucros em ações de tecnologia ligadas à inteligência artificial (IA) e pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, Treasuries, que atingiu o maior nível desde outubro de 2023.

O S&P 500 recua 0,5%, enquanto a Nasdaq cai 0,6%, caminhando para a terceira sessão consecutiva de perdas. O Dow Jones perde cerca de 357 pontos ou 0,7%.

O setor de semicondutores segue no centro das atenções. O índice Philadelphia Semiconductor acumulava queda superior a 6% em dois pregões, em meio a preocupações com valuations elevados e dúvidas sobre a sustentabilidade dos fortes investimentos em data centers ligados à IA.

As ações da Nvidia operam em leve baixa antes da divulgação do balanço trimestral, prevista para quarta-feira, 20. O mercado espera resultados fortes da fabricante de chips.

Bolsas europeias sobem com alívio parcial

O índice pan-europeu Stoxx 600 avançava cerca de 0,7% no início da tarde em Londres, com ganhos disseminados entre os principais mercados da região. O DAX, da Alemanha, subia 1,05%, enquanto o CAC 40, da França, avançava 0,66% e o FTSE 100, de Londres, ganhava 0,41%.

Entre os destaques corporativos, as ações da Uniper saltavam cerca de 4,8% após o governo alemão anunciar planos para reprivatizar a companhia de energia, resgatada durante a crise energética europeia de 2022. O governo possui, atualmente, 99,12% da empresa e avalia uma venda ou abertura de capital da participação.

Ásia fecha sem consenso, com alta na China

As bolsas fecharam mistas na Ásia. No Japão, o índice Nikkei 225 perdeu 0,44%, aos 60.550 pontos, apesar de dados mostrarem que o Produto Interno Bruto (PIB) japonês cresceu 2,1% em termos anualizados no primeiro trimestre, acima da expectativa de analistas, de 1,7%.

Na China, os mercados avançaram, acompanhando o movimento de recuperação parcial das commodities. O índice CSI 300 subiu 0,4%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,48%. Já o Kospi, da Coreia do Sul, caiu mais de 3%, pressionado pelo aumento da aversão ao risco. Na Austrália, o S&P/ASX 200 fechou em alta de 1,17%.

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