Impasse entre EUA e Irã derruba Wall Street; Nasdaq cai 2,38%
As bolsas de Nova York encerraram esta quinta-feira, 26, em queda firme, pressionadas pela escalada de incertezas em torno da guerra no Oriente Médio. Até houve uma tentativa de recuperação no início do pregão, mas o movimento perdeu força após o Irã rejeitar a possibilidade de cessar-fogo com os Estados Unidos, reforçando o clima de aversão ao risco.
O tom negativo se intensificou depois de declarações do presidente Donald Trump, que admitiu dúvidas sobre a capacidade de Washington em fechar um acordo com Teerã.
No fechamento, o Dow Jones recuou 1,01%, aos 45.959 pontos. O S&P 500 caiu 1,74%, aos 6.477 pontos, enquanto o Nasdaq Composite teve a pior performance, com baixa de 2,38%, aos 21.408 pontos, puxado sobretudo pelas ações de tecnologia.
Entre os papéis mais pressionados estiveram gigantes do setor, como Meta (-7,9%), Alphabet (-3,4%), Nvidia (-4,1%), AMD (-7,5%), Intel (-6,5%) e Palantir (-4,8%).
O avanço expressivo do petróleo também contribuiu para o mau humor. O contrato para maio do petróleo do tipo Brent, referência global, avançou 5,66%, fechando a US$ 108,01 por barril. Já o WTI, referência americana, subiu 4,61%, a US$ 94,48 por barril.
No acumulado de março, a commodity já registra valorização de 43,6%, em um dos movimentos mais intensos da história recente do mercado de energia, o que eleva preocupações com inflação e juros.
Nesse ambiente, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano — tanto de 2 quanto de 10 anos — voltaram a subir, refletindo a expectativa de pressões inflacionárias mais persistentes.
Apesar da turbulência, Trump minimizou o impacto da alta do petróleo, afirmando que os preços devem se estabilizar e até recuar. Em tom mais duro, porém, voltou a pressionar o Irã, dizendo que o país precisa agir rapidamente para evitar consequências irreversíveis.
Do lado iraniano, autoridades indicaram que analisam uma proposta americana para encerrar o conflito, mas reiteraram que não há disposição para negociações diretas com os EUA neste momento, mantendo a incerteza elevada.
Ainda assim, parte do mercado segue apostando que há espaço para um acordo. Para analistas, os ativos refletem a leitura de que a retórica pública mais dura pode esconder negociações mais pragmáticas nos bastidores, uma ambiguidade que, segundo eles, dificilmente se sustentará por muito tempo.
(*) Com informações da CNBC
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