Ibovespa tem primeira alta semanal em março, mas recua 0,6% no dia

Por Clara Assunção 28 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa tem primeira alta semanal em março, mas recua 0,6% no dia

O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira, 27, em queda de 0,64%, aos 181.556,76 pontos, perdendo o patamar dos 182 mil pontos em meio à piora da percepção de risco no cenário internacional. O giro financeiro somou R$ 26,3 bilhões.

Apesar do recuo no dia, o segundo consecutivo, o índice acumulou alta de 3,03% na semana, a primeira semana do mês de março em que apresentou avanço.

Após iniciar a sessão no campo negativo, o índice chegou a ensaiar uma recuperação no fim da manhã, apoiado por um fluxo externo mais favorável a economias emergentes potencialmente menos expostas aos efeitos da guerra. O movimento, porém, perdeu força ao longo da tarde, à medida que aumentaram as dúvidas sobre a sustentação de um cessar-fogo no Oriente Médio.

A percepção de uma "fragilidade" nas negociações, somada a declarações de autoridades dos Estados Unidos e do Irã, intensificou a aversão ao risco.

"Isso tem acontecido muito devido à guerra, que acaba gerando incerteza, e com isso saindo capital da nossa bolsa, seja do gringo, seja do próprio brasileiro institucional aqui que acaba tirando um pouco de capital da bolsa e direciona um pouco mais para renda fixa até que o cenário se torne um pouco mais claro, mais tranquilo e previsível pela frente com relação a essa parte", afirmou Danilo Coelho, economista, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela B7 Business School.

A guerra no Irã completa um mês neste sábado, 28, e investidores temem novos ataques americanos mesmo em meio a uma tentativa de negociação de paz.

A queda nesta sexta foi disseminada. Dos 82 papéis do índice, apenas 8 fecharam em alta, enquanto 62 recuaram.

Entre os destaques positivos, a Marfrig (MRFG3) liderou os ganhos, com alta de 6,07%, seguida por Assaí (ASAI3), que subiu 5,85%, e pela Prio (PRIO3), com avanço de 3,00% após anunciar a abertura do segundo poço produtor no campo de Wahoo.

A Petrobras (PETR3; PETR4) também avançou, acompanhando a disparada do petróleo no mercado internacional. Já a Vale (VALE3) terminou praticamente estável, com leve alta de 0,11%, contrariando a queda do minério de ferro no exterior.

Já os bancos pesaram negativamente sobre o índice, com recuos de BTG Pactual (BPAC11), de 3,03%; Banco do Brasil (BBAS3), de 1,73%; Bradesco (BBDC4), de 1,59%; e Itaú Unibanco (ITUB4), de 1,17%.

Na ponta negativa, a Braskem (BRKM5) liderou as perdas do dia, com queda de 10,84%, após a divulgação de seu balanço trimestral. As ações da Cyrela também figuraram entre as maiores baixas, com recuos de 6,56% (CYRE3) e 5,54% (CYRE3 .

Petróleo, tensão no Irã e desemprego no Brasil

A alta dos preços do petróleo segue influenciando o humor dos investidores nesta sessão, mantendo um viés mais cauteloso nos mercados globais e pressionando ativos de risco, como ações.

Apesar de sinais pontuais de trégua no conflito envolvendo Estados Unidos e Irã que completa um mês neste sábado, 28, o mercado ainda avalia que um eventual acordo de cessar-fogo envolve custos elevados e desafios políticos relevantes, o que reduz as chances de uma resolução rápida.

Com a proximidade do fim de semana, cresce também a tendência de redução de exposição ao risco, diante do receio de novos desdobramentos no cenário geopolítico.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou na sexta-feira que os Estados Unidos esperam concluir sua operação no Irã “nas próximas duas semanas, não meses”, após se reunir com os ministros das Relações Exteriores do G7 na França.

Segundo Rubio, o presidente Donald Trump acompanha o desenrolar do conflito, independentemente se decidir enviar tropas terrestres ao Oriente Médio. "Quando terminarmos com eles aqui, nas próximas duas semanas, eles estarão mais fracos do que jamais estiveram na história recente", disse Rubio a repórteres em Paris.

No cenário doméstico, os investidores repercutem a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizada pelo IBGE, que apontou uma taxa de desemprego em 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, acima da projeção do mercado e superior ao resultado anterior de 5,4% no trimestre encerrado em janeiro.

Na mesma direção, a taxa de subutilização avançou de 13,8% para 14,1%, enquanto a população desocupada aumentou de 5,9 milhões para 6,2 milhões. Já a população ocupada recuou de 102,7 milhões para 102,1 milhões, levando o nível de ocupação de 58,7% para 58,4%.

Para Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, o dado indica uma acomodação do mercado de trabalho após um período de desempenho mais robusto.

"Sem, por ora, caracterizar uma mudança de tendência mais estrutural, com a continuidade do avanço da renda reforçando que o mercado ainda preserva elementos de sustentação. Assim, seguimos avaliando o quadro como compatível com um processo gradual de normalização, cuja atualização do modelo com o dado divulgado nos mostra uma continuidade de mesmo patamar para a próxima leitura da PNAD, com menor impacto sazonal", afirmou.

O cenário também é descrito como complexo para a análise do Banco Central por Antonio Ricciardi, economista do Daycoval.

"Vale observar que os rendimentos seguem pressionados. Nos nossos estudos oito dos dez setores da atividade econômica permanecem com escassez de mão de obra. O que leva os rendimentos continuarem pressionados e a massa salarial permanecer em alta, o que é um problema para a condição da política monetária do Banco Central", disse.

Bolsas de NY acumulam perdas de mais de 10%

Em Nova York, o tom também foi de forte aversão ao risco. As principais bolsas americanas fecharam em queda acentuada, com os índices Nasdaq e Dow Jones entrando em território de correção — quando acumulam perdas superiores a 10% em relação às máximas recentes.

O movimento reflete a escalada das tensões no Oriente Médio, após novos ataques à infraestrutura petrolífera iraniana, apesar da trégua sinalizada pelos Estados Unidos. O Dow Jones caiu 1,72%, aos 45.167,44 pontos; o S&P 500 recuou 1,67%, aos 6.368,85 pontos; e o Nasdaq perdeu 2,15%, aos 20.948,36 pontos.

Na semana, os índices acumularam quedas de 0,90%, 2,12% e 3,23%, respectivamente.

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