Ibovespa vira e dólar estabiliza com negociações para reabrir Estreito de Ormuz

Por Clara Assunção 2 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa vira e dólar estabiliza com negociações para reabrir Estreito de Ormuz

Após abrir em forte queda, o Ibovespa se distanciou das mínimas e passou a rondar a estabilidade, com viés de alta, ao longo da manhã desta quinta-feira, 2. Às 12h12, o principal índice da B3 subia 0,38%, aos 188.670 pontos, bem acima da mínima do dia, de 185.213 pontos.

No mesmo horário, o dólar também registrava uma virada, saindo da alta para a estabilidade, com ligeira queda de 0,02%, cotado a R$ 5,156.

A recuperação da bolsa e o recuo do dólar ocorre após um início de pregão marcado por forte aversão ao risco, na esteira da piora do cenário externo. Nos primeiros minutos de negociação, o índice chegou a cair mais de 1%, pressionado principalmente pelo aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

O movimento de virada acompanha o desempenho das bolsas de Nova York, que também reduziram perdas ao longo da manhã. Após abrirem em queda superior a 1%, os principais índices americanos arrefeceram o movimento negativo. No mesmo horário, o Dow Jones operava praticamente estável, com leve recuo de 0,04%, enquanto o S&P 500 avançava 0,14% e o Nasdaq subia 0,08%.

"O que mudou o cenário foi a sinalização do Irã de que estuda, junto a Omã, um protocolo para retomar o tráfego no Estreito de Ormuz. Não seria uma reabertura total, mas permitiria a passagem de navios de países que não estão alinhados a Estados Unidos e Israel no conflito", afirmou Flávio Conde, analista da Levante Investimentos.

Além disso, agências também divulgaram que diplomatas de mais de 40 países estão realizando conversas sobre maneiras para reabrir o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa 20% do petróleo produzido no mundo.

Repercussão do discurso de Trump no mercado

O humor dos mercados segue influenciado pelo discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que na véspera afastou a possibilidade de um cessar-fogo no Oriente Médio e indicou uma possível intensificação dos ataques contra o Irã nas próximas semanas. A sinalização elevou as tensões geopolíticas e interrompeu o movimento recente de alívio nos mercados globais.

No mercado de commodities, o petróleo voltou a disparar diante do temor de restrições na oferta global. O Brent voltou a superar os US$ 107, com alta superior a 5%, enquanto o WTI avançava cerca de 9%, negociado acima dos US$ 109 por barril.

Com a alta da commodity, as ações de empresas do setor petroleiro lideram os ganhos do Ibovespa. A Petrobras (PETR3 e PETR4) sobe quase 3%. Por outro lado, empresas de peso como Vale e grandes bancos, operam todas em queda.

Em seu discurso, Trump afirmou que os Estados Unidos estão próximos de atingir seus objetivos militares, mas não descartou novas ofensivas. “Estamos no caminho para completar todos os objetivos militares da América rapidamente. Vamos atacá-los com dureza extrema. Nas próximas duas a três semanas, vamos levá-los de volta à Idade da Pedra”, disse.

O presidente também voltou a ameaçar as instalações energéticas do Irã caso não haja acordo, reforçando o tom agressivo da política externa americana. Apesar de projetar uma imagem de vitória, ele reconheceu que o país ainda mantém capacidade de resposta. O próprio comando do Irã já prometeu intensificar a ofensiva contra o país e Israel após o discurso de Trump.

"Avaliamos que o discurso foi pouco informativo sob a ótica de mercado, com forte viés voltado ao público doméstico e sem endereçar de forma clara os principais vetores de risco para os ativos globais", afirmou o economista-chefe do Banco Pine, Cristiano Oliveira, em relatório.

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