Instituto Pactuá reúne 150 líderes negros em formatura inédita em São Paulo

Por Da Redação 3 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Instituto Pactuá reúne 150 líderes negros em formatura inédita em São Paulo

Encontrar pessoas negras em posições de alta liderança sempre foi exceção no ambiente corporativo brasileiro. De acordo com Instituto Ethos, profissionais negros ocupam menos de 5% dos cargos executivos nas maiores empresas do país. Quando se trata de mulheres negras, o percentual é inferior a 1%.

No entanto, na última sexta-feira, 27, essa lógica ganhou um contraponto simbólico e estrutural: o Instituto Pactuá celebrou a formatura de 150 lideranças negras que foram certificadas em 2025 no Programa de Desenvolvimento de Lideranças Negras (PDLN), desenvolvido em parceria com a Saint Paul Escola de Negócios.

Ao longo do ano, cada turma foi certificada, mas a cerimônia no novo campus da Saint Paul, na Consolação, consolidou o encerramento anual e formalizou a criação de uma rede executiva formada exclusivamente por profissionais negros.

Formação executiva com foco em alta liderança

Foram seis módulos ministrados por professores negros reconhecidos no mercado, como Grazi Mendes, que abordou ancestralidade; Jaime Almeida, responsável por liderança estratégica; Jandaraci Araujo, à frente de finanças para negócios; e Giselle Santos, que conduziu o tema tecnologia e inteligência artificial.

O currículo integrou desenvolvimento técnico, posicionamento executivo e fortalecimento de capital relacional — três dimensões consideradas críticas para acesso a posições de decisão.

A programação da formatura contou com a fala da oradora da turma Rafaela Flávia, executiva da Natura. Também participaram o presidente do Conselho e cofundador Kwami Correa e o anfitrião Claudio Securato, CEO da Exame Educação, entre outros convidados.

Além da entrega formal dos certificados, o evento consolidou uma comunidade formada ao longo das cinco edições de 2025.

Da solidão estatística à construção de rede

A criação do Instituto Pactuá nasce justamente da discrepância entre a composição demográfica do país — mais de 56% da população brasileira se autodeclara preta ou parda, segundo o IBGE — e sua representação nos espaços de poder econômico.

Executivo por mais de 25 anos em grandes empresas, Jaime Almeida, vice-presidente do Instituto Pactuá e professor da Saint Paul, afirma que a iniciativa surgiu da experiência recorrente de executivos negros ao longo da carreira:

“Há uma solidão de não encontrar pessoas negras em posições de liderança.”

A proposta do Instituto é acelerar a ascensão de profissionais negros à alta gestão por meio de três pilares: Inspiração, Conexão e Educação. O modelo combina mentoria individual, formação executiva e fortalecimento de networking qualificado.

Para Luciano Pereira, que participou da terceira turma como mentorado e hoje atua como mentor e coordenador do Comitê de Educação do Pactuá, a experiência ultrapassa o aspecto técnico.

“A experiência foi algo que eu nunca nem tinha sonhado em viver: estar numa sala de aula somente com líderes negros. Precisamos fomentar que outras pessoas negras ocupem a cadeira que eu ocupo hoje”, diz Luciano.

A visão da presidência

Para Iris Barbosa Barreira, presidente do Instituto, a formatura representa mais do que um marco simbólico — trata-se de um movimento estruturante de longo prazo.

“Não estamos falando apenas de formação. Estamos falando de reposicionamento estratégico de talentos que historicamente não tiveram acesso às mesmas redes de oportunidade. Liderança também é sobre quem ocupa a mesa onde as decisões são tomadas.”

“Quando ampliamos diversidade na liderança, ampliamos visão de mercado, inovação e sustentabilidade dos negócios. Esse não é um debate identitário, é um debate de estratégia empresarial.”

Acesso ampliado e seleção rigorosa

O programa foi viabilizado por meio de articulação jurídica que permitiu a destinação de recursos para custear integralmente as turmas.  O projeto foi submetido ao Tribunal de Justiça e aprovado, garantindo gratuidade aos participantes.

"Exige uma técnica jurídica específica para obtenção do recurso”, explica Fernando Figueiredo, advogado responsável pelo processo de financiamento. “Há uma norma da corregedoria do tribunal de justiça que tem que ser seguida, para se obter esses recursos. O juiz da Vara, juntamente com o aval e o acompanhamento do Ministério público avaliam a solicitação e decidem se concede ou não o recurso."

A seleção, no entanto, mantém critérios rigorosos. Os candidatos passam por processo estruturado de avaliação e assumem compromisso formal com todas as etapas do programa.

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