Ibovespa fecha nos 185 mil pontos e apaga ganhos do mês: dólar supera os R$ 5

Por Rebecca Crepaldi 30 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa fecha nos 185 mil pontos e apaga ganhos do mês: dólar supera os R$ 5

Pela sexta sessão consecutiva, o Ibovespa fechou em queda. O principal índice acionário da B3 recuou 2,05% aos 184.750,42 pontos, a sequência mais longa de quedas em nove meses. A última vez que o benchmark tinha passado por algo semelhante foi entre 6 e 14 de julho de 2025. Já o dólar voltou a superar a barreira dos R$ 5 e fechou em alta de 0,40% aos R$ 5,001.

O que pesou na sessão desta quarta-feira, 29, foi um combo de fatores: balanço da Vale (VALE3), poucos avanços em relação a Guerra no Irã, discurso do Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) e realização de lucros.

Balanço da Vale

Em relação à Vale, apesar do desempenho surpreendente de sua divisão de metais, os custos da empresa dispararam com o real mais forte e a escalada do petróleo no mercado internacional. Com isso, a mineradora recuou 5,87% para R$ 79,44.

O Ebtida da Vale Base Metals mais que dobrou na comparação anual, saltando 116% para US$ 1,197 bilhão, impulsionado principalmente pela forte valorização do cobre nos mercados internacionais e por melhorias operacionais significativas no segmento de níquel. O desempenho reforçou a estratégia da companhia de diversificar sua base de receitas para além do minério de ferro.

Mesmo com um trimestre operacionalmente robusto, os custos totais da Vale subiram 12% na comparação anual, para US$ 6,70 bilhões. A principal métrica de eficiência do setor, o custo caixa C1 do minério de ferro, também subiu 12%, para US$ 23,6 por tonelada. Os dois principais "culpados" pelo avanço foram valorização do real frente ao dólar e a alta do petróleo, que pressionaram a operação por caminhos diferentes.

Guerra no Irã

As negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio seguem sem avançar. Na última segunda-feira, 27, circulou notícias de que Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, teria ficado insatisfeito com a proposta do Irã para encerrar a guerra, segundo informou a agência Reuters e o jornal The New York Times.

A questão em pauta é sobre o programa nuclear do Irã. Os EUA querem que o país se comprometa a nunca desenvolver uma arma nuclear e limite o enriquecimento de urânio, enquanto Teerã diz que pode deixar as negociações do programa nuclear para depois.

Hoje, Trump publicou na rede Truth Social uma montagem sua segurando uma arma ao lado da bandeira dos EUA, com explosões ao fundo, dizendo "Chega de ser bonzinho". No texto, Trump escreveu: "O Irã não consegue se organizar. Eles não sabem como assinar um acordo não nuclear. É melhor que se convençam logo!".

O Estreito de Ormuz segue fechado, o que pressiona o preço do petróleo, com o contrato de vencimento para junho de 2026 do barril da referência mundial Brent fechando em US$ 118,03.

Decisão do Fed e Powell

Assim como esperado pelo mercado, o Fed manteve a taxa básica de juros dos Estados Unidos no intervalo entre 3,50% e 3,75% pela terceira reunião consecutiva neste ano. Entretanto, o que chamou a atenção foi o 'racha' entre o colegiado. Quatro membros do comitê discordaram do resultado, o maior nível de dissidência desde 1992, de acordo com dados da CNBC.

Em relação ao discurso, esta foi a última coletiva de imprensa de Powell como presidente do Federal Reserve e, nela, ele afirmou que vê riscos à independência da instituição, ao comentar recentes disputas envolvendo o banco central. "Minha preocupação é realmente sobre a série de ataques legais ao Fed, que ameaçam nossa capacidade de conduzir a política monetária sem considerar fatores políticos", disse.

No Brasil, o mercado está totalmente concentrado na decisão de hoje do Copom, que deve definir os rumos da política monetária no curto prazo. A expectativa predominante entre analistas é de um novo corte de juros, ainda que moderado, de 0,25 ponto percentual.

Caso se confirme, a Selic passaria para 14,50%, sinalizando continuidade de um ciclo gradual de flexibilização, mas ainda com postura cautelosa por parte do Banco Central diante das incertezas inflacionárias e do cenário fiscal.

Realização de lucros

“O Ibovespa nos últimos dias tem apresentado um movimento natural de correção, após um período de forte alta desde 2025. Parte da explicação tem a ver com algum fluxo de saída de investidores estrangeiros, que embarcaram fortemente na bolsa esse ano. Outra razão para a correção do Ibovespa tem a ver com as notícias negativas nos últimos dias em relação ao conflito no Oriente Médio.”

Os estrangeiros que deram impulso à bolsa brasileira no primeiro trimestre continuam tirando dinheiro da B3. As saídas começaram no último dia 15 de abril e de lá até o dia 27 (último número disponibilizado) o fluxo acumulado está negativo em R$ 7,5 bilhões. Ainda assim, o mês de abril como um todo ainda tem saldo positivo de R$ 8,2 bilhões.

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