Ibovespa descola de NY e fecha em baixa de 1,2%; dólar vale R$ 4,89
O Ibovespa fechou em baixa de 1,19% nesta segunda-feira, 11, na mínima do dia, aos 181.908,87 pontos, após oscilar entre 181.614,83 e 184.530,15. O volume financeiro somou R$ 29 bilhões em uma sessão marcada pela pressão sobre bancos e ações ligadas à economia doméstica, apesar do avanço das empresas exportadoras de commodities.
A Vale (VALE3) subiu 2,41%, enquanto parte das petroleiras avançou acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional. As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) registraram alta de 1,66% e as ordinárias (PETR3) de 1,40%, na véspera da divulgação do balanço do primeiro trimestre da estatal.
A alta do petróleo também favoreceu moedas de países exportadores de commodities, como o real brasileiro, e ajudou a contrabalançar a saída de capital estrangeiro da bolsa brasileira.
O dólar à vista, por exemplo, fechou praticamente estável, com ligeira queda de 0,06%, apesar do aumento da aversão ao risco no mercado internacional e das preocupações domésticas com inflação e juros. A moeda americana encerrou cotada a R$ 4,891, em uma sessão de poucas oscilações, variando entre R$ 4,8857 e R$ 4,9052.
O setor bancário, por outro lado, operou em bloco no vermelho e limitou o desempenho do índice brasileiro. As units do BTG (BPAC11) lideraram a queda com recuo de 2,88%, mesmo após o banco ter reportado lucro recorde de R$ 4,8 bilhões no 1° trimestre deste ano. As preferenciais do Bradesco (BBDC4) também caíram 2,69%, assim como a units do Santander (SANB11), com queda de 2,52%.
O Itaú (ITUB4) também recuou 2,25% e o Banco do Brasil (BBAS3) registrou queda de 1,19%.
Já as ações mais ligadas ao consumo e à atividade doméstica lideraram as perdas, pressionadas pela deterioração das expectativas para a inflação e pela percepção de que os juros podem permanecer elevados por mais tempo no Brasil.
Entre as maiores quedas do pregão, a C&A (CEAB3) liderou as perdas do Ibovespa, com recuo de 7,69%, seguida por Cogna (COGN3), com queda de 6,38%, e Rede D'Or, que caiu 6,11%.
Do lado positivo, a Minerva Foods (BEEF3) avançou 4,88% reagindo à notícia de que o presidente Donald Trump deve assinar decretos para ampliar as importações de carne bovina e recompor o rebanho dos Estados Unidos, segundo fontes da Reuters.
Mais cedo, o Boletim Focus, do Banco Central, mostrou uma nova revisão para cima das expectativas de inflação no Brasil — a nona alta consecutiva. E um dos principais vetores de pressão inflacionária segue no radar, já que o petróleo voltou a subir sem perspectiva de desfecho para a guerra envolvendo Irã e Israel.
"A grande ironia brasileira é que o país virou beneficiário relativo do caos global. Exportamos petróleo, commodities e alimentos justamente no momento em que o mundo precisa deles", afirma Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos.
Para Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain, a queda da bolsa hoje reflete, acima de tudo, um cenário macroeconômico ainda bastante pressionado, especialmente pelo ambiente internacional.
"O principal fator segue sendo a instabilidade provocada pelos conflitos no Oriente Médio, que continuam sem qualquer sinal concreto de resolução. O mercado até encerrou a semana passada com certo otimismo, diante de expectativas de possíveis acordos, mas bastou o início desta semana para esse alívio se dissipar, com novas recusas às negociações e o aumento da percepção de risco", afirmou.
Bolsas de NY sobem
Na contramão da bolsa brasileira, as principais bolsas de Nova York encerraram em leve alta, com os índices Nasdaq e S&P 500 renovando suas máximas históricas de fechamento com as ações de tecnologia impulsionam o desempenho positivo dos índices.
O índice Dow Jones encerrou em alta de 0,19%, aos 49.704,34 pontos; e o S&P 500 subiu 0,19%, aos 7.412,87 pontos. O Nasdaq avançou 0,10%, aos 26.274,12 pontos. As ações da Micron, Nvidia e Tesla registraram altas superiores a 3%.
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