Ibovespa ensaia recuperação com bancos em alta, enquanto dólar dispara

Por Ana Luiza Serrão 18 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa ensaia recuperação com bancos em alta, enquanto dólar dispara

O Ibovespa inverteu o sinal e passou a subir nesta quinta-feira, 18, após iniciar o pregão em queda. O principal índice acionário da B3 abriu em queda de mais de 0,70%, mas por volta das 10h50 virou para ligeira alta. Às 11h20, a referência do mercado subia 0,39%, aos 169.111 pontos, repetindo de forma inversa o comportamento da véspera, quando operou em alta durante boa parte do dia antes de virar para baixa no fim da sessão.

Os investidores digerem a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que cortou a táxa básica de juros, a Selic, para 14,25%, e a política monetária do Federal Reserve (Fed, o BC dos Estados Unidos) que indicou a possibilidade de elevar os juros ainda este ano apesar de manter a taxa entre 3,5% e 3,75%.

No mesmo horário da bolsa, o dólar registrava forte apreciação frente ao real ao subir 0,91%, cotado a R$ 5,154. Na máxima do dia, a moeda chegou a R$ 5,169 com alta de mais de 1%. O DXY, índice que compara o dólar a uma cesta de seis moedas de países desenvolvidos, também atingiu o maior nível desde maio de 2025 e subia 0,23%, aos 100,62 pontos, às 11h22.

Vale ensaia alta e Petrobras recua

Entre as blue chips, os papéis de grandes empresas, a Vale (VALE3), de peso no índice e que chegou a abrir em queda, ensaiava alta ao subir 0,24%, ajudando o Ibovespa a permanecer no campo positivo. Os papeís do setor bancário também avançam em bloco.

Por outro lado, as ações ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR3 e PETR4) registram forte queda de quase 2%, acompanhando a queda dos preços do petróleo no mercado internacional.

Na ponta positiva, WEG (WEGE3) avançava 4,59%, seguido por Hapvida (HAPV3), que tenta recuperar as perdas da sessão passada ao subir 3,02%. Cury (CURY3), Direcional (DIRR3) e Marcopolo (POMO4) completam o ranking das cinco maiores altas do dia com avanço de mais de 4%.

Já entre as maiores quedas, o destaque está com Magazine Luiza (MGLU) e Braskem (BRKM5) que caem 3,80% e 3,23%, respectivamente.

Repercussão do Copom

Para o analista da Axia Investing, Felipe Sant'Anna, a sessão hoje ainda reflete a cautela dos investidores após a decisão do Copom, pois, mesmo com o corte da Selic, o ambiente doméstico segue desafiador. "O nosso cenário doméstico é bastante deteriorado para darmos uma sequência nos cortes da Selic", afirmou.

O analista também chamou atenção para o comportamento dos títulos públicos, que continuam exigindo retornos elevados. "O nosso Tesouro IPCA pagando nesse momento IPCA+8,51% (mostra) o mercado pedindo mais prêmio mesmo com os juros em queda ou com mais um corte de juros por aqui", disse.

Já o especialista da Hike Capital, Leonardo Andreoli, destacou que o mercado está mais atento ao comunicado do Banco Central do que à decisão em si. "O corte já era esperado, então o foco do mercado não está na decisão em si, mas no comunicado", afirmou.

Ele vê que a autoridade monetária manteve um discurso cauteloso diante das incertezas econômicas. "A leitura é que o Banco Central manteve uma postura prudente, sem se comprometer com uma sequência automática de novos cortes, porque a inflação ainda está pressionada e o cenário externo continua sensível."

Para o especialista, o cenário ainda favorece uma postura seletiva dos investidores. "A Selic começou a cair, mas ainda está muito alta; o dólar continua pressionado; e o Banco Central não deve acelerar cortes enquanto a inflação seguir acima do confortável", disse.

Petróleo cai após acordo reduzir prêmio de risco

Os preços do petróleo recuam nesta quinta-feira após a assinatura de um acordo entre os presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian para encerrar o conflito no Oriente Médio.

O barril do petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, caía 2,86%, para US$ 74,59. Já o Brent, referência global, recuava 1,85%, negociado a US$ 78,08.

Além do acordo, os preços também são pressionados por projeções da Agência Internacional de Energia (IEA), que alertou para um possível excesso de oferta global em 2027. A expectativa de normalização dos fluxos de petróleo na região reduz parte do prêmio geopolítico incorporado às cotações durante o conflito.

Wall Street se recupera após reação à decisão do Fed

Os principais índices americanos operam em alta, recuperando parte das perdas registradas após a reunião do Federal Reserve. O S&P 500 avançava 0,77%, enquanto o Nasdaq subia 1,06%. Já o Dow Jones ganhava 159 pontos, equivalente a uma alta de 0,31%.

Os pedidos iniciais de seguro-desemprego nos Estados Unidos somaram 226 mil na semana encerrada em 13 de junho, queda de 4 mil pedidos em relação à leitura anterior e resultado praticamente em linha com as expectativas do mercado.

Entre os destaques corporativos, a Intel disparava 9% após o anúncio de uma parceria com a Apple para o desenvolvimento de chips nos Estados Unidos. O movimento impulsionava o setor de semicondutores, com ganhos para Nvidia, Micron e para o ETF SOXX.

Bolsas europeias operam sem direção única

Os mercados europeus apresentam desempenho misto hoje, com investidores aguardando as decisões de política monetária do Banco da Inglaterra (BoE) e do Banco Nacional da Suíça (SNB).

O índice pan-europeu Stoxx 600 recuava 0,31%. Em Londres, o FTSE 100 caía 0,86%. Já o DAX, da Alemanha, avançava 0,38%, enquanto o CAC 40, da França, subia 0,19%. Na Itália, o FTSE MIB registrava leve alta de 0,08%.

O mercado espera manutenção dos juros em 3,75% pelo Banco da Inglaterra e estabilidade da taxa suíça em 0%.

Ásia fecha mista, mas Japão e Coreia renovam recordes

As bolsas asiáticas encerraram o pregão sem tendência única, embora os principais índices de Japão e Coreia do Sul tenham alcançado novas máximas históricas. O Kospi, da Coreia do Sul, avançou 2,3%, impulsionado pela forte alta das ações da SK Hynix e da Samsung. No Japão, o Nikkei 225 subiu 1,65% e fechou em novo recorde histórico.

Na China, o CSI 300 avançou 0,21%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 1,6%. Já o S&P/ASX 200, da Austrália, recuou 0,62%.

Os investidores também aguardam a divulgação dos dados de inflação do Japão referentes a maio, que podem influenciar as expectativas para os próximos passos da política monetária do Banco do Japão.

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