Ibovespa sobe quase 2% com alívio na guerra; construtoras disparam
O Ibovespa mantém o movimento de forte alta que abriu o dia na tarde desta quarta-feira, 25, acompanhando o desempenho positivo das bolsas globais em meio ao noticiário sobre a guerra no Irã. Às 15h27, o principal índice acionário da B3 avançava 1,89%, aos 185.938 pontos, caminhando para o terceiro dia consecutivo de ganhos, mesmo em um ambiente ainda marcado por volatilidade.
No mesmo horário, o dólar também ampliava a queda frente ao real, caindo 0,93%, cotado a R$ 5,206, refletindo a melhora no apetite por risco no cenário internacional.
O principal fator por trás do otimismo global são as expectativas de uma possível redução das tensões no Oriente Médio.
Apesar de autoridades iranianas negarem negociações diretas com os Estados Unidos, a divulgação de um plano de paz com 15 pontos pela imprensa americana ajudou a sustentar o bom humor dos mercados, ao reduzir a demanda por ativos considerados mais seguros, como o dólar.
Segundo autoridades ouvidas pelo The New York Times, a proposta foi enviada ao Irã por meio do Paquistão e inclui temas centrais como o programa nuclear iraniano, o desenvolvimento de mísseis balísticos e a segurança de rotas marítimas estratégicas.
Entre os pontos abordados está o Estreito de Ormuz, que vem sendo bloqueado pelo Irã desde o início da guerra, afetando o fluxo global de petróleo e gás e pressionando os preços internacionais.
O embaixador iraniano no Paquistão, Reza Amiri Moghadam, negou, contudo, qualquer negociação com os Estados Unidos, afirmando que não há conversas “diretas nem indiretas” em andamento, em contraste com declarações do presidente Donald Trump sobre avanços diplomáticos.
O principal interlocutor das conversas é o chefe do Exército paquistanês, Syed Asim Munir, que mantém canais com autoridades iranianas. Países como Egito e Turquia também têm incentivado o diálogo, enquanto o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que o país está disposto a sediar negociações entre Washington e Teerã.
Mesmo com as movimentações diplomáticas, os confrontos seguem intensos desde 28 de fevereiro. A Guarda Revolucionária iraniana anunciou novos ataques contra regiões de Israel, incluindo áreas próximas a Tel Aviv, além de bases militares americanas no Golfo.
Bolsas globais avançam
No exterior, o movimento de alta é generalizado. As bolsas asiáticas fecharam em alta, impulsionadas pela queda de cerca de 5% do petróleo, o que tende a aliviar pressões inflacionárias e reduzir o risco de aperto monetário mais agressivo, especialmente em economias importadoras de energia.
O índice Nikkei, do Japão, subiu 2,87%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 1,59%. Em Hong Kong, o Hang Seng ganhou 1,09%, e, na China, os índices de Xangai e Shenzhen subiram 1,30% e 1,95%, respectivamente. Em Taiwan, o Taiex avançou 2,54%.
Na Europa, as bolsas também fecharam em forte alta. O índice pan-europeu Stoxx 600 subiu 1,42%, mesmo patamar de alta que encerrou a Bolsa de Londres. Já o CAC, índice de Paris, ganhou 1,33%. A bolsa de Frankfurt (DAX) também subiu 1,41% e Milão (FTSE MIB) registrou alta de 1,48%.
O alívio se estende aos Estados Unidos, onde os índices futuros também operam em forte alta. O Dow Jones avança 0,81%, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq sobem 0,74% e 0,96%, respectivamente.
No Brasil, construtoras lideram
As ações das construtoras estão entre as maiores altas do pregão desta quarta, embaladas por expectativas mais favoráveis para a demanda habitacional. A MRV (MRVE3) avançava 7,49%, enquanto a Cyrela (CYRE3) subia 5,97% e Cury (CURY3) ganhava 3,54%, refletindo o otimismo do mercado com novas medidas de estímulo ao setor.
Na avaliação do BB-BI, as mudanças no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) devem impulsionar as vendas das incorporadoras mais expostas ao segmento de baixa renda, como Cury, MRV, Direcional e Tenda.
O banco estima que cerca de 87,5 mil famílias serão beneficiadas com condições mais favoráveis, o que tende a destravar a demanda e melhorar a velocidade de vendas. Na mesma linha, o Citi avalia que as medidas trazem suporte incremental ao setor e aumentam a visibilidade das receitas, com destaque para a Cury, apontada como principal beneficiária devido à sua forte atuação nas faixas 3 e 4.
O Banco Safra também reforça a leitura positiva, destacando a aprovação de uma nova rodada de incentivos ao MCMV pelo FGTS, com aumento dos subsídios, expansão do orçamento em cerca de R$ 3,6 bilhões e maior flexibilidade no uso de recursos.
Apesar do cenário construtivo, o setor ainda monitora riscos regulatórios, como as novas restrições ligadas à expansão do Campo de Marte, em São Paulo, que têm travado aprovações de projetos imobiliários em um raio de até 20 quilômetros, impondo limites de altura e exigências adicionais de licenciamento.
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