Informação privilegiada? EUA investigam apostas de US$ 950 mi feitas antes de cessar-fogo
O mercado de petróleo está sob investigação após cerca de US$ 950 milhões em apostas terem sido registradas pouco antes de um cessar-fogo entre Estados Unidos (EUA) e Irã, sob suspeita do uso de informação privilegiada.
A Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) abriu uma investigação sobre operações consideradas atípicas em contratos de petróleo realizadas antes de anúncios ligados à política estadunidense para o Irã.
O que aconteceu?
Em um intervalo de horas antes da divulgação de um cessar-fogo entre EUA e Irã, aproximadamente US$ 950 milhões foram direcionados ao mercado de petróleo, segundo fonte com conhecimento do assunto ouvida pela Reuters.
As apurações miram operações executadas em duas janelas específicas — 23 de março e 7 de abril — na CME Group e na Intercontinental Exchange (ICE).
Esses dois momentos antecederam mudanças na condução do conflito envolvendo Washington e Teerã, o que levantou dúvidas sobre possível acesso antecipado a informações privilegiadas.
Mercados derivativos
Em mercados derivativos, onde posições alavancadas podem amplificar ganhos e perdas em poucas horas, o momento das ordens é tão relevante quanto o volume negociado.
A CFTC pediu às bolsas detalhamento completo das operações, incluindo identificadores que permitem rastrear a origem das ordens até os participantes finais.
Esse tipo de rastreio é usado justamente para identificar padrões de concentração ou comportamento fora do padrão estatístico normal de negociação.
Pressão regulatória
Em depoimento preparado para parlamentares, o presidente da CFTC, Michael Selig, afirmou que a agência trata com prioridade qualquer suspeita de fraude ou uso de informação privilegiada em mercados sob sua supervisão. Sem comentar o caso específico, ele reforçou que condutas desse tipo serão punidas com rigor.
"Quero ser muito claro: para qualquer pessoa que se envolva em fraude, manipulação ou uso de informações privilegiadas em qualquer um de nossos mercados: nós a encontraremos e ela enfrentará todo o rigor da lei", pontuou Selig em fala repercutida pela Reuters.
A senadora Elizabeth Warren afirmou que a investigação deve ser apenas o início de um esforço mais amplo sobre o uso de informação sensível em mercados financeiros, especialmente em cenários de conflito internacional.
Nos bastidores do governo, a Casa Branca orientou funcionários a evitarem qualquer tipo de operação baseada em informações obtidas no exercício de suas funções.
As plataformas onde as operações ocorreram também passaram a ser observadas com mais atenção. O CME Group afirmou que mantém monitoramento contínuo de seus mercados e coopera com autoridades regulatórias. A Intercontinental Exchange não comentou o caso.
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