Ibovespa recua mais de 2% e tem maior baixa diária em quase dois meses

Por Rebecca Crepaldi 7 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa recua mais de 2% e tem maior baixa diária em quase dois meses

O Ibovespa fechou a sessão desta quinta-feira, 7, em forte queda de 2,38% aos 183.218 pontos, a maior baixa diária em quase dois meses. A última vez que o principal índice acionário da B3 teve um recuo desse patamar foi no dia 12 de março, quando fechou com desvalorização de 2,55%. O dólar fechou estável, com alta de 0,05% a R$ 4,923.

O grande protagonista do dia foi o petróleo, que recuou para próximo da casa dos US$ 90, com novos desdobramentos da Guerra no Irã. Tal movimento puxou as petroquímicas para baixo, incluindo Petrobras (PETR4; PETR3), com grande peso no índice, que recuou 2,22% e 1,88% respectivamente.

O que acontece é que o governo iraniano avalia uma proposta estadunidense para encerrar formalmente a guerra. O presidente dos EUA, Donald Trump, espera um desfecho rápido para o conflito, disse a Reuters.

O republicano relatou, em uma rede social, que a operação militar dos EUA contra o Irã, chamada "Operation Epic Fury", poderia finalizar caso Teerã aceitasse os termos negociados. O acordo levaria a uma abertura completa do Estreito de Ormuz, inclusive para o Irã, disse Trump.

A rota é estratégica para o transporte global de petróleo, responsável por 20%-25% de todo o escoamento do planeta, o que evidencia o grande impacto se houver normalização da oferta de energia por lá.

Bradesco puxou financeiras para baixo

Das 79 empresas que fazem parte do Ibovespa, 65 apresentaram baixa hoje. Um dos destaques foi Bradesco (BBDC4), que recuou 3,89%, puxando as financeiras para baixo.

“Apesar de operar com o mesmo sinal do exterior, podemos dizer que o desempenho da bolsa brasileira hoje está mais ligado a eventos corporativos domésticos e ao impacto da queda do petróleo nos preços das ações do setor”, diz Bruno Perri, economista-chefe, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Forum Investimentos.

Apesar do Bradesco ter registrado lucro líquido recorrente de R$ 6,81 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 16,1% sobre o mesmo período do ano anterior — sendo o nono trimestre seguido de crescimento —, alguns pontos preocupam o mercado.

Para o Safra, o principal ponto negativo do resultado do Bradesco foi o aumento das provisões para perdas com crédito. O custo do risco subiu 0,20 ponto percentual no trimestre, fazendo com que as perdas esperadas com inadimplência ficassem 6% acima do previsto pelo banco. Com isso, o desempenho mais forte da receita com juros acabou sendo neutralizado.

Segundo o Safra, as provisões no segmento de grandes empresas cresceram cerca de R$ 600 milhões, possivelmente por causa de um caso específico envolvendo um cliente corporativo. Na avaliação do banco, o Bradesco está adotando uma postura mais cautelosa diante de um cenário macroeconômico mais desafiador, reforçando a proteção contra uma possível piora na qualidade da carteira de crédito.

Embora essa postura mais conservadora seja vista como positiva por aumentar a segurança do balanço, ela também pode indicar que as projeções do mercado para o lucro de 2026 — entre R$ 27,5 bilhões e R$ 28 bilhões — ainda estejam relativamente otimistas e talvez não passem por revisões relevantes.

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