Ibovespa fecha em alta após pregão volátil e acumula ganho semanal de 0,9

Por Clara Assunção 7 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa fecha em alta após pregão volátil e acumula ganho semanal de 0,9

O Ibovespa encerrou as negociações desta sexta-feira, 6, em alta de 0,45%, aos 182.955 pontos, após um pregão marcado por volatilidade e ausência de uma direção clara no início do dia.

O principal índice acionário da B3 chegou a oscilar sem tendência definida, refletindo a cautela dos investidores depois da forte queda registrada na última quarta, 4, mas ganhou tração ao longo da sessão e passou a operar em terreno positivo e fechou a semana com alta de 0,9%.

Segundo Christian Iarussi, economista e sócio da The Hill Capital, o movimento foi impulsionado por uma recuperação técnica e por um foco maior nos resultados corporativos.

O desempenho positivo de alguns bancos, como o Itaú (ITUB4), que apresentou números sólidos, ajudou a sustentar o índice, compensando uma postura mais conservadora em relação a outros nomes do setor financeiro. Os papéis da instituição, que têm uma participação de pouco de 8% no Ibovespa, avançaram 2,70%.

"Além disso, houve ajuste de posições após o sell-off recente e leitura de que, apesar da revisão para baixo do crescimento econômico de 2026, a dinâmica inflacionária e de juros segue relativamente construtiva para a bolsa", afirmou Iarussi.

Dos 84 papéis que compõem o índice, 39 fecharam em alta, 23 ficaram estáveis e 22 encerraram o dia em queda. A maior alta da sessão foi da Direcional (DIRR3), que avançou 6,90%. Magazine Luiza (MGLU3) também teve desempenho expressivo, com alta próxima de 6%, assim como B3 (B3SA3) e Cury (CURY3), que anotaram quase 5% de ganhos, respectivamente,

O economista e sócio da The Hill Capital aponta que Direcional e Cury se beneficiam de um ambiente mais favorável para o setor imobiliário.

"A perspectiva de queda dos juros melhora as condições de financiamento, aumenta a atratividade do crédito imobiliário e reforça o apetite dos investidores por ações de construtoras", segundo ele.

Já a alta da B3 reflete uma recuperação setorial, apoiada na expectativa de melhora operacional e maior previsibilidade de receitas, em meio ao foco do mercado nos resultados das empresas.

No campo das perdas, a CSN (CSNA3) liderou as quedas do dia, com recuo de quase 4%. Em seguida vieram Cogna (COGN3), que caiu 3,30%, Bradesco (BBDC4), com perda de 2,55%.

As ações de Santander e Bradesco seguiram pressionadas após a divulgação de resultados que não agradaram totalmente o mercado.

Os analistas do UBS apontaram o guidance do Bradesco para este ano foi conservador em demasia e ficou abaixo das expectativas. O banco afirmou que a qualidade do crédito foi uma surpresa positiva, sem deterioração do índice de inadimplência para empréstimos acima de 90 dias (que ficou estável entre um trimestre e outro).

Os analistas do Itaú BBA também partilham dessa mesma visão. Segundo a instituição, desde que o banco iniciou seu processo de transformação, tem ficado próximo do teto de seus guidances. "Dada a trajetória sólida de receita e disciplina de crédito, mantemos confiança nas projeções a medida que o ano a avança", escreveram os analistas da casa.

Além de Bradesco e Santander, Vale também recuou

Dalton Vieira, analista-chefe da Blue3 Research, destaca que o mercado vive um momento mais lateralizado, no qual alguns ativos ainda performam bem, enquanto outros passam por um processo de realização.

Segundo ele, no caso de bancos como Santander e Bradesco, a queda atual faz parte de uma correção dentro de uma tendência positiva de médio e longo prazo, o que pode, inclusive, abrir oportunidades de entrada para investidores com horizonte mais longo.

Entre as commodities, a Vale (VALE3) estendeu as perdas da sessão anterior e caiu mais 0,95% nesta sexta-feira, acompanhando o desempenho negativo do minério de ferro no mercado internacional.

As siderúrgicas e mineradora como um todo operaram no vermelho, refletindo um cenário mais desafiador para o setor, com expectativa de queda na produção global de aço, pressão de importações mais baratas e elevada capacidade ociosa.

Vieira acrescenta que o minério confirmou, ao longo da semana, uma nova tendência de baixa de curto prazo, o que tende a impactar as empresas ligadas ao setor.

"Após um ciclo prolongado de valorização — a Vale acumula cerca de oito a nove meses consecutivos de alta —, o movimento atual pode representar um processo de correção ou lateralização, sem necessariamente desmontar a tendência positiva de médio prazo", na avaliação de Vieira.

Há espaço para novas altas?

Para Iarussi, o desempenho segue sustentado pelo forte fluxo de capital estrangeiro. Somente em janeiro, a entrada de recursos superou R$ 25 bilhões, apoiada por valuações mais atrativas no Brasil em comparação aos mercados desenvolvidos, pela migração global para ativos de mercados emergentes e pelo otimismo em relação ao início do ciclo de cortes de juros.

Na avaliação de Vieira, o cenário estrutural segue positivo para a bolsa brasileira, com diversos setores apresentando mudança de tendência no médio e longo prazo.

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