Ibovespa fecha acima dos 191 mil pontos e bate 13º recorde no ano

Por Clara Assunção 24 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa fecha acima dos 191 mil pontos e bate 13º recorde no ano

O Ibovespa ampliou os ganhos ao longo da tarde desta terça-feira, 24, renovou a máxima histórica intradiária pelo terceiro pregão consecutivo e também estabeleceu um novo recorde de fechamento. Embalado pelo avanço das blue chips e por um ambiente externo mais favorável, o principal índice da B3 encerrou em alta de 1,40%, aos 191.490,40 pontos.

Durante o dia, o índice oscilou entre 188.854,45, na mínima do dia, e 191.780,77 pontos — este último, o maior patamar intradiário da história.

Com o desempenho, a bolsa brasileira soma o 13º recorde do ano, superando a marca anterior registrada em 20 de fevereiro, quando havia fechado aos 190.534,42 pontos. O volume financeiro totalizou R$ 32,9 bilhões.

No câmbio, o dólar comercial fechou em queda pelo terceiro pregão consecutivo. A moeda americana recuou 0,26%, a R$ 5,15, após tocar R$ 5,14 na mínima do dia. Trata-se da menor cotação de fechamento em quase dois anos — a última vez que o dólar encerrou abaixo desse patamar foi no fim de abril de 2024.

Em Nova York, as principais bolsas também fecharam no campo positivo, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, implementar uma tarifa global adicional de 10% sobre determinados produtos importados, abaixo dos 15% prometidos no fim de semana.

O Dow Jones subiu 0,76%, o S&P 500 avançou 0,77% e o Nasdaq ganhou 1,05%.

Bancos e blue chips puxam recorde

Na B3, as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) avançaram 2,28% e 2,54%, respectivamente, mesmo com a virada do petróleo para queda no fim do pregão.

Já a Vale (VALE3) subiu 0,39%, apesar da desvalorização de 1,79% do minério de ferro, com investidores reagindo à retomada das negociações no Porto de Dalian.

O setor financeiro também voltou a subir em bloco, após liderar as perdas na véspera. As ações do Banco do Brasil (BBAS3) avançaram 1,77%, enquanto Itaú Unibanco (ITUB4) ganhou 1,52% e Bradesco (BBDC3 e BBDC4) registrou alta, com destaque também para a unit do Santander Brasil, que subiu 3,41%.

Entre as maiores altas do índice, a IRB (IRBR3) liderou com avanço de 7,26%, seguida por Vamos (VAMO3) e Natura (NATU3), ambas com ganhos de 6,40%.

Na ponta negativa, a maior queda foi da Minerva (BEEF3), que recuou 4,43%, após casas de análise revisarem recomendações. A Copasa (CSMG3) caiu 2,84%, enquanto a Metalúrgica Gerdau (GOAU4) recuou 2,46%.

Já a Gerdau (GGBR4), que chegou a cair mais de 3% após divulgar balanço do quarto trimestre, reduziu perdas ao longo da sessão, mas ainda fechou no campo negativo.

Fluxo estrangeiro sustenta movimento

Para Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, o movimento combina fatores técnicos e fundamentos externos mais favoráveis. Segundo ele, a sessão anterior foi marcada por uma realização mais intensa no setor financeiro, abrindo espaço para uma recomposição rápida assim que o ambiente internacional melhorou.

“O mercado passou por um ajuste importante nos bancos, que vinham acumulando altas relevantes. Hoje há uma recuperação técnica, sustentada por um pano de fundo melhor lá fora”, afirma.

Moliterno também destaca o peso das blue chips na dinâmica do índice. “Petrobras e Vale têm participação relevante no Ibovespa. Quando há fluxo comprador consistente nesses papéis, o índice responde rapidamente”, diz.

Na mesma linha, Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, afirma que a alta foi puxada principalmente por Petrobras, Vale e bancos. Segundo ele, mesmo com a virada do petróleo para queda no fim do dia, a Petrobras manteve a trajetória positiva pela força compradora, especialmente de investidores estrangeiros.

“As maiores altas do Ibovespa estão sendo puxadas pelo dinheiro gringo que vem entrando no mercado brasileiro e vai principalmente para as blue chips como PETR4, VALE3 e os bancos, que são os mais beneficiados. Com isso, sobem ações como BBAS3, ITUB4 e BBDC3”, afirma.

Para Bento, o fluxo externo tem sido determinante. “O Brasil aparece como um dos portos mais seguros entre os emergentes neste momento, com empresas sólidas e valuations ainda atrativos. Esse movimento ajuda a sustentar a alta da bolsa e mantém o dólar pressionado para baixo”, diz.

Ele avalia ainda que a queda da moeda americana reflete a combinação entre tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã, incertezas sobre tarifas e maior apetite ao risco em emergentes. Nesse cenário, afirma, o Brasil tem se destacado frente a outros países como África do Sul, Turquia e México.

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