Ibovespa descola de NY e fecha em alta pela primeira vez em três dias
O Ibovespa, principal índice acionário da B3, recuperou força ao longo da tarde e encerrou a sessão desta terça-feira, 9, em alta de 0,68%, aos 169.813 pontos, interrompendo uma sequência de três pregões consecutivos de queda. Durante o dia, o índice oscilou entre a mínima de 168.406 pontos e a máxima de 170.600 pontos. O volume financeiro somou R$ 25 bilhões.
Já o dólar à vista interrompeu uma sequência de três altas expressivas e fechou praticamente estável, com leve queda de 0,05%, cotado a R$ 5,1775. A moeda norte-americana oscilou entre R$ 5,1508 e R$ 5,1935 ao longo do pregão.
Segundo Willian Queiroz, sócio e advisor da Blue3 Investimentos, a volatilidade observada no Ibovespa refletiu principalmente as mudanças de humor dos mercados internacionais ao longo do dia.
"Pela manhã, havia um leve otimismo no exterior, principalmente impulsionado pelas big techs americanas, e é natural que o Ibovespa acompanhe esse movimento. Já durante a tarde, esse otimismo perdeu força e vimos uma realização nos mercados globais, o que também afetou a bolsa brasileira", afirma.
Apesar da perda de tração dos índices americanos ao longo da sessão, o mercado doméstico encontrou sustentação em alguns setores específicos. Para Queiroz, os bancos foram os principais responsáveis por manter o Ibovespa no terreno positivo.
"O destaque do dia foram os bancos. Em momentos de revisão das expectativas para juros, o setor costuma ser beneficiado por perspectivas melhores de spread bancário e de negociação de títulos. Como o Ibovespa tem um peso relevante dessas instituições, isso ajudou a sustentar a alta do índice", diz.
O movimento foi acompanhado por ganhos das principais ações do setor financeiro. As ações preferenciais do Itaú Unibanco (ITUB4) avançaram 1,82%, seguidas pelas units do Santander (SANB11), que subiram 1,46%, Bradesco (BBDC4) ganhou 1,34% e BTG Pactual (BPAC11) teve alta de 0,69%.
A Vale (VALE3) também contribuiu para o desempenho positivo do índice, com valorização de 0,55%, mesmo diante da leve queda do minério de ferro no mercado internacional.
Exterior monitora inflação e juros
No exterior, os investidores seguem atentos aos próximos indicadores de inflação nos Estados Unidos, que podem alterar as expectativas para a trajetória dos juros americanos.
Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain, avalia que o ambiente global permaneceu favorável aos ativos de risco, apesar da realização observada nas bolsas americanas ao longo da tarde.
"O setor de inteligência artificial continua atraindo capital global e concentrando boa parte do apetite dos investidores. A realização vista hoje parece muito mais uma acomodação após as recentes altas do que uma mudança estrutural de tendência", afirma.
Segundo ele, muitos investidores preferiram reduzir posições antes da divulgação de indicadores econômicos relevantes que podem redefinir as expectativas para a política monetária dos Estados Unidos.
Santana destaca ainda que a queda dos rendimentos futuros dos títulos americanos ajudou a melhorar o sentimento dos mercados. "Com juros futuros mais comportados, diminui a atratividade relativa dos títulos americanos e parte do capital volta a buscar oportunidades em mercados emergentes, como o Brasil", diz.
Petróleo em queda ajuda o Brasil
Outro fator que favoreceu os ativos domésticos foi a queda do petróleo no mercado internacional. Para Santana, o movimento contribui para reduzir as preocupações com a inflação global. "Quando o petróleo recua, diminui parte da pressão sobre combustíveis, fretes e cadeias produtivas. Isso melhora a percepção sobre a inflação futura", afirma.
As ações ligadas ao setor de petróleo, porém, ficaram entre os destaques negativos da sessão. As preferenciais da Petrobras (PETR4) caíram 0,12%, enquanto Brava Energia (BRAV3) e PetroReconcavo RECV3) também registraram perdas.
Já entre as maiores altas do Ibovespa ficaram Hapvida (HAPV3), com avanço de 4,50%, Direcional (DIRR3), que subiu 4,47%, e Cury (CURY3), com valorização de 4,17%. Na ponta negativa apareceram Totvs (TOTS3), com queda de 4,85%, Natura (NTCO3), que recuou 2,75%, e Weg (WEGE3), com baixa de 1,52%.
Bolsas em NY fecham mistas
As bolsas americanas encerraram a sessão desta terça predominantemente no vermelho, mas longe das mínimas do dia. O setor de tecnologia voltou a cair com força.
O Dow Jones fechou em leve alta de 0,17%, aos 50.872,11 pontos. Enquanto o S&P 500 recuou 0,26%, aos 7.386,65 pontos, e o Nasdaq perdeu 0,97%, aos 25.678,82 pontos.
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