Ibovespa tem pior semana em quase 4 anos e recua 5%

Por Clara Assunção 7 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa tem pior semana em quase 4 anos e recua 5%

Depois de renovar duas vezes o maior nível da história nos dois primeiros meses do ano, o Ibovespa teve uma semana de forte correção. Entre os dias 2 e 6 de março, o principal índice acionário da B3 acumulou queda de 4,99%, no pior desempenho semanal desde junho de 2022.

A última vez em que o índice registrou perdas mais intensas em uma semana foi no período encerrado em 12 de junho de 2022, quando recuou 5,36%. Na semana anterior àquela, fechada em 5 de junho de 2022, o índice também havia registrado queda expressiva, de 5,06%.

Nesta sexta-feira, 6, o Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,61%, aos 179.364,82 pontos, após oscilar entre a mínima de 178.556,49 e a máxima de 181.091,01. O volume financeiro somou R$ 32,5 bilhões.

Com o desempenho da semana, o índice também reduziu parte do forte ganho acumulado no ano. A valorização, que até a última sexta-feira, 27, estava em 17,17%, recuou para 11,32%.

Aversão ao risco pesou sobre o Ibovespa

O movimento foi influenciado principalmente pelo aumento da aversão ao risco no cenário internacional, provocado pela escalada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.

A crise teve início no último sábado, 28, quando ataques iniciais mataram o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, além de integrantes da cúpula militar do país. Nesta sexta-feira, o conflito chegou ao sétimo dia e segue no centro das atenções dos mercados globais.

A tensão geopolítica tem impulsionado os preços do petróleo e elevado as preocupações com o impacto sobre a inflação e o crescimento econômico global. Os contratos da commodity voltaram a disparar nesta sexta-feira.

No fechamento, o petróleo Brent, referência global, subiu 8,52%, a US$ 92,69 por barril, enquanto o WTI, referência nos Estados Unidos, avançou 12,20%, a US$ 90,90. No acumulado da semana, os ganhos são ainda mais expressivos: 27,78% para o Brent e 35,63% para o WTI.

A escalada tem por trás o fluxo marítimo pelo Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo transportado no mundo. Segundo relatos do mercado, o tráfego de navios petroleiros na região foi praticamente interrompido.

Em meio às incertezas, o ministro da Energia do Catar, Saad al-Kaabi, afirmou em entrevista ao Financial Times que o barril de petróleo pode chegar a US$ 150 caso a interrupção no transporte se prolongue.

Petroleiras sobem e Vale recua

A disparada da commodity beneficiou as petroleiras listadas na B3. As ações da Brava Energia (BRAV3) lideraram os ganhos do Ibovespa, com alta de 4,61%, a R$ 19,73, seguidas por Prio (PRIO3), que avançou 4,27%, a R$ 59,39, e Petrobras (PETR4), que também registrou valorização superior a 4%.

Os investidores também reagiram aos resultados financeiros do quarto trimestre e ao consolidado de 2025 da Petrobras, divulgados na quinta-feira, 5, após o fechamento do mercado. Entre outubro e dezembro do ano passado, a estatal registrou lucro líquido atribuível aos acionistas de R$ 15,6 bilhões, revertendo o prejuízo de R$ 17 bilhões registrado no mesmo período de 2024.

Outras blue chips, no entanto, pressionaram o índice. A Vale (VALE3) caiu 2,99%, a R$ 78,86, mesmo com a alta de 1,38% no preço do minério de ferro. No setor financeiro, Santander Brasil (SANB11) recuou 2,51%, a R$ 31,52; BTG Pactual (BPAC11) caiu 2,01%, a R$ 56,00; Bradesco (BBDC4) perdeu 1,41%, a R$ 19,55; e Itaú Unibanco (ITUB4) recuou 1,33%, a R$ 42,93.

Na ponta negativa do índice, a maior queda foi de Embraer (EMBR3), que tombou 8,05%, a R$ 80,14, após a divulgação do balanço trimestral dividir opiniões entre analistas. Em seguida apareceram Vamos (VAMO3), com recuo de 7,24%, a R$ 3,97, e Raízen (RAIZ4), que caiu 6,78%, a R$ 0,55.

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