Ibovespa cai mais de 3%: GPA, Localiza e Vamos lideram perdas
Depois de resistir melhor do que outros ativos locais na véspera, o Ibovespa passou a acompanhar o tom negativo do exterior e opera sob forte pressão nesta terça-feira, 3. O agravamento da aversão ao risco nos mercados globais, diante da escalada do conflito militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, provoca uma liquidação generalizada de ações na B3.
Às 11h06, o principal índice acionário brasileiro recuava 3,50%, aos 182.686 pontos. Dos 84 papéis que compõem o índice, 79 operavam no vermelho, quatro estavam estáveis e apenas um registrava alta, evidenciando a amplitude do movimento de venda.
No mesmo horário, o dólar avançava mais de 2%, cotado a R$ 5,284, refletindo a busca por proteção em meio ao ambiente de maior incerteza.
GPA, Localiza e Vamos entre as maiores quedas do dia
No campo das maiores quedas, as ações do GPA (PCAR3) lideravam o ranking negativo, com recuo superior a 8%.
A companhia informou nesta terça que apresentou pedido incidental de tutela cautelar para o bloqueio das ações detidas pelo ex-controlador Casino, com o objetivo de preservar direitos e garantias no âmbito de processo de arbitragem iniciado em maio do ano passado.
A disputa envolve cobrança de diferenças no recolhimento de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) relativas aos anos-calendário de 2007 e 2013, por suposta dedução indevida de amortizações de ágio.
Além disso, a agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou o rating corporativo da companhia de “A”, com observação negativa, para “CCC”, pressionando ainda mais os papéis.
Também entre as maiores perdas do dia estavam as ações da Localiza (RENT3 e RENT4), que recuavam mais de 7%.
Relatório do Itaú BBA apontou que a reforma tributária pode reduzir o Ebitda por carro da empresa em aproximadamente 20% até a implementação total do novo sistema, prevista para 2033.
Segundo os analistas, a companhia precisaria elevar as tarifas de aluguel em cerca de 16% em termos reais para compensar o aumento da carga tributária.
O banco destacou que, embora clientes corporativos — que representam cerca de 75% da receita — possam absorver parte do reajuste via créditos fiscais, o maior risco está nos clientes individuais, especialmente nos segmentos de assinatura (Meoo) e ride-hailing (Zarp), que não têm direito a créditos tributários.
Esse cenário pode afetar a demanda e gerar maior volatilidade nas ações no médio e longo prazo.
As ações da Vamos (VAMO3) também figuravam entre as maiores baixas, com queda de 7,52%.
Vale e bancos ampliam pressão sobre o Ibovespa
Entre as blue chips, os papéis da Vale (VALE3) tombavam 4,49%, apesar da alta de 0,67% no preço do minério de ferro em Dalian. O movimento reflete a forte aversão ao risco nos mercados globais, que se sobrepõe ao desempenho da commodity.
O setor bancário também registrava perdas relevantes. As units do BTG Pactual cediam 6,25%. Como Vale e bancos têm peso expressivo na composição do Ibovespa, as quedas nesses papéis ampliam o impacto negativo sobre o índice, funcionando como importantes detratores no pregão desta terça-feira.
Petroleiras têm leve alta
Entre as exceções no índice, as petroleiras exibiam leve alta, acompanhando a alta das cotações internacionais do petróleo. A única alta firme do Ibovespa era a da Prio (PRIO3), que subia 0,61%.
Os papéis da Brava Energia (BRAV3) e da Petrobras (PETR3 e PETR4) operavam próximos da estabilidade, com leve alta inferior a 0,41%. Já a PetroReconcavo (RECV3) oscilava entre pequenas altas e baixas ao longo do pregão.
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