Implante cerebral permite que homem com esclerose volte a se comunicar

Por Vanessa Loiola 19 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Implante cerebral permite que homem com esclerose volte a se comunicar

Um implante cerebral permitiu que um homem com esclerose lateral amiotrófica (ELA) voltasse a se comunicar, utilizar o computador e manter parte de sua rotina profissional por quase dois anos.

O caso foi descrito em um estudo publicado na revista científica Nature Medicine e representa um dos acompanhamentos mais longos já realizados com esse tipo de tecnologia fora do ambiente de laboratório.

O paciente, Casey Harrell, de 48 anos, foi diagnosticado com ELA há seis anos. A doença neurodegenerativa compromete progressivamente os movimentos musculares, incluindo a capacidade de falar.

Segundo os pesquisadores da University of California, Davis, o sistema permitiu que Harrell se comunicasse a uma velocidade média de 56 palavras por minuto. A tecnologia traduz a atividade cerebral em texto exibido na tela de um computador, possibilitando o envio de mensagens, e-mails e a navegação em aplicativos.

Como funciona o implante cerebral

Em 2023, Harrell recebeu 256 microeletrodos implantados na região do cérebro responsável pelo controle da fala. Os eletrodos captam sinais neurais gerados quando o paciente tenta falar. Esses sinais são enviados a um sistema computacional que os converte em palavras exibidas na tela.

O dispositivo também conta com um sistema de conversão de texto em voz capaz de reproduzir frases utilizando uma versão sintetizada da voz que Harrell tinha antes do diagnóstico da doença.

Após um período inicial de treinamento em laboratório, o paciente e seus cuidadores aprenderam a operar o sistema em casa. Cerca de 40 semanas depois, ele já conseguia utilizar a interface de forma independente.

Quase dois anos de uso no dia a dia

O estudo acompanhou o uso da interface cérebro-computador durante aproximadamente 23 meses. Nesse período, Harrell utilizou o sistema em 364 dos 397 dias analisados. Ao todo, produziu 183.060 frases por meio da tecnologia. Segundo o próprio paciente, 92% delas foram decodificadas corretamente ou parcialmente corretamente.

Além da comunicação, o implante também captava sinais relacionados a movimentos da mão, permitindo controlar o cursor do computador e utilizar diferentes programas.

Tecnologia pode se aproximar do uso clínico

Especialistas que não participaram do estudo afirmam que os resultados representam um avanço importante para transformar interfaces cérebro-computador em dispositivos médicos de uso prático.

Os pesquisadores observaram que a capacidade de decodificar a fala e controlar o computador permaneceu estável ao longo de 678 dias após a cirurgia.

A equipe também incorporou um "modo de privacidade", que permitia ao paciente impedir o compartilhamento dos dados cerebrais com os pesquisadores quando desejasse.

Agora, os cientistas trabalham em versões mais avançadas da tecnologia, incluindo sistemas sem fio e mais portáteis, eliminando a necessidade de conexões externas fixadas ao crânio. Outra meta é permitir que os sinais cerebrais sejam convertidos diretamente em fala, sem a etapa intermediária de exibição de texto na tela.

Segundo os autores, ainda será necessário desenvolver mecanismos capazes de adaptar o sistema caso os sinais neurais mudem ao longo do tempo ou conforme a progressão da doença.

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