Índia pode perder US$ 12 bilhões em ações em um mês com pressão do petróleo
Investidores estrangeiros caminham para retirar um volume recorde de cerca de US$ 12 bilhões do mercado acionário da Índia em março, em meio ao aumento dos conflitos e aos efeitos econômicos da guerra no Irã. O movimento pode marcar a maior saída mensal já registrada, superando o recorde anterior de outubro de 2024, segundo dados da depositária NSDL.
O fluxo negativo reflete a piora do ambiente global para ativos de risco e o impacto direto do conflito sobre os preços de energia, na avaliação de fontes consultadas pela CNBC.
A Índia, altamente dependente de importações de petróleo, enfrenta aumento nos custos e maior incerteza macroeconômica, ainda mais com o barril custando mais de US$ 100.
O encarecimento do petróleo com o fechamento do Estreito de Ormuz pode reduzir o crescimento econômico do país para 6,5%, abaixo da estimativa de 7,2%, avaliou o CEO e CIO da Renaissance Investment Managers, Pankaj Murarka.
Gestor de portfólio da Matthews Asia, Peeyush Mittal declarou, também, que "quanto mais tempo o conflito persistir, mais profundo será o impacto negativo no crescimento econômico da Índia."
O índice preliminar de gerentes de compras (PMI) do HSBC já mostrou que a atividade do setor privado indiano em março caiu ao nível mais fraco desde outubro de 2022.
Empresas ouvidas no levantamento citaram a guerra no Irã, a instabilidade dos mercados e a pressão inflacionária como fatores que afetam o desempenho econômico.
Mercado em queda e deterioração cambial
O Nifty 50, principal índice da bolsa de valores da Índia, acumula queda de cerca de 7,4% no mês, enquanto a rúpia atingiu mínimas históricas frente ao dólar, mesmo com intervenções do banco central indiano.
A deterioração cambial e o aumento do custo de energia ampliam déficits fiscais e em conta corrente, além de reduzir o fluxo de remessas vindas do Oriente Médio.
Luchnikava-Schorsch acrescentou que "as saídas de capital devem se intensificar devido ao sentimento global de aversão ao risco e às preocupações dos investidores com o crescimento da Índia."
Diante da pressão sobre os preços de energia, o governo indiano anunciou cortes de impostos sobre combustíveis para conter o impacto doméstico.
Ministra das Finanças da Índia, Nirmala Sitharaman informou que houve redução de dez rúpias por litro nos tributos sobre gasolina e diesel.
Já o ministro do Petróleo, Hardeep Singh Puri, afirmou que o governo assumirá um "grande impacto" na arrecadação para mitigar perdas das empresas do setor.
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