Ibovespa fecha estável e dólar cai para menor nível desde fevereiro
O Ibovespa fechou praticamente estável nesta segunda-feira, 6, com ligeira alta de 0,06%, aos 188.161 pontos, em um pregão marcado pela falta de direção clara. Já o dólar encerrou também próximo da estabilidade, com queda de 0,25%, cotado a R$ 5,146, o menor nível desde 27 de fevereiro, quando havia fechado a R$ 5,1305.
O desempenho dos ativos refletiu um mercado em compasso de espera diante das incertezas no cenário internacional, especialmente em relação aos desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã e às declarações do presidente Donald Trump.
Entre os destaques do pregão, as ações da Hapvida (HAPV3) lideraram os ganhos,com alta de quase 6%, seguidas por Marfrig (MRFG3) e Magazine Luiza (MGLU3), que subiram quase 3%. No campo oposto, as ações de Azzas (AZZA3) encerraram com queda de 1,71%, a maior do dia.
Para Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos, o comportamento lateralizado do mercado é natural neste momento de incerteza.
“Esse movimento de lateralização é natural. O mercado entrou em compasso de espera, aguardando um momento de definição — seja para o bem ou para o mal. Depois de semanas de forte volatilidade, impulsionadas pela escalada geopolítica e pela disparada do petróleo, vemos agora um ambiente mais estático, com redução de posições direcionais.”
Segundo ele, o investidor pondera cenários opostos, o que trava uma direção clara para os ativos.
“Mesmo com o petróleo em níveis elevados, acima dos US$ 100, o mercado equilibra dois vetores: o risco inflacionário global, que limita cortes de juros, e a possibilidade de uma descompressão do conflito no curto prazo. Esse equilíbrio gera um mercado sem direção no intraday, tanto na bolsa quanto no dólar.”
Boragini destaca ainda que há uma disputa entre o prêmio de risco geopolítico e a entrada de capital estrangeiro.
“O dólar gira em torno de R$ 5,15 porque existe uma disputa entre risco e fluxo. Só em março, o investidor estrangeiro trouxe cerca de R$ 11,7 bilhões. Ao mesmo tempo, o custo de estar posicionado do lado errado é muito alto, especialmente com um evento decisivo tão próximo. Por isso, o mercado prefere esperar.”
Na avaliação do especialista, as declarações de Trump foram recebidas com cautela e ceticismo. Para Heitor De Nicola, da Avin, a falta de direção reflete uma combinação de fatores.
“O movimento de estabilidade é basicamente a soma de dois elementos: a espera pelos próximos passos do conflito entre EUA e Irã — com o risco de escalada sendo neutralizado pela expectativa de um cessar-fogo — e a menor liquidez global, com bolsas fechadas na China e em partes da Europa por feriados. Isso mantém o mercado andando de lado.”
Ele ressalta que o mercado já absorveu o tom agressivo de Trump e agora aguarda ações concretas. “Os investidores saíram do modo de reação para o de observação. O prazo estabelecido para terça-feira é o principal gatilho. As ameaças ao Estreito de Ormuz mantêm o petróleo sob estresse, mas também são vistas como pressão máxima para viabilizar um cessar-fogo.”
Além da guerra, De Nicola chama atenção para outros fatores que aumentam a cautela. “Há também preocupação com medidas comerciais, como tarifas de 100% sobre produtos farmacêuticos e mudanças em aço e alumínio. Isso reforça a imprevisibilidade da política externa e adiciona uma camada extra de risco.”
Já Alexandre Pletes, da Faz Capital, avalia que o mercado segue travado à espera de sinais mais concretos. “O mercado passou o dia sem direção única, aguardando os próximos capítulos. Há uma percepção de maior abertura do Irã para um acordo, e o aumento recente no tráfego no Estreito de Ormuz reforça essa expectativa. Ainda assim, Trump deu novos prazos, mas sem detalhar os próximos passos, o que mantém os investidores cautelosos.”
Segundo ele, as declarações mais recentes não trouxeram novidades suficientes para alterar o cenário. “O presidente falou mais sobre eventos pontuais do que sobre medidas concretas. Sem clareza sobre o que vem pela frente, o mercado não tem elementos para precificar um movimento mais forte.”
No cenário internacional, Trump classificou a proposta de cessar-fogo como “significativa”, mas “insuficiente”, indicando que as negociações continuam. O Irã, por sua vez, sinalizou disposição para discutir termos mais amplos, incluindo a reabertura do Estreito de Ormuz e o alívio de sanções.
Com isso, investidores seguem atentos ao prazo estabelecido por Washington e ao risco de escalada ou avanço diplomático — fatores que devem continuar ditando o rumo dos mercados nos próximos dias.
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