Ibovespa volta a operar em baixa com influência do exterior
O Ibovespa iniciou as negociações desta terça-feira, 24, em queda, após ter registrado na véspera a maior alta diária desde 2021 — e também o melhor desempenho desde janeiro. Às 10h28, o principal índice da B3 recuava 1,04%, aos 180.036 pontos, em movimento de realização de lucros e maior cautela dos investidores diante do cenário externo.
No mesmo horário, o viés negativo predominava entre as ações. Dos 82 papéis que compõem o índice, 61 operavam em baixa, 15 estavam estáveis e apenas seis avançavam. Na contramão, as petroleiras sustentavam ganhos, com destaque para Petrobras e Prio, que sobem mais de 1%, acompanhando a recuperação dos preços do petróleo no mercado internacional.
Após despencar quase 11% na sessão anterior, o petróleo voltou a subir nesta manhã. O tipo Brent, referência global, avançava mais de 3%, com o barril cotado a US$ 103,25, enquanto o WTI, referência nos Estados Unidos, subia quase 5%, a US$ 92,14.
O movimento do mercado indica uma recomposição de posições mais defensivas, em meio à persistente incerteza sobre a evolução do conflito no Oriente Médio. Apesar do alívio momentâneo na segunda-feira, 23, após sinalizações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre abertura ao diálogo com o Irã, a percepção de risco voltou a ganhar força.
Novos episódios de escalada pressionaram os mercados nesta terça. Segundo a agência iraniana Fars, instalações de gás e um gasoduto na cidade de Isfahan foram atingidos em ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel, com danos parciais.
Em resposta, o Irã lançou uma nova onda de mísseis contra Israel. Horas antes, o exército israelense já havia confirmado ataques no norte do país, enquanto uma explosão em Tel Aviv deixou quatro feridos.
A intensificação dos confrontos reforça a busca global por ativos considerados mais seguros, sustentando o viés de alta do dólar frente a moedas emergentes e pressionando bolsas ao redor do mundo. No mesmo horário, o dóalr avançava 0,62% frente ao real, cotado a R$ 5,273.
Investidores repercutem ata do Copom
No cenário doméstico, os investidores também repercutem a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que marcou o início do ciclo de flexibilização monetária, com corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic — o primeiro em dois anos.
No documento, o colegiado destacou que o ambiente de incerteza, especialmente ligado ao conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, exige cautela na condução da política monetária. “A magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às análises”, afirmou o comitê.
A economista Marianna Costa, da Mirae Asset, avalia que a ata reforça a leitura de que o atual movimento é de “calibração”, com a política monetária ainda em território restritivo.
Segundo ela, já há sinais mais claros de transmissão dos juros mais altos sobre a atividade e a inflação, mas o cenário externo segue como principal vetor de incerteza, o que sugere um ritmo cauteloso para novos cortes.
As projeções do Banco Central indicam inflação de 3,9% em 2026 e de 3,3% no horizonte relevante. O cenário considera câmbio em R$ 5,20 por dólar e incorpora uma forte alta do petróleo no curto prazo, seguida de acomodação ao longo do tempo.
Ainda de acordo com a analista, o ambiente internacional se deteriorou, refletindo tanto o avanço do conflito no Oriente Médio quanto as dúvidas sobre a política econômica dos Estados Unidos, com impactos diretos sobre preços de ativos e expectativas.
No Brasil, a atividade econômica mostra desaceleração mais evidente no fim de 2025, especialmente nos setores mais sensíveis ao ciclo de juros, embora haja sinais iniciais de retomada em 2026, ainda em ritmo moderado. O mercado de trabalho segue como ponto de atenção. "No que se refere ao balanço de riscos, observa-se um viés altista, ainda que formalmente mantida a leitura bilateral", diz Costa.
"Do lado dos riscos de alta, destacam-se: (i) “desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado”; (ii) maior resiliência da inflação de serviços (iii) choques com impacto inflacionário, via câmbio ou condições financeiras. Por outro lado, os riscos de baixa incluem uma desaceleração mais acentuada da atividade doméstica, um cenário global mais fraco e eventual queda nos preços de commodities", acrescenta a economista da Mirae.
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