Interesse estrangeiro pelo Brasil cresce no SXSW, diz curador da SP House
AUSTIN — No terceiro ano da SP House no SXSW, o espaço do Governo do Estado de São Paulo ampliou sua atuação em Austin, no Texas, e passou a reunir, além de debates e programação, encontros de negócios, conexões e articulações com nomes da conferência e do mercado internacional.
Para Franklin Costa, cofundador da OCLB e curador da casa, esse movimento acompanha uma mudança mais ampla no papel do Brasil dentro do festival: o país deixou de estar ali apenas para buscar referências e passou também a despertar o interesse de quem quer entender o que está sendo produzido por aqui.
“No início, os brasileiros vinham a Austin para se conectar com a inovação de fora. Agora, cada vez mais, estrangeiros buscam o que está sendo produzido no Brasil”, afirma Costa, em entrevista ao Marketing Trends, videocast da EXAME gravado na SP House.
Costa, que já participou do festival cerca de 15 vezes, afirma que o SXSW segue atraindo executivos brasileiros porque reúne cultura, negócios, inovação e tecnologia em um mesmo ambiente. Na avaliação dele, essa amplitude diferencia o evento de encontros mais segmentados e ajuda a explicar por que parte do público retorna em anos seguintes.
“Não é um festival só de negócios. Também não é só de cultura. É um festival em que você encontra um pouco de tudo”, diz. “A inovação aqui não é mais vertical. Ela é horizontal.”
Desde 2018, Costa passou a conduzir grupos de profissionais no festival como curador e guia. Ao longo desse período, estima ter levado mais de 500 executivos a Austin, além de desenvolver jornadas corporativas para empresas e atuar em programas do governo paulista, como CreativeSP, SP Global Tech e DiscoverSP.
“O mais importante do South by não está nas palestras, mas nas conexões que surgem depois”, afirma. É nas conversas posteriores, nas trocas entre participantes e na leitura compartilhada dos conteúdos, diz, que o aprendizado ganha aplicação prática ao longo do ano.
Essa dinâmica também atravessa a trajetória profissional do próprio curador. Em 2013, ele vendeu a agência para um grupo que conheceu no South by Southwest. Em momentos de transição de carreira ou de revisão dos rumos do negócio, voltou ao festival em busca de referências e novos caminhos. “Sempre que passei por um momento de transição na carreira ou de revisão dos rumos do negócio, recorri ao South by.”
Neste ano, o executivo acompanha ainda um grupo de dez startups ligado ao programa São Paulo Global Tech, formado por empresas que foram ao festival em busca de internacionalização, mentores e investidores. A estratégia foi mapear mentores da programação oficial com afinidade com os negócios selecionados e promover um processo de matchmaking.
Como resultado, a SP House recebeu sessões de apresentação dessas startups para mentores identificados previamente na agenda do SXSW. “Você pode passar o tempo todo aqui na SP House sem assistir uma palestra, só fazendo reuniões de negócios”, afirma.
Ao fazer um balanço dos três anos da casa, Costa afirma que a curadoria amadureceu junto com o projeto. O primeiro ano, diz, foi de prototipação; o segundo, de ajustes; e o terceiro, de consolidação da identidade. Esse estágio, na leitura dele, ajuda a explicar a presença crescente de convidados com projeção internacional na programação da SP House.
A edição deste ano reuniu na casa paulista nomes centrais da programação do SXSW, como Amy Webb, Amy Gallo, Ian Beacraft, Kasley Killam e Faith Popcorn. Para Costa, esse movimento reforça a mudança de direção do interesse internacional.
A SP House passou a funcionar como um espaço de tradução dos temas apresentados na conferência para a realidade brasileira — e, ao mesmo tempo, como vitrine do que o Brasil produz em áreas como inovação, criatividade e cultura.
Além de Costa, participaram da construção de conteúdo nomes como Ronaldo Lemos, Simone Kliass, Dilma Campos, Gustavo Pacete, Luciane Coutinho, Jandaraci Araujo, Caire Aoas e Aninha de Fátima. Cada um liderou uma das quatro trilhas da casa: tecnologia e inovação; criatividade e marketing; arte e cultura; e ESG e impacto.
Ao comentar as mudanças recentes no formato do SXSW, Costa relativiza parte das críticas feitas por quem acompanha o festival há muitos anos. “Minha vista está cansada do festival, porém ela sempre se renova com o olhar de quem está vindo pela primeira vez”, diz.
Para ele, embora o evento esteja em transformação, a essência permanece. O festival nasceu ligado à música, incorporou o cinema e a tecnologia ao longo do tempo e agora atravessa uma nova fase sem o Centro de Convenções de Austin, espaço central da programação que está em reconstrução e deve reabrir em 2029.
“A gente está vivendo um renascimento do South by”, afirma. Ele argumenta que o festival não deve ser lido apenas como uma feira de tecnologia ou uma plataforma de negócios. “É um evento para que pessoas criativas possam desbloquear as suas ideias.”
Em um momento em que a inteligência artificial acelera mudanças e reconfigura processos e possibilidades em várias áreas, Costa vê esse papel ganhar novo peso. “A gente não sabe ainda onde isso vai dar”, diz.
Nesse contexto, a combinação entre conexões, circulação internacional e presença brasileira crescente ajuda a consolidar o SXSW como ponto de relacionamento e espaço de geração de oportunidades. “Todo mundo que está aqui é um potencial parceiro de negócio, um potencial cliente.”
Assista abaixo ao episódio completo do Marketing Trends, especial SXSW
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