Ibovespa sobe mais de 2% e dólar cai para R$ 5,18 com aceno de Trump para fim da Guerra

Por Clara Assunção 31 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa sobe mais de 2% e dólar cai para R$ 5,18 com aceno de Trump para fim da Guerra

O Ibovespa mantém a forte alta na tarde desta terça-feira, 31, enquanto o dólar amplia a queda frente ao real, em meio a um ambiente externo mais favorável e ajustes de fim de mês. Às 14h47, o principal índice da B3 subia 2,45%, aos 186.983 pontos, enquanto o dólar à vista recuava 1,16%, cotado a R$ 5,187.

A sessão tende a ser mais volátil no mercado doméstico por conta da formação da Ptax de fim de mês, taxa de referência usada em contratos cambiais. Além disso, março caminha para interromper uma sequência de oito meses consecutivos de alta do Ibovespa, o que também pode influenciar ajustes de posição por parte dos investidores.

As blue chips dão impulso ao Ibovespa, como Vale (VALE3), que sobe 3,72%, enquanto as ações de grandes bancos avançam em bloco, com destaque para as units do BTG (BPAC11), que sobem quase 6%. As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4), também de peso no índice, viraram para queda, apesar da alta de 5% do petróleo do tipo Brent e da queda de cerca de 2% do WIT.

Irã ameaça atacar Big Techs e empresas dos EUA

Nesta tarde, porém, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que atingirá as chamadas big techs e outras empresas dos Estados Unidos que operam na região do Golfo a partir desta quarta, 1º de abril. Os ataques foram anunciados como uma forma de retaliação, segundo a agência semioficial iraniana, Tasnim News Agency.

Entre as 18 empresas apontadas estão Microsoft, Google, Apple, Intel, IBM, Tesla, Boeing, Nvidia e Oracle.

"Essas empresas devem esperar a destruição de suas respectivas unidades em troca de cada ato terrorista no Irã, a partir das 20h, horário de Teerã, na quarta-feira, 1º de abril", disse a declaração da Guarda Revolucionária do Irã.

Disposição de Trump em encerrar operações militares anima mercados

Ainda assim, os investidores mantêm noa radar certa percepção de menor risco geopolítico, que contribui para o apetite por ativos de risco, mesmo em meio às incertezas.

O mercado repercute a reportagem do The Wall Street Journal indicando que o presidente Donald Trump teria sinalizado a assessores disposição para interromper as operações militares, mesmo com o Estreito de Ormuz ainda fechado, uma rota estratégica por onde passa cerca de 20% da produção global de petróleo. A avaliação seria de que forçar a reabertura poderia prolongar o conflito.

Em paralelo, o secretário de Estado Marco Rubio apresentou, no âmbito do G7, uma proposta para que o Estreito seja administrado por uma coalizão multinacional.

Do lado iraniano, o Ministério das Relações Exteriores reiterou que não houve negociações diretas com os Estados Unidos ao longo dos 31 dias de conflito, afirmando que eventuais contatos ocorreram por meio de intermediários. Autoridades americanas, por sua vez, indicam incertezas sobre a capacidade decisória dos interlocutores iranianos.

No campo operacional, a União Europeia anunciou a ampliação de suas operações navais no Mar Vermelho e no oeste do Oceano Índico, embora sem engajamento direto, até o momento, em missões de proteção ao fluxo energético via Ormuz.

O cenário externo, portanto, segue sendo o principal vetor para os mercados globais nesta sessão, com investidores atentos a qualquer sinal mais concreto de redução das tensões.

Àsia fecha em queda, mas Europa e EUA avançam

Antes das informações de que Trump estaria disposto a encerrar as operações militares no Irã, as bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em queda, sobretudo Japão e Coreia do Sul, mais expostos ao choque de energia e ao risco de abastecimento via Estreito de Ormuz, com a pressão da guerra no Irã, que entrou na quinta semana.

Liderando as perdas na Ásia pelo segundo pregão consecutivo, o índice sul-coreano Kospi tombou 4,26% em Seul, enquanto o japonês Nikkei caiu 1,58% no Japão, e o Taiex cedeu 2,45%, em Taiwan. Ao longo de março, o Kospi acumulou perdas de 19,1% e o Nikkei, de 13,2%, em meio a esse primeiro mês da guerra.

Na China continental, o Xangai Composto recuou 0,80%, e o menos abrangente Shenzhen Composto teve queda de 1,71%.A exceção foi o índice Hang Seng, de Hong Kong, que garantiu modesta alta de 0,15%.

"Na Europa e nos futuros de Nova York, porém, o tom virou para positivo após reportagem do Wall Street Journal indicar que Donald Trump estaria disposto a encerrar as operações militares mesmo sem a reabertura imediata de Ormuz. O mercado leu a sinalização como um possível início de desescalada, reduzindo o prêmio de risco global, derrubando yields", disse o analista Eduardo Marzbanian em relatório da Eleven Financal.

O índice DXY permanece ao redor de 100, enquanto o rendimento dos Treasuries de 10 anos recua para próximo de 4,33%.

Entre as bolsas europeias, o índice pan-europeu Stoxx 600 subiu 0,41%, mas acumula em março perdas que poderão ser as maiores desde meados de 2022, segundo a CNBC, interrompendo uma sequência de oito meses positivos, de acordo com a Reuters.

A Bolsa de Londres (FSTE) subiu 0,48%, a de Paris (CAC) avançou 0,57% e a de Frankfurt (DAX) ganhou 0,52%. A de Milão (FSTE MIB) registrou alta de 1,11%.

Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones avança 2,01%, o S&P sobe 2,32% e o Nasdaq registra alta de 3,23%.

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