Ibovespa zera perdas com forte avanço da Petrobras; dólar mantém queda

Por Clara Assunção 10 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa zera perdas com forte avanço da Petrobras; dólar mantém queda

Depois de abrir as negociações em ligeira queda, o Ibovespa ronda a estabilidade no início das negociações desta segunda-feira, 9, apesar aumento da aversão a risco nos mercados globais diante da escalada das tensões no Oriente Médio. Às 12h24, o principal índice acionário brasileiro registrava ligeira alta de 0,25%, aos 179.807 pontos.

O desempenho da bolsa brasileira é relativamente melhor do que o observado em outros mercados internacionais. No mesmo horário, das 84 ações que compõem o Ibovespa, 49 operavam em baixa, 18 estavam estáveis e 17 registravam alta.

No radar dos investidores permanece a escalada da tensão entre Estados Unidos e Irã, que mantém elevados os temores de uma interrupção prolongada na oferta global de petróleo. Sem sinais claros de desescalada do conflito, os preços do barril voltaram a subir e ultrapassaram os US$ 100 no mercado internacional, ampliando a cautela entre investidores.

Mas, na bolsa brasileira, o avanço dos preços da commodity têm ajudado na valorização das petroleiras, que ajudam a limitar as perdas do índice.

Desde a abertura do pregão a Prio (PRIO3) lidera as altas do Ibovespa, com avanço superior a 5%. As ações da Petrobras também tinham forte valorização: os papéis ordinários (PETR3) subiam 5,11%, enquanto os preferenciais (PETR4) avançavam 4,77%.

Segundo Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, o desempenho do Ibovespa é relativamente positivo quando comparado ao restante do mundo, especialmente à Ásia, que registrou quedas mais intensas.

De acordo com ele, a alta do petróleo sustenta parte do desempenho do índice. "Isso está segurando o Ibovespa", disse.

"Mas mesmo os demais setores não abriram com uma aversão a risco tão grande. O mercado está tentando entender quais os reais impactos que podem vir de um preço de petróleo mais elevado, que a gente sabe que pode refletir na inflação", afirmou.

Entre as maiores quedas do índice, as ações da MRV (MRVE3) lideravam as perdas, com recuo próximo de 6%. A incorporadora divulgou balanço antes da abertura do mercado nesta segunda-feira, com resultados mistos.

Enquanto o negócio de incorporação no Brasil — principal operação do grupo — voltou ao lucro e atingiu as metas operacionais do ano, a operação americana, a Resia, continuou pressionando o resultado consolidado.

A holding registrou receita operacional líquida de R$ 10,9 bilhões em 2025, mas fechou o ano com prejuízo líquido de R$ 1,04 bilhão atribuído aos acionistas, reflexo principalmente dos impactos da operação nos Estados Unidos, que segue em processo de reestruturação e venda de ativos.

Dólar amplia queda frente ao real

Apesar do cenário de maior aversão ao risco no exterior, o dólar ampliou a queda frente ao real. Às 12h19, a moeda americana caía 0,62%, cotada a R$ 5,211.

Para Moliterno, o diferencial elevado de juros entre o Brasil e outros países continua sendo um fator que favorece a moeda brasileira. "Na contramão, o dólar aqui segue pressionado. O real está se valorizando e um grande ponto disso ainda é a defasagem de juros muito grande que existe no Brasil, o que segue atraindo investidores", disse.

Segundo ele, a taxa básica de juros ainda elevada no país mantém o Brasil atrativo para o capital estrangeiro. "A gente ainda está com juros na casa de 15% ao ano, com tendência de iniciar a queda, contra os juros lá fora bem mais baixos. Então ainda estamos tentando nos beneficiar disso também".

Bolsas globais caem

No exterior, os mercados registram quedas mais expressivas diante do temor de que a guerra no Oriente Médio provoque um período prolongado de preços elevados de energia, pressionando a inflação e a atividade econômica global.

Na Ásia, as bolsas fecharam em forte baixa. O índice Nikkei 225, de Tóquio, caiu 5,20%, enquanto o Kospi, de Seul, recuou 5,96%, acionando seu segundo mecanismo de interrupção de negociações (“circuit breaker”) em quatro sessões. Em Hong Kong, o índice Hang Seng cedeu 1,35%.

Na Europa, as bolsas também operam no vermelho. Por volta das 12h10, o índice pan-europeu Stoxx 600 caía 0,98%, no terceiro pregão consecutivo de queda. A Bolsa de Londres recuava 0,67%, a de Paris caía 1,25% e a de Frankfurt cedia 0,83%.

Nos Estados Unidos, os principais índices também registravam perdas: o Dow Jones recuava 0,97%, o S&P 500 caía 0,61% e o Nasdaq tinha baixa de 0,31%.

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