Ibovespa salta mais de 3% com 'trégua' de Trump em conflito com Irã
O Ibovespa ampliou os ganhos nas negociações desta segunda-feira, 23, refletindo um movimento de alívio nos mercados globais em meio à redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Por volta das 11h20, o principal índice acionário da B3 subia 3,26%, aos 181.943 pontos, depois de na primeira hora ter avançado mais de 2%. Os ganhos permanecem disseminados entre os ativos. Dos 82 papéis que compõem o índice, 76 operavam em alta no mesmo horário.
Entre os destaques positivos, as ações de Vamos (VAMO3) lideravam os ganhos, com alta de 8,46%. Na sequência, papéis de empresas como Hapvida, CSN, Localiza, MRV e Cyrela avançavam acima de 6%.
Mesmo com a queda de algumas ações ligadas a commodities, o índice era sustentado pelo desempenho das chamadas blue chips. Papéis de peso, como Vale (VALE3) e grandes bancos, operavam em alta, contribuindo para o avanço do Ibovespa.
O principal fator por trás do movimento é a mudança de postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que decidiu adiar o ultimato dado ao Irã, reduzindo temporariamente o risco de uma escalada mais agressiva do conflito.
O republicano publicou que o governo americano e o Irã tiveram "conversas muito boas e produtivas" nos últimos dias para concluir o conflito.
"Com base no teor e no tom dessas conversas aprofundadas, detalhadas e construtivas, que continuarão ao longo da semana, instruí o Departamento de Guerra a adiar todos e quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iranianas por um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em andamento", afirmou Trump em sua rede social, a Truth Social.
Petroléo recua e petroleiras cedem
A decisão reforçou no mercado a máxima conhecida como "Trump Always Chickens Out", expressão popularizada em Wall Street para descrever momentos em que o presidente recua de ameaças mais duras. O adiamento foi interpretado como um sinal de abertura para negociações diplomáticas, o que trouxe alívio imediato aos ativos globais.
Como reflexo direto, os preços do petróleo registraram forte queda. A referência internacional Brent crude oil despencou mais de 14%, sendo negociada abaixo de US$ 100 o barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) acompanhou o movimento. Às 11h21, a commodity mantinha o recuo, com o Brent a US$ 100,55 e o WIT em R$ 88,78.
As petroleiras brasileiras recuavam acompanhando a queda dos preços internacionais do petróleo. A Prio (PRIO3) liderava as perdas, com queda superior a 3%, com Petrobras (PETR3 e PETR4) também operando em baixa, com ligeiro recuo de 0,16% e 0,11%, respectivamente,
Para Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, a mudança de tom por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ajudou a trazer alívio aos mercados.
“A recente declaração do Trump, mencionando que não deseja novos ataques à infraestrutura energética do Irã, trouxe certo alívio inicial aos mercados, sinalizando uma possível desescalada no conflito, condicionada ao comportamento iraniano no Estreito de Ormuz", disse Araújo.
"Isso ajudou a conter a disparada do petróleo, que vinha pressionando bolsas globais e o Ibovespa em sessões recentes. Nesse momento, há uma diminuição no sentimento de risco e redução nos temores de interrupção na oferta de energia, e o mercado tende a digerir essa nova informação com menos volatilidade", afirmou.
Queda na Ásia, virada na Europa e forte avanço nos EUA
As declarações de Trump foram feitas após o fechamento das bolsas na Ásia, onde os principais índices acionários despencaram diante das trocas de ameaças entre os EUA e o Irã no final de semana.
O índice Nikkei 225, do Japão, fechou em queda de 3,48%, elevando as perdas em março para mais de 12%, e o índice Kospi, de Seul, caiu 6,49%, acumulando baixa de 13% no mês. Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 3,54%, o pior desempenho em quase um ano e, na China continental, o índice Xangai Composto teve baixa de 3,65%, seu pior dia desde abril de 2025.
Mais cedo, as bolsas europeias também operavam em forte queda, mas viraram para alta com Trump adiando o ultimato. O índice Stroxx 600 avançava 1,56%, enquanto a Bolsa de Londres (FTSE) subia 0,59%, Paris (CAC) avançava 1,70% e a de Frankfurt (DAX) subia 2,29%.
Os principais índices dos Estados Unidos também avançavam com Dow Jones subindo 2,25%; S&P registrava 2,15% de ganho e o Nasdaq subia 2,43% por volta das 11h20.
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