Instituto Motiva investe R$ 1 bilhão para desenvolver impacto social nos territórios
A Motiva, empresa de infraestrutura de mobilidade, quer transformar sua atuação social em uma ferramenta de desenvolvimento econômico e geração de negócios.
A companhia anunciou um programa de desenvolvimento territorial que prevê investimentos de R$ 1 bilhão até 2035 e busca identificar oportunidades de crescimento em regiões próximas às suas operações de rodovias e trilhos.
A iniciativa marca uma mudança de abordagem do Instituto Motiva, braço social da empresa. Em vez de concentrar recursos em projetos pontuais, a estratégia passa a combinar diagnósticos territoriais, articulação com lideranças locais e mapeamento de vocações econômicas para desenhar intervenções de longo prazo.
Na prática, o programa funciona como uma espécie de laboratório para testar soluções que conectem impacto social e negócios. Entre as possibilidades estudadas estão projetos de logística de última milha próximos a estações de transporte, empreendimentos imobiliários de impacto social, programas de qualificação profissional e iniciativas voltadas à ativação de economias locais.
"Conseguimos propor um modelo de atuação baseado em uma escuta ativa dos atores sociais e uma gestão colaborativa de territórios, propondo ações alinhadas às demandas e à vocação de cada comunidade para potencializar os impactos positivos", afirma Renata Ruggiero, presidente do Instituto Motiva.
Impacto social e desenvolvimento territorial
O modelo foi inspirado em experiências internacionais de transformação urbana, especialmente em Medellín, na Colômbia, e em cidades asiáticas que utilizaram infraestrutura e planejamento urbano como instrumentos de inclusão social e desenvolvimento econômico.
Para estruturar o projeto, o Instituto Motiva realizou um amplo diagnóstico em 20 territórios considerados estratégicos para as operações da companhia. Entre julho e agosto de 2025, equipes realizaram observações de campo, entrevistas e aplicação de questionários com moradores, lideranças comunitárias e organizações locais para identificar riscos, oportunidades e desafios de cada região. O trabalho contou com apoio técnico do Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável (CIEDS).
Além do levantamento socioeconômico, a iniciativa incluiu um mapeamento detalhado dos principais atores de cada localidade. O objetivo foi identificar lideranças, organizações sociais, representantes do poder público e potenciais parceiros capazes de mobilizar recursos e contribuir para a implementação dos projetos. A partir desse processo, foram elaborados 20 planos de desenvolvimento territorial que servirão de base para a atuação da companhia nos próximos anos.
Os territórios selecionados estão distribuídos entre capitais, regiões metropolitanas e cidades do interior em seis estados. A lista inclui localidades como Capão Redondo, Luz-Bom Retiro, Vila Congonhas e Mendes-Vila Natal, na capital paulista; Presidente Altino, em Osasco; Guarulhos e Sorocaba, em São Paulo; Morro da Providência, Paraty, Mangaratiba, Piraí e Resende, no Rio de Janeiro; Águas Claras, Pernambués e São Cristóvão, em Salvador; além de Londrina e Ponta Grossa, no Paraná, Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, e Lajeado, no Rio Grande do Sul.
O diagnóstico identificou cerca de 500 oportunidades de atuação. Os projetos foram organizados em três frentes prioritárias: soluções sustentáveis, redução das desigualdades e qualidade de vida.
Soluções sustentáveis para a economia
Em Guarulhos, por exemplo, foram mapeadas iniciativas ligadas à gestão de resíduos e ao fortalecimento de cooperativas, além de programas de educação profissionalizante desenvolvidos em parceria com universidades e empresas locais. Na área de qualidade de vida, uma das propostas envolve a ampliação de atividades esportivas voltadas à população idosa.
Já em Paraty, entre as oportunidades identificadas estão programas de incentivo à leitura e democratização do acesso à cultura, projetos de construção e revitalização de centros esportivos e uma estratégia territorial voltada à economia circular e à logística sustentável. A expectativa da companhia é implementar pelo menos três iniciativas em cada território até o fim de 2026.
A nova estratégia também responde a um desafio crescente para concessionárias de infraestrutura: ampliar a chamada licença social para operar. Ao fortalecer vínculos com comunidades localizadas no entorno de seus ativos, a Motiva busca reduzir conflitos, aumentar a legitimidade de suas operações e criar um ambiente mais favorável para futuros investimentos.
Outro diferencial do projeto é a intenção de mobilizar parceiros externos para financiar e executar parte das iniciativas. Segundo a companhia, o Instituto Motiva não pretende investir sozinho nas oportunidades identificadas. A estratégia prevê a formação de coalizões envolvendo empresas, organizações da sociedade civil e poder público, ampliando a escala das intervenções e compartilhando conhecimento e recursos. Um dos primeiros movimentos nesse sentido já ocorre em Presidente Altino, em Osasco, onde a empresa iniciou conversas para estruturar uma aliança territorial.
Atuação do Instituto Motiva
O programa faz parte do reposicionamento estratégico anunciado pelo Instituto Motiva. A organização elevou seu compromisso de investimento de longo prazo de R$ 750 milhões para R$ 1 bilhão até 2035 e redefiniu sua missão para impulsionar cidades mais inclusivas, resilientes e sustentáveis. Entre 2023 e 2025, os aportes somaram R$ 239 milhões. Para este ano, a previsão é investir outros R$ 74 milhões.
No longo prazo, a iniciativa também está conectada à visão da companhia sobre o futuro das cidades. A partir da integração entre mobilidade, planejamento urbano, desenvolvimento econômico e participação comunitária, a Motiva pretende contribuir para a construção de territórios alinhados ao conceito das chamadas "cidades de 15 minutos", modelo urbano em que moradia, trabalho, educação, serviços, cultura e lazer estão concentrados a distâncias percorridas em poucos minutos.
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