Ibovespa registra quinta maior alta diária desde 2021

Por Clara Assunção 24 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa registra quinta maior alta diária desde 2021

Ao fechar as negociações nesta segunda-feira, 23, em forte alta de 3,24%, o Ibovespa registrou a quinta maior alta diária desde 1° de janeiro de 2021, de acordo com levantamento da Elos Ayta. O principal índice acionário, que vinha há quatro semanas acumulando queda após o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, voltou a subir e emplacou os 181.931 pontos.

A forte alta desta segunda é a segunda no ano e ficou pouco atrás do avanço registrado no dia 21 de janeiro, quando o Ibovespa subiu 3,33%, a quarta maior valorização em quatro anos.

Antes disso, o Ibovespa chegou a subir mais de 3,66%, em 2 de dezembro de 2021; registrou alta de 4,29%, em 11 de abril de 2023 e chegou a avabçar 5,54% em 3 de outubro de 2022, a maior variação positiva em um único pregão no período.

A virada de humor do mercado ocorreu após Trump afirmar que teve "conversas muito boas e produtivas" com o Irã e anunciar o adiamento, por cinco dias, de eventuais ataques a instalações energéticas iranianas. A sinalização foi interpretada como uma tentativa de abertura diplomática ou, ao menos, de redução do risco imediato de escalada, segundo operadores ouvidos pela EXAME.

Apesar disso, autoridades iranianas negaram qualquer negociação em curso. Agências estatais como Fars, Tasnim e Irna afirmaram, com base em fontes do governo, que não há diálogo com Washington e classificaram as declarações como tentativa de influenciar os preços do petróleo e dos mercados. Ainda assim, prevaleceu a leitura de alívio entre os investidores.

Segundo a consultoria, o movimento de alta nesta segunda reforça que as altas expressivas são raras e concentradas em momentos de inflexão, geralmente associadas a mudanças relevantes no cenário macroeconômico e no apetite global por risco.

A maior alta entre as cinco, em outubro de 2022, aconteceu em reação ao resultado do primeiro turno das eleições, reduzindo incertezas extremas; já na alta de abril houve uma melhora da percepção fiscal doméstica combinada a alívio externo; enquanto que, em 2021, o mercado fez uma recuperação global após choque inicial de aversão ao risco.

Nas altas de 2026 pesou a reprecificação de política monetária global e nesta segunda a reversão de aversão ao risco e recomposição de fluxo para emergentes.

"O pregão de 23 de março de 2026 se posiciona entre os eventos estatisticamente mais relevantes do mercado brasileiro recente, reforçando a dinâmica de que grandes altas ocorrem em momentos de reversão de risco e reequilíbrio de expectativas", aponta a Elos Ayta.

"Para o investidor, o episódio evidencia a importância de acompanhar não apenas fundamentos, mas também os vetores de fluxo e percepção global, que frequentemente antecipam movimentos mais amplos", acrescenta a consultoria.

Por que o Ibovespa avançou tanto nesta sgeunda?

De acordo Luis Fonseca, sócio-gestor da Nest Asset, o mercado reagiu principalmente à redução do risco de um choque mais severo no petróleo — um dos principais temores globais.

"A declaração de Trump de que houve progresso nas negociações e de que ataques seriam adiados por cinco dias levou a um movimento bastante positivo nos mercados de risco em geral, ao afastar a possibilidade de acirramento imediato do conflito", afirma.

Fonseca destaca que o mercado é historicamente sensível a choques no preço da commodity, pelo impacto potencial sobre crescimento e inflação. "O temor do mercado vem exatamente do cenário atual estar mais perto do que aconteceu nos anos 70", diz.

O gestor também pondera que, neste momento, o peso das ações supera o das falas. "As atitudes contam mais do que as declarações, e, nesse caso, independentemente do que está sendo dito, o fato é que um eventual acirramento do conflito foi adiado".

Na mesma linha, Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, avalia que o movimento desta segunda reflete muito mais um ajuste tático do que uma mudança estrutural de cenário. "A reação parece muito mais um alívio tático de curto prazo do que uma convicção real de desescalada", afirma.

Segundo Belitardo, o mercado não passou a acreditar que o conflito acabou, apenas reduziu a probabilidade do pior cenário no curtíssimo prazo. "O que ele está dizendo é: 'o pior cenário para as próximas horas ficou menos provável'. Isso é bem diferente de acreditar numa desescalada consolidada", diz.

O gestor também chama atenção para o fato de os ativos terem subido mesmo diante da negativa do Irã. Para ele, isso revela uma disposição dos investidores de reagir rapidamente a qualquer sinal vindo dos EUA que reduza o risco imediato. "O mercado não precisou acreditar totalmente numa negociação, bastou acreditar que o próximo passo poderia ser menos agressivo do que se temia horas antes".

Ele acrescenta que esse comportamento também está ligado ao padrão já observado em relação a Trump. "Parte do mercado acredita menos na diplomacia em si e mais na função de reação política de Washington diante do estresse dos ativos".

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