Ibovespa devolve ganhos e cai mais de 1% com pressão de bancos e Petrobras

Por Clara Assunção 5 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa devolve ganhos e cai mais de 1% com pressão de bancos e Petrobras

Depois de abrir em queda, o Ibovespa ampliou as perdas ao longo da manhã e, perto das 12h20, recuava 1,31%, aos 183.234 pontos, devolvendo parte dos ganhos da véspera, quando o índice havia renovado máximas históricas.

O movimento de baixa era amplo. Dos 84 papéis que compõem o índice, 69 operavam no campo negativo ou estável. Entre as poucas exceções estava a Braskem (BRKM5), que avançava 0,54%, mesmo em meio à repercussão de uma nova disputa judicial envolvendo a companhia.

Segundo informações do portal UOL, os ministérios públicos Federal e de Alagoas, além da Defensoria Pública da União (DPU), entraram com uma representação na Justiça para barrar um novo acordo firmado entre o governo de Alagoas e a mineradora.

O documento revogou uma decisão anterior e retirou da Braskem a responsabilidade de reconstruir o Hospital Portugal Ramalho, único do SUS no estado com atendimento em psiquiatria. O acordo havia sido assinado no último dia 23 de janeiro.

Além da Braskem, ações como Rumo (RAIL3), Cury (CURY3) e C&A (CEAB3) registravam altas leves, inferiores a 1%. Outros 14 papéis operavam praticamente estáveis, entre eles a Vale (VALE3), que chegou a subir na primeira hora de negócios, mas passou a recuar levemente, com queda de 0,31% no mesmo horário.

As chamadas blue chips, que haviam sustentado o rali da véspera, operavam majoritariamente em baixa nesta quarta, com destaque para os grandes bancos, pressionados pela abertura da temporada de balanços das instituições financeiras no Brasil.

As units do BTG Pactual (BPAC11) lideravam as perdas do índice, com recuo de 3,07%, seguidas pelas ações preferenciais do Itaú (ITUB4), que caíam 2,23%. O banco divulga seus resultados do quarto trimestre após o fechamento do mercado.

As ações da Petrobras também figuravam entre as pressões negativas, em um dia de forte oscilação nos preços do petróleo no mercado internacional. O Brent, referência internacional, registrava leve alta de 0,18%, cotado a US$ 67,45, enquanto o WTI recuava 0,02%, a US$ 363,20.

Entre as maiores quedas do dia estavam ainda Totvs (TOTS3), Hypera Pharma (HYPE3), Weg (WEG3) e RD Saúde (RADL3).

Realização de lucros e BC pressionam Ibovespa

Para Alison Correia, analista de investimentos e cofundador da Dom Investimentos, o movimento reflete uma realização de lucros após o Ibovespa ter atingido mais um recorde na sessão anterior.

"O que a gente vê é Petrobras caindo, Itaú caindo mais de 2%, então, no meu entendimento, é uma correção", afirmou.

Correia também aponta que o mercado opera com cautela diante da expectativa de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aceite a indicação de Guilherme Mello e Tiago Cavalcante para diretorias do Banco Central, nomes sugeridos pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

"Isso, de certa forma, o mercado não gosta muito, porque sabem que eles fizeram parte da política econômica, até pré-campanha de Lula. E o mercado nao gosta muito de qualquer tipo de interferência nesse sentido. Mas de certa forma, o mercado aproveita isso para ter a uma correção", disse o especialista.

Dólar em queda com dados dos EUA no radar

Apesar da queda da bolsa, o dólar seguia em baixa, com ligeiro recuo de 0,06%, cotado a R$ 5,246. Segundo Correia, o movimento está ligado à expectativa de cortes de juros, tanto no Brasil quanto no exterior, e à manutenção de uma taxa de juros doméstica ainda elevada em comparação internacional, o que segue atraindo fluxo estrangeiro para operações de arbitragem.

Ele também destaca o impacto dos dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos. O setor privado dos Estados Unidos criou 22 mil vagas de trabalho em janeiro, segundo relatório divulgado nesta quart pela Automatic Data Processing (ADP). O número ficou bem abaixo do consenso do mercado, que projetava a abertura de 45 mil postos no período.

"Com mais chances de corte lá fora e juros altos aqui, o dólar acaba pesando. Então, temos bolsa para baixo e dólar para baixo".

Na mesma linha, Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, avalia que o movimento desta quarta-feira é técnico e setorial. "A bolsa deu uma esticada significativa nas últimas semanas, muito por expectativa de Copom e da ata. Hoje é um dia de realização de lucros", afirma.

Segundo ele, não há sinais de grandes reposicionamentos por parte de investidores institucionais ou hedge funds. "É mais saída de quem comprou a bolsa em patamares mais baixos e está realizando agora. Bancos subiram bastante nas últimas semanas e estão surfando essa realização. Nada muito pontual ou sistêmico, é correção setorial mesmo", afirmou Teles.

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