Ibovespa fecha em queda de mais de 1% e volta aos 187 mil pontos
O Ibovespa encerrou as negociações nesta quinta-feira, 12, em queda de 1,02%, aos 187.766 pontos. Dos 84 papéis do índice, 59 fecharam no vermelho, refletindo um pregão marcado por realização de lucros, pressão de pesos-pesados e aversão a risco no exterior, segundo analistas.
O movimento local acompanhou o tom negativo de Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq, que ampliaram as perdas ao longo do dia. Em Nova York, o setor de tecnologia voltou a liderar a queda, em meio a temores renovados sobre o ritmo de investimentos e a rentabilidade de projetos ligados à inteligência artificial.
O receio dos investidores contaminou outros segmentos, como o financeiro, e levou os principais índices a fecharem em forte baixa. O Dow Jones caiu 1,34%, aos 49.451,88 pontos; o S&P 500 recuou 1,55%, aos 6.832,76 pontos; e o Nasdaq perdeu 2,04%, aos 22.597,15 pontos.
A cautela também foi reforçada pelos dados de mercado de trabalho nos Estados Unidos. Os pedidos iniciais de seguro-desemprego somaram 227 mil na semana encerrada em 7 de fevereiro, queda de 5 mil ante a leitura anterior, segundo o Departamento do Trabalho.
Apesar de levemente acima do consenso, o dado mantém a percepção de mercado de trabalho resiliente, enquanto investidores aguardam a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) e novos discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed).
O dólar acompanhou o ambiente externo e fechou em alta de 0,25%, a R$ 5,20, em linha com o avanço da moeda americana frente a outras divisas em um dia de busca por proteção e migração para Treasuries.
Pressão de Petrobras e bancos
Na B3, quem mais pressionou o índice foram as ações da Petrobras. Os papéis ordinários (PETR3) caíram 3,09%, enquanto as preferenciais (PETR4) recuaram 2,55%, em meio ao enfraquecimento dos preços do petróleo no mercado internacional.
Entre os bancos, as units do Santander (SANB11) tombaram 4,88%, figurando entre as maiores contribuições negativas do dia. A Vale (VALE3) também pesou, com queda próxima de 1%, às vésperas da divulgação de seu balanço trimestral após o fechamento do mercado hoje.
Para João Daronco, analista CNPI da Suno Research, o movimento do índice foi mais técnico do que fundamental. "Vejo muito mais como um movimento natural de realização de lucros do que qualquer outra coisa", afirmou.
Segundo ele, tanto a queda de Petrobras quanto a dos grandes bancos pode ser atribuída a esse ajuste após altas recentes.
Entre as maiores baixas do dia, Raízen e Braskem recuaram mais de 11%. No caso da Braskem, Daronco afirma que o mercado está apreensivo com a situação financeira da companhia, diante de comentários sobre um possível calote ao Banco do Brasil que teria impactado o resultado da instituição. “O mercado está ainda mais apreensivo com a situação econômica da empresa, e isso pressiona os preços”, diz.
Altas puxadas por surpresa positiva
Na ponta positiva, Assaí liderou os ganhos, com alta de 5,09%, seguido por Ambev, que avançou 4,76%, e Banco do Brasil, com valorização de 4,50%.
Segundo Daronco, mesmo com balanços considerados fracos no quarto trimestre, as ações reagiram porque superaram as expectativas do mercado. "Sempre quando analisamos resultados, temos que ver em comparação com o que o mercado está esperando. Diante disso, ambas as empresas surpreenderam as expectativas, e existem fluxos que impulsionam os ativos", afirma.
Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o Ibovespa passou por um movimento de acomodação após as altas recentes. "É um movimento suave de correção após as fortes altas da véspera", disse.
Ele avalia que a moderação da atividade no setor de serviços no Brasil é marginalmente positiva e ajuda a aliviar a curva de juros, mas não foi suficiente para sustentar o índice.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: