Investidor que previu crise de 2008 está apostando contra a Nvidia: os 3 alertas de Michael Burry

Por Tamires Vitorio 28 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Investidor que previu crise de 2008 está apostando contra a Nvidia: os 3 alertas de Michael Burry

Uma semana depois de a Nvidia divulgar o trimestre mais lucrativo da história de qualquer empresa de semicondutores, Michael Burry, conhecido por ter previsto a crise de 2008, publicou dois textos no Substack dizendo que a ação está prestes a ter uma queda "mais dramática" do que qualquer outro ativo.

Burry é o investidor que apostou contra o mercado imobiliário americano antes da crise de 2008 — e ganhou. A aposta foi imortalizada no livro e no filme The Big Short. Desde o ano passado, ele opera comprado em puts (apostas na queda) de Nvidia.

E nesta semana, com a ação em máxima histórica e o mercado em euforia, ele dobrou a aposta com dois posts detalhados que foram amplamente reproduzidos pela imprensa financeira americana.

"As condições para uma queda agressiva são tão fortes quanto em qualquer momento da história da ação", escreveu Burry em 25 de maio.

E acrescentou que a próxima queda pode ser "mais dramática" do que os recuos de 56% em 2018, 67% em 2021 e 43% em 2025.

O argumento 1: concentração de clientes "fora dos padrões"

O primeiro post, publicado na sexta-feira anterior, 23, focou nos fundamentos.

Burry apontou que o relatório mais recente da Nvidia à SEC, o mesmo que celebrou receita de US$ 81,6 bilhões, contém um dado que passou despercebido na euforia: os três maiores clientes da empresa respondem por 64% de suas contas a receber, ante 56% no trimestre anterior.

Mais revelador ainda, segundo ele, é que o maior cliente individual da Nvidia passou a responder por uma fatia maior das contas a receber ao mesmo tempo em que respondeu por uma fatia menor da receita total — pela primeira vez em 13 trimestres.

Burry sugere que o cliente (que analistas do setor identificam como a Microsoft) pode ter antecipado compras de chips que "não precisa de verdade", para garantir prioridade no acesso à próxima geração de produtos da Nvidia.

"Isso não é bem uma pistola fumegante", escreveu Burry, "mas é a descoberta de um dedo no gatilho."

O raciocínio tem implicações concretas: se a Microsoft reduzir seus gastos com chips Nvidia em apenas 20%, isso representaria uma queda de 4,2% na receita total da empresa, segundo cálculos citados pelo Stocktwits com base nos posts de Burry.

O argumento 2: o 'tokenmaxxing' é uma fase passageira

O segundo post, publicado na segunda-feira, 26, mirou no comportamento corporativo que, segundo Burry, está inflando artificialmente a demanda por chips de IA.

O alvo é o que ele chama de "tokenmaxxing" — a prática de gestores e executivos que transformam o uso de IA em métricas de produtividade para funcionários, criando demanda por tokens que não reflete utilidade real.

O próprio Jensen Huang, CEO da Nvidia, promoveu uma versão dessa filosofia ao afirmar que um engenheiro de software com salário de US$ 500 mil deveria consumir pelo menos US$ 250 mil em tokens de IA por ano.

Sam Altman, CEO da OpenAI, incentivou maximalismos similares.

"Tokenmaxxing não é meramente uso pesado de IA, e certamente não é uso sustentável", escreveu Burry. "É hiperconsumismo orientado por cotas, placar e mandato gerencial." O setor de IA, acrescentou, "está capitalizando a fase mais cara da adoção de IA como se fosse normal e indicativa da demanda futura."

O argumento 3: a mecânica do mercado favorece uma queda severa

Além dos fundamentos, Burry levantou alertas sobre a estrutura do mercado de ações da Nvidia. O volume de negociação, medido pela média móvel de 50 dias, está no menor nível desde 1999, segundo ele.

Há uma "escassez de atividade de hedge", as opções de venda da Nvidia estão mais baratas do que as de ações comparáveis, o que indica que poucos investidores estão se protegendo contra uma queda.

E em caso de venda generalizada, Burry projeta "poucos compradores na descida", pela ausência de demanda estrutural que absorveria o movimento.

O que o mercado acha

Entre os 41 analistas de Wall Street que cobrem a Nvidia, 39 têm recomendação de compra, um tem neutro e um tem venda, segundo o TipRanks. A ação caiu 4,3% na semana passada, mesmo com o sentimento de investidores de varejo em "extremamente otimista" — uma das divergências que Burry cita como sinal de alerta.

Os resultados do primeiro trimestre fiscal de 2027, com US$ 81,6 bilhões em receita, lucro líquido de US$ 58,3 bilhões e alta de 211% ano a ano, são difíceis de ignorar.

Mas os dados que ele aponta são reais e estão na SEC.

A questão que Burry levanta não é se a Nvidia está indo bem agora, mas se a demanda que sustenta esses números é estrutural ou temporária. E essa pergunta, por enquanto, ninguém consegue responder com certeza.

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