Ibovespa sobe menos que NY mas garante os 187 mil pontos; dólar cai para R$ 5,15
O dólar à vista voltou a cair diante do real nesta quarta-feira, 1º, acompanhando o enfraquecimento da moeda americana no exterior, em meio à expectativa de um possível cessar-fogo na guerra contra o Irã. A divisa encerrou o dia em baixa de 0,43%, cotada a R$ 5,157, após oscilar entre R$ 5,1481 e R$ 5,177. No exterior, o índice DXY recuava 0,29%, aos 99,60 pontos no fim da tarde.
Na bolsa, o Ibovespa oscilou entre estabilidade e leves ganhos ao longo do pregão, refletindo a cautela dos investidores diante de sinais ainda contraditórios no cenário externo. Ao fim do dia, o principal índice acionário da B3 fechou em alta de 0,26%, aos 187.952 pontos, após variar entre 187.255, na mínima, e 189.130 pontos, na máxima.
O desempenho foi sustentado, em parte, pelo avanço das bolsas internacionais. Na Europa, o índice Stoxx 600 subiu 2,5%, enquanto o FTSE 100, de Londres, avançou 1,9%. O DAX, de Frankfurt, teve alta de 2,7%, e o CAC 40, de Paris, ganhou 2,1%, impulsionados pela melhora do humor global diante de sinais de arrefecimento do conflito no Oriente Médio.
Nos Estados Unidos, os principais índices também fecharam no positivo, ainda que abaixo das máximas do dia. O Dow Jones avançou 0,48%, aos 46.565,37 pontos, o S&P 500 subiu 0,72%, aos 6.575,32 pontos, e o Nasdaq ganhou 1,16%, aos 21.840,95 pontos, com destaque para o setor de tecnologia.
Parte dos ganhos moderados é aponta pela cautela dos investidores, que estão à espera de um pronunciamento do presidente Donald Trump, previsto para a noite, enquanto monitoraram declarações do governo iraniano.
Em carta ao povo americano, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não nutre hostilidade contra outras nações e reforçou que buscou cumprir compromissos firmados com os Estados Unidos. No campo doméstico, o Banco Central informou entrada líquida de US$ 1,597 bilhão no fluxo cambial na semana passada.
Petrobras cai mais de 3%
No mercado doméstico, as ações da Petrobras figuraram entre as principais pressões negativas do Ibovespa. Os papéis preferenciais (PETR4) recuaram 3,47%, enquanto os ordinários (PETR3) caíram 4,69%.
Apesar de a estatal ter elevado o preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) em cerca de 55% para as distribuidoras em abril, segundo informações da agência Reuters, numa medida bem vista pelo mercado, os papéis da companhia são pressionados pela baixa dos preços do petróleo no mercado internacional.
O barril do petróleo tipo Brent recuou 2,70%, para US$ 101,16. Já o petróleo WTI cedeu 1,24%, a US$ 100,12 por barril.
Por outro lado, ações ligadas a commodities metálicas e ao setor financeiro ajudaram a sustentar o Ibovespa. Os papéis da Vale fecharam em alta de 0,56%, enquanto os grandes bancos encerraram o dia com ganhos, contribuindo para o desempenho positivo do índice, principalmente o BTG (BPAC11), que subiu quase 4%.
Incertezas pesam e deixam investidores cautelosos
Para Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, o mercado opera em compasso de espera diante das incertezas geopolíticas.
"Tanto o Ibovespa quanto o dólar estão próximos da estabilidade. O mercado ainda aguarda ansiosamente mais desdobramentos da situação do Irã como um todo. Temos muita incerteza e informações cruzadas. Ontem, houve uma alta forte com a expectativa de uma possível solução, mas ainda nada está confirmado", afirma.
Segundo ele, a atenção dos investidores se volta agora para um novo pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previsto para esta noite. "Os Estados Unidos têm esse costume de atualizar a população sobre esse tipo de conflito, e o mercado deve reagir a isso já amanhã. Por ora, os investidores seguem cautelosos", completa.
33° dia da guerra no Irã
O conflito no Oriente Médio chegou ao 33º dia com novos ataques em diferentes frentes, incluindo bombardeios de Israel contra Teerã e retaliações iranianas com mísseis. A guerra também se espalha pela região, com ações de grupos aliados de Teerã, como os rebeldes huthis no Iêmen.
Ainda assim, o mercado tem reagido a sinais de trégua. O petróleo recuou, com o barril do Brent voltando para abaixo de US$ 100, após semanas de forte volatilidade causadas, principalmente, pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.
No radar dos investidores também estão novas declarações de Trump, que afirmou que os Estados Unidos podem deixar o conflito em até duas ou três semanas e disse que o novo líder iraniano teria solicitado um cessar-fogo, informação que não pôde ser confirmada de forma independente.
O republicano também condicionou qualquer acordo à reabertura do Estreito de Ormuz e deve fazer um pronunciamento ainda hoje com atualizações sobre a guerra.
No mês de março, marcado pela volatilidade provocada pelo início da guerra, o Ibovespa acumulou leve queda de 0,70%, interrompendo uma sequência de sete meses consecutivos de alta. Ainda assim, no acumulado de 2026, o índice mantém valorização expressiva de 16,35%.
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