Ibovespa fecha em queda de 2,5% e dólar avança para R$ 5,24 com aversão ao risco
O Ibovespa ampliou as perdas ao longo do pregão e fechou em forte queda nesta quinta-feira, 12, pressionado pela disparada do petróleo em meio à escalada da guerra envolvendo o Irã. O principal índice acionário da B3 recuou 2,55%, aos 179.284 pontos.
No câmbio, o dólar à vista fechou em alta de 1,62%, cotado a R$ 5,242, após ter encerrado praticamente estável na sessão anterior.
A aversão a risco foi intensificada pela disparada do petróleo no mercado internacional. O barril do Brent crude oil ultrapassou a marca de US$ 100 e encerrou o dia com alta de 9,21%, a US$ 100,46, em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio.
Os contratos futuros da commodity aceleraram os ganhos após novos ataques a petroleiros no Golfo e ameaças do Irã de manter bloqueado o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo transportado no mundo.
O mercado também reagiu às incertezas sobre a capacidade de compensar a queda na oferta global, mesmo após a decisão da Agência Internacional de Energia de liberar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas. Analistas questionam se o volume seria suficiente para amortecer o impacto do choque de oferta.
O cenário foi agravado ainda por declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que impedir o Irã de desenvolver armas nucleares é “de interesse e importância muito maiores” do que o preço do petróleo, além do tom duro adotado pelo novo líder iraniano, Mojtaba Khamenei, que prometeu manter o bloqueio do Estreito de Ormuz e continuar atacando bases americanas na região.
Ações de petroleiras reagem às medidas do governo
Depois de o governo anunciar medidas para impedir que a disparada do petróleo no mercado internacional chegue ao bolso do consumidor brasileiro, as ações de petrolíferas na bolsa operaram com tendências distintas.
As preferencias da Petrobras (PETR4) e as ordinárias (PETR3) subiram, enquanto a Prio (PRIO3), que caiu com a notícia, fechou em ligeira alta, quase estável. Os papéis da Brava (BRAV3), por sua vez, fecharam em forte queda de mais de 6%.
Isso porque combinação de retirada de PIS/Cofins do diesel com a criação de imposto sobre exportação de petróleo deve ter impactos diferentes sobre as empresas.
De acordo com Flavio Conde, da Levante, a medida tende a ser positiva para a Petrobras. Com a nova política, a empresa pode elevar o preço da gasolina e do diesel e receber integralmente esse aumento quando vender para as distribuidoras. Parte desse valor, cerca de R$ 0,32 por litro, será compensada pelo governo por meio de uma subvenção paga às distribuidoras.
Para a Prio, segundo Conde, o impacto é negativo. A companhia exporta praticamente todo o petróleo que produz e não vende no mercado interno. Com a criação de um imposto de 12% sobre exportações, parte relevante da receita da empresa passa a ser tributada.
Isso reduz o benefício que a companhia vinha tendo com a alta do preço do petróleo. "Apesar disso, a empresa tem um fator positivo independente da medida — o início da produção no campo de Wahoo, que deve acrescentar inicialmente cerca de 20 mil barris por dia à produção", explica Conde.
Inflação brasileira no radar
No Brasil, porém, também pesa a repercussão do IPCA de fevereiro. O indicador oficial da inflação no Brasil, fechou o mês em alta com 0,70 %, uma aceleração de 0,37 ponto percentual em comparação ao índice de 0,33% registrado em janeiro.
O resultado do último mês veio acima do esperado pelo mercado,que projetava alta de 0,65%, impulsionado por serviços, transportes e monitorados, levando o acumulado em 12 meses para próximo de 3,8%.
Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o dado reforça expectativas de manutenção da taxa básica de juros, a Selic, limitando otimismo para ações de crescimento. "O superávit comercial da primeira semana de março segue sustentando commodities, mas ruídos fiscais adicionam cautela", afirmou.
Bolsas globais pressionadas
As principais Bolsas da Ásia fecharam em queda, com destaque para o índice Nikei, no Japão, que caiu 1,04%.
Em Wall Streel, o índice Dow Jones também caiu 1,56%. O S&P 500 cedeu 1,52% e o Nasdaq caiu 1,78%%.
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