Ibovespa ensaia recuperação após queda de 7% em um mês; dólar segue acima de R$ 5

Por Ana Luiza Serrão 21 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa ensaia recuperação após queda de 7% em um mês; dólar segue acima de R$ 5

O Ibovespa subia 0,88% na abertura do mercado desta quarta-feira, 20, a 175,8 mil pontos, seguindo o ritmo de Nova York e de bolsas da Europa, apoiado por um cenário de forte queda do petróleo. Por volta das 10h30 (horário de Brasília), o Brent caía 2,86%, enquanto o dólar comercial subia 0,27%, a R$ 5,05.

A ação da Vale avança 1,09%; Itaú Unibanco, 1,86%; Axia Energia, 1,78%; e Bradesco, 1,73%. Entre as maiores altas do índice estavam Hapvida (5,35%), CSN (4,24%) e Assaí (2,94%). Os papéis da Petrobras, por outro lado, caíam entre 0,65% e 0,75%. Do lado negativo, também estavam SLC Agrícola (-1,91%) e Prio (-0,33%).

Hoje os investidores esperam o balanço da gigante de chips de inteligência artificial (IA), Nvidia, após o fechamento do mercado. A empresa, que sozinha responde por cerca de 20% do retorno do S&P 500 em 2026, é vista como o grande termômetro global para o setor de tecnologia. A expectativa é de lucro por ação de US$ 1,78.

Além disso, a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), do banco central dos Estados Unidos, Federal Reserve (Fed), sairá às 15 horas (também no horário de Brasília), com pistas sobre os próximos passos da taxa de juros, especialmente após preocupação com a inflação em meio à guerra no Irã.

No Brasil, o Banco Central (BC) divulgará o fluxo cambial estrangeiro às 14h30.

Alívio no petróleo impulsiona bolsas em NY e na Europa

O principal motor de alívio para os mercados ocidentais nesta manhã vem do mercado de commodities. Os preços do petróleo Brent caem 2,86%, a US$ 108,89 por barril, e o West Texas Intermediate (WTI), referência de preços nos EUA, recua 2,22%, a US$ 102,06.

O movimento de retração é o maior em termos percentuais e absolutos em duas semanas, sendo desencadeado por declarações do presidente americano, Donald Trump, afirmando que o conflito com o Irã deve terminar "muito rapidamente". Apesar do tom otimista, o clima entre especialistas ainda é de cautela.

Analistas do Citi e da Wood Mackenzie alertam que o mercado pode estar subestimando os riscos de interrupções prolongadas no fornecimento, estimando que o Brent pode testar os US$ 120 no curto prazo e até se aproximar de US$ 200 caso o Estreito de Ormuz sofra novos bloqueios.

Mas a descompressão nos preços da energia abriu espaço para a recuperação das bolsas dos EUA após três sessões consecutivas de perdas. O S&P 500 iniciou o dia com avanço de 0,3%, enquanto o Nasdaq Composite subia 0,5%. O índice Dow Jones registrava alta de 98 pontos ou 0,2%.

Na Europa, o Stoxx 600 avança 0,60%, alcançando os 615,01 pontos. Entre as bolsas regionais, o destaque fica para o índice CAC 40, de Paris, que sobe 0,72%, seguido de perto pelo FTSE MIB, de Milão, com alta de 0,60%. Na Alemanha, o DAX registra ganho de 0,40%, enquanto o índice FTSE 100, de Londres, avança 0,31%.

Títulos públicos globais e o tombo nos mercados asiáticos

Se o Ocidente tenta ensaiar uma recuperação, a madrugada na Ásia foi de forte aversão ao risco, com os mercados locais reagindo tardiamente às tensões geopolíticas e, principalmente, ao estresse no mercado de renda fixa global.

Na sessão anterior, o rendimento dos títulos de 30 anos do Tesouro dos EUA (Treasuries) bateu o pico de 5,19%, o maior nível desde 2007, refletindo o medo de que a inflação global volte a acelerar. Esse movimento provocou um forte ajuste nos títulos públicos de outras economias.

No Japão, o rendimento dos títulos de cinco anos saltou para o recorde de 2,041%, embora analistas ponderem que o mercado japonês segue majoritariamente financiado por poupança doméstica, o que afasta o risco de uma crise sistêmica imediata.

Refletindo esse cenário de juros globais mais altos e incertezas sobre o fim do conflito no Oriente Médio, as principais praças asiáticas fecharam o dia no vermelho. Em Tóquio, o índice Nikkei 225 registrou uma queda de 1,23%, recuando para os 59.804,41 pontos.

O mercado sul-coreano também sofreu perdas, com o índice Kospi caiu 0,86%. Na Austrália, o índice S&P/ASX 200 seguiu o tom de aversão ao risco e contabilizou uma desvalorização de 1,26%, enquanto em Hong Kong o índice Hang Seng registrou uma baixa mais moderada, de 0,57%.

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