Ibovespa não segura os 191 mil pontos e fecha em baixa de 0,9% com bancos
Após renovar a máxima histórica intradiária e superar os 191 mil pontos pela manhã, o Ibovespa perdeu força ao longo do pregão e fechou esta segunda-feira, 23, em queda de 0,88%, aos 188.853 pontos. Apenas 18 ações encerraram no campo positivo.
O dia começou sob impacto do anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizado no sábado, 21, quando que elevou a tarifa global de importação de 10% para 15%, reacendendo temores de escalada comercial.
A medida aumentou a aversão ao risco no exterior e pressionou ativos globais. Em Nova York, o Dow Jones caiu 1,66%, para 48.804,06 pontos; o S&P500 perdeu 1,04% (6.837,75); e o Nasdaq recuou 1,13%, aos 22.627,27 pontos.
Apesar do ruído externo, o Ibovespa chegou a renovar a máxima histórica no intradiário, apoiado pelo fluxo estrangeiro e pela expectativa de queda de juros no Brasil, marcando inéditos 191.003 pontos
De acordo com Tales Barros, líder de renda variável da W1 Capital, esse fluxo tem sido "a espinha dorsal" das altas recentes e das renovações consecutivas de recordes. "Mas, em um cenário de máxima histórica, qualquer aumento de incerteza externa abre espaço para realização de lucros", afirmou.
Ações de bancos recuam em meio à aversão ao risco
Ao longo da tarde, o movimento de realização ganhou força, especialmente em ações que vinham acumulando forte valorização, como os bancos.
As units do Santander (SANB11) registraram a maior queda do dia, com recuo de quase 6%. As preferenciais do Itaú (ITUB4), que têm peso de quase 9% no índice, caíram 3,62%. Também fecharam em baixa as units do BTG Pactual (BPAC11), as preferenciais do Bradesco (BBDC4) e as ações do Banco do Brasil (BBAS3), que recuaram 0,59%.
Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos, avalia que o movimento nos bancos está menos relacionado diretamente às tarifas e mais associado a um ajuste técnico.
"O setor vinha acumulando desempenho muito forte e puxando o índice. Em dias de maior cautela, é comum ver realização justamente nos papéis que mais subiram”, diz.
Segundo ele, o mercado também passou a monitorar com mais atenção a trajetória de juros e atividade global. "Qualquer sinal de desaceleração ou aumento de prêmio de risco afeta a percepção sobre crescimento de crédito e rentabilidade futura".
Vivo e Petrobras avançam
Na ponta oposta, a Marfrig (MRFG3) liderou os ganhos, com alta de 3,88%. A Telefônica Brasil (VIVT3) subiu 3,27%, após divulgar resultados do quarto trimestre de 2025 antes da abertura do mercado. A companhia registrou lucro líquido de R$ 6,2 bilhões em 2025, alta de 11,2% em relação a 2024, e de R$ 1,9 bilhão no quarto trimestre, avanço de 6,5% na comparação anual.
Para Barros, o avanço da Telefônica reflete a busca por ativos mais defensivos em dias de maior volatilidade.
"É uma empresa com previsibilidade de geração de caixa e perfil mais resiliente, o que atrai o investidor institucional em momentos de maior volatilidade. Esse fluxo acaba reforçando a rotação para papéis com essas características", afirmou.
As preferenciais da Raízen (RAIZ4) avançaram 1,67%, após sequência de quedas recentes. Na avaliação de Boragini, o papel estava sobrevendido e reagiu a um ajuste técnico, além de se beneficiar de perspectivas melhores para commodities e energia. "É um ativo que vinha bastante pressionado e responde muito a movimentos de commodities e à percepção de desalavancagem", disse ele.
As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) também fecharam no azul e ajudaram a evitar uma queda ainda maior do índice.
"A Bolsa vem de altas fortes e recordes recentes. O mercado está esticado. Não vai subir para sempre, assim como não vai cair para sempre. Em momentos de ruído externo, é natural haver redução de risco e realização de lucros", finalizou Boragini.
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