Ibovespa fecha em leve alta com Petrobras; dólar se mantém em R$ 5,15

Por Clara Assunção 12 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa fecha em leve alta com Petrobras; dólar se mantém em R$ 5,15

O Ibovespa oscilou ao longo do pregão desta quarta-feira, 11, mas encerrou com ligeiro avanço, sustentado principalmente pela forte alta das ações da Petrobras em meio à disparada do petróleo. O principal índice da B3 avançou 0,28%, aos 183.969 pontos, com giro financeiro de R$ 25,9 bilhões.

A sessão foi marcada por volatilidade, em um dia de atenção ao cenário geopolítico após a escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã, que impulsionou os preços do petróleo e favoreceu papéis ligados à commodity. As ações da Petrobras lideraram as altas do índice. Os papéis ordinários (PETR3) subiram 4,89%, enquanto os preferenciais (PETR4) avançaram 4,36%.

Na outra ponta, a Vale (VALE3) caiu 0,88%, mesmo com a alta de 0,90% do minério de ferro no exterior. Entre os bancos, o desempenho foi misto. O Santander recuou 0,78%, assim como o Bradesco, que caiu 0,45%, enquanto Banco do Brasil subiu 0,80% e Itaú avançou 0,21%.

Entre os destaques positivos, a Cury subiu 4,13%, após a divulgação de seu balanço trimestral. Já no campo negativo, a Raízen liderou as perdas do índice, com queda de 5,77%, após a confirmação do pedido de recuperação extrajudicial.

Dólar fecha estável

No câmbio, o dólar à vista fechou praticamente estável frente ao real, em movimento contrário ao observado no exterior. A moeda americana avançou 0,03%, cotada a R$ 5,1593, após oscilar entre R$ 5,1468 e R$ 5,1828.

O real foi apoiado pela forte alta do petróleo — que tende a favorecer moedas de países produtores de commodities — e também pela retomada do fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira. Dados mais recentes da B3 indicam entrada líquida de R$ 1,4 bilhão na segunda-feira, elevando o saldo positivo de março para R$ 2,2 bilhões.

No exterior, o dólar avançou, com índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, subindo 0,39%, para 99,21 pontos.

Guerra do Irã no foco

De acordo com informações da Reuters, o porta-voz do quartel-general do comando militar de Khatam ​al-Anbiya, em Teerã, afirmou que o Irã ⁠passará de "ataques recíprocos" para "ataques contínuos" ‌após ofensiva dos Estados Unidos e Israel sobre ‌o país. A autoridade iraniana também afirmou que os EUA não conseguirão controlar os preços ⁠do petróleo.

"Não permitiremos que ​nem um litro de petróleo chegue aos EUA, aos ‌sionistas (Israel) e ​seus parceiros. Qualquer embarcação ou petroleiro com ⁠destino ​a ​eles será um alvo legítimo", ⁠disse ​Ebrahim Zolfaqari.

O porta-voz também afirmou que o barril de ​petróleo pode chegar a US$200. "Porque ​o ⁠preço do petróleo depende ⁠da segurança regional, que vocês desestabilizaram", acrescentou.

Após as declarações, o petróleo do tipo Brent, a referência global, mantinha a trajetória de alta que abriu o dia subindo 5%, com o barril cotado a US$ 92,16. O WTI, usado como parâmetro nos EUA, também subia 4,78%, a US$ 87,45. Ontem, porém, o movimento foi de queda. O Brent caiu 11,27%, cotado a US$ 87,80 por barril, e o WTI recuou 11,94%, a US$ 83,45.

Varejo no Brasil e inflação dos EUA no radar

Os investidores também repercutem nesta quarta os dados do varejo brasileiro, que vieram acima do esperado.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de vendas do varejo brasileiro cresceu 2,8% em janeiro, após fechar 2025 com alta de 1,6%. Na comparação com o mês de dezembro, o setor avançou 0,4%. O avanço de 2,8% ante janeiro de 2025 representa o aumento do volume de vendas pelo 10º mês consecutivo, conforme os dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC).

Apesar do crescimento acima do esperado, André Valério, economista sênior do Inter, avalia que a alta de janeiro reflete mais uma recomposição de perdas dos meses anteriores do que uma mudança de tendência no desempenho do setor.

"O setor continua bastante dependente de atividades ligadas ao consumo essencial, como supermercados e farmácias, que, juntos, explicam mais da metade do crescimento acumulado nos últimos 12 meses", afirmou.

"No varejo ampliado, por sua vez, vemos ainda as atividades mais sensíveis ao crédito tendo desempenho bem negativo no acumulado em 12 meses, o que se reflete no desempenho do varejo sensível ao crédito, que acumula queda de 0,4% nos últimos 12 meses, enquanto o varejo mais sensível à renda acumula alta de 1,6%, refletindo o bom desempenho do mercado de trabalho", acrescentou.

O resultado pressionou os juros futuros, que avançam, o que pode pressionar as ações ligadas à economia cíclica que, ontem, ficaram entre as maiores altas do pregão.

Já entre os dados do exterior, o foco é oa índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos, que subiu 0,3% em fevereiro na comparação com o mês anterior, acelerando em relação a janeiro, quando o índice subiu 0,2%, de acordo com o Escritório de Estatísticas de Trabalho (BLS). O resultado ficou em linha com o consenso de mercado.

Bolsas da Ásua sobem, mas caem na Europa

As principais Bolsas da Ásia fecharam em alta, com destaque para Seul, que ganhou 1,4%, mesma variação no índice Nikei, no Japão. O índice SSEC, em Xangai, também subiu 0,25%.

Já as Bolsas da Europa fecharam em queda diante das preocupações com a nova alta dos preços do petróleo. O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, caiu 0,83%. Outras Bolsas europeias também desvalorizavam como Frankfurt (-1,59%), Londres (-0,56%) e Paris (-0,19%).

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