Ibovespa cede à pressão do exterior e cai mais de 1%, mesmo com corte da Selic
O Ibovespa abriu em forte queda nesta quinta-feira, 19, refletindo o aumento da aversão ao risco no cenário internacional diante da escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio que elevaram os preços do petróleo. Às 10h21, o principal índice da B3 recuava 1,22%, aos 177.446 pontos. No mesmo horário, o dólar avançava frente ao real, com alta de 0,64%, cotado a R$ 5,279.
O movimento acompanha a disparada dos preços do petróleo no mercado internacional, que intensifica a busca por ativos considerados mais seguros.
Os contratos do petróleo registravam forte alta, com o Brent subindo 5,08%, a US$ 112,82 o barril, enquanto o WTI avançava 0,91%, a US$ 97,20, no mesmo horário. A valorização ocorre em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio, após o Irã manter ataques contra instalações energéticas na região do Golfo, mesmo após apelos por moderação por parte dos Estados Unidos.
Segundo autoridades iranianas, a resposta de Teerã aos ataques israelenses ainda está em andamento, ampliando as incertezas sobre a duração e a intensidade do conflito, que já se aproxima da terceira semana sem perspectiva de cessar-fogo. Os danos a infraestruturas estratégicas de petróleo e gás elevam os temores de interrupções no fornecimento global de energia.
Na avaliação de Marianna Costa, economista da Mirae Asset, o cenário global pressiona os mercados nesta quinta-feira. "A sessão começa com forte queda dos principais índices acionários, impactados pela escalada das tensões no Oriente Médio, que elevaram os preços de energia e reduziram o apetite por risco", afirma.
Ela destaca que os contratos do Brent chegaram a se aproximar de US$ 117 por barril durante a madrugada, diante de novos ataques a infraestruturas energéticas, aumentando o receio de interrupções no fluxo global de petróleo e gás.
Pós-Copom e Fed
Além do cenário geopolítico, a economista ressalta que os investidores monitoram decisões de política monetária ao redor do mundo. Bancos centrais como o da Inglaterra e o Banco Central Europeu devem manter os juros inalterados, enquanto avaliam os impactos inflacionários do conflito.
Nos Estados Unidos, dados divulgados nesta manhã mostraram que os pedidos iniciais de seguro-desemprego somaram 205 mil na semana encerrada em 14 de março, abaixo das expectativas do mercado, o que reforça a resiliência da economia americana e sustenta a postura cautelosa do Federal Reserve em relação a cortes de juros.
Ontem, o BC americano, o Federal Reserve (Fed) manteve, pela segunda reunião consecutiva, a taxa básica de juros do país no intervalo de 3,50% a 3,75%.
No Brasil, o mercado também repercute a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, sinalizando o início de um ciclo de afrouxamento monetário, ainda condicionado ao comportamento da inflação e ao cenário externo mais volátil.
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