Ibovespa descola do exterior com Petrobras e oscila nos 193 mil pontos
O mercado financeiro volta a operar com cautela os negócios desta quinta-feira, 9. Com informações de que poucas embarcações estão de fato passando pelo Estreito de Ormuz, de onde sai 20% da produção global de petróleo, o preço da matéria-prima volta a subir com força revivendo temores de aumento na inflação global.
O Brent, principal referência internacional, subia 4%, se reaproximando dos US$ 100. O WTI tinha cotação semelhante, com alta de 6%.
O movimento ocorreu após o porta-voz do parlamento iraniano, Mohammed Bagher Ghalibaf, acusar Washington de violar os termos do acordo de cessar-fogo de duas semanas, ao qual o presidente Donald Trump deu aval na última terça-feira à noite.
Entre as violações apontadas por Teerã estavam a negação do direito iraniano ao enriquecimento de urânio, ataques israelenses contínuos no Líbano e a entrada de um drone no espaço aéreo iraniano — sinalizando que o alívio de tensões, comemorado no pregão anterior, pode ser mais frágil do que o esperado.
O Ibovespa, porém, destoa do exterior. Amparado por ações da Petrobras, que acompanham a alta do petróleo no mercado internacional, o índice opera com alta discreta na primeira hora de negociações. Por volta das 10h15 (horário de Brasília), o Ibovespa avançava 0,47%, aos 193.098 pontos, se reaproximando de mais um recorde intraday.
No mesmo horário, o dólar operava próximo da estabilidade, com ligeira queda de 0,2%, a R$ 5,09.
Bolsas nos Estados Unidos
Os futuros das bolsas americanas operavam em queda, devolvendo parte dos ganhos expressivos da sessão anterior. Os contratos futuros do S&P 500 e do Nasdaq 100 recuavam 0,3% e 0,2%, respectivamente, enquanto os futuros do Dow Jones caíam 0,4%.
Na véspera, o clima havia sido de euforia: o S&P 500 avançou 2,5%, o Nasdaq Composite saltou 2,8% e o Dow disparou mais de 1.300 pontos — sua melhor sessão desde abril de 2025 —, impulsionados pelo anúncio do cessar-fogo entre EUA e Irã.
A animação, porém, esfriou rapidamente com as acusações iranianas de violação do acordo e com a constatação de que o Estreito de Ormuz segue praticamente fechado ao tráfego de petróleo, com apenas alguns cargueiros de carga seca passando pela via desde o anúncio da trégua.
No campo econômico, o índice PCE de fevereiro — a medida de inflação preferida do Federal Reserve — veio em linha com o esperado, com alta de 0,4% no mês e 2,8% no acumulado de 12 meses.
Já os pedidos semanais de seguro-desemprego surpreenderam negativamente, totalizando 219 mil requisições ante a estimativa de 210 mil.
Ásia e Pacífico
Os mercados da Ásia-Pacífico fecharam majoritariamente em queda nesta quinta-feira, pressionados pela escalada de tensões no conflito entre Estados Unidos e Irã.
O Nikkei 225, do Japão, recuou 0,73%, fechando aos 55.895 pontos, enquanto o Topix caiu 0,90%. Na Coreia do Sul, o Kospi teve perda mais expressiva, de 1,61%, e o índice de menor capitalização Kosdaq cedeu 1,27%. Na China continental, o CSI 300 recuou 0,64%, e o Hang Seng, de Hong Kong, operava com queda de 0,71% na última hora de negociações.
Na Índia, o Nifty 50 perdia 0,89% e o Sensex caía 0,96%, com o banco central do país alertando para riscos inflacionários e para o crescimento econômico em razão da guerra. Na contramão do movimento regional, a bolsa australiana S&P/ASX 200 conseguiu fechar em alta de 0,24%, aos 8.973 pontos.
Bolsas na Europa
As bolsas europeias também operavam em queda nesta quinta-feira, refletindo o mesmo clima de apreensão que derrubou os mercados asiáticos. O índice pan-europeu Stoxx 600 recuava cerca de 0,6% por volta das 10h50 (horário de Londres), com a maior parte das praças regionais e setores no vermelho.
O cessar-fogo anunciado por Trump entre Estados Unidos e Irã, celebrado com otimismo no pregão anterior, mostra sinais evidentes de fragilidade, e o mercado reagiu desfazendo parte dos ganhos acumulados na véspera.
Entre os índices de referência, o DAX alemão registrava a queda mais expressiva, de 1,2%, seguido pelo CAC 40 francês, com recuo de 0,8%.
O FTSE 100, de Londres, tinha desempenho relativamente melhor, mas ainda assim operava em baixa de 0,2%. O setor de viagens e lazer foi o mais afetado, sensível à volatilidade do petróleo e à incerteza geopolítica no Oriente Médio: a alemã Lufthansa cedia 3,5%, e a operadora de turismo Tui recuava 2%, devolvendo boa parte dos ganhos conquistados na sessão anterior.
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