IPCA 15, inflação nos EUA e desemprego: o que move os mercados

Por Clara Assunção 27 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
IPCA 15, inflação nos EUA e desemprego: o que move os mercados

Os mercados chegam à sexta-feira, 27, após um pregão de volatilidade na bolsa brasileira. Na véspera, o Ibovespa oscilou bastante, chegou a tocar os 188.977 pontos no pior momento do dia e terminou com leve recuo de 0,13%, aos 191.005 pontos.

O movimento refletiu ajustes de carteiras no fim do mês, perdas em blue chips como Vale — que interrompeu uma sequência de cinco altas — e a volatilidade do petróleo, que deixou as ações da Petrobras sem direção única.

Sem um gatilho claro no cenário externo ou doméstico na quinta, 26, o índice acabou acompanhando o humor de Wall Street e se beneficiou, na reta final, de uma melhora marginal no sentimento. Agora, a pergunta é: o que pode mexer com os ativos hoje?

A resposta passa por uma agenda carregada de indicadores, tanto no Brasil quanto no exterior, com destaque para dados de inflação e mercado de trabalho.

Inflação no Brasil e nos EUA no radar

No Brasil, o principal destaque do dia é a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de fevereiro, às 9h, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador é considerado a prévia da inflação oficial e ajuda a calibrar as expectativas para a trajetória de juros. Na última leitura mensal, o índice subiu 0,20%, acumulando alta de 4,50% em 12 meses.

No mesmo horário, o IBGE também divulga a taxa de desemprego de janeiro. Em dezembro, o índice ficou em 5,1%, em linha com o esperado pelo mercado.

Já nos Estados Unidos, a atenção se volta para o índice de preços ao produtor (PPI), que será publicado às 10h30 pelo Bureau of Labor Statistics (BLS). Em dezembro, o PPI avançou 0,50% no mês e acumulou alta de 3,0% em 12 meses. O núcleo do indicador — que exclui alimentos e energia — subiu 0,70% na comparação mensal e também marcou 3,0% no acumulado anual.

Ainda nos EUA, saem os dados de gastos com construção, às 12h, e a prévia do GDPNow para o primeiro trimestre de 2026, divulgada pelo Federal Reserve Bank of Atlanta. Na semana anterior, a estimativa de crescimento estava em 3,00%, e o mercado projeta estabilidade.

Antes da abertura mais intensa dos negócios, às 8h30, o Brasil concentra uma bateria de números fiscais. O Ministério da Fazenda divulga o Balanço Orçamentário — que, em dezembro, registrou déficit de R$ 115,502 bilhões — enquanto o Banco Central do Brasil publica as Estatísticas Fiscais.

No relatório anterior, a Dívida Líquida do Setor Público correspondia a 65,3% do PIB e a Dívida Bruta do Governo Geral, a 78,7% do PIB. Também às 8h30, sai o Resultado Primário Consolidado de janeiro.

Ao longo da manhã, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulga o Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) de fevereiro. O Ministério do Trabalho e Emprego apresenta os dados do Caged de janeiro — em dezembro, foram fechadas 618,16 mil vagas.

A agenda doméstica ainda inclui a definição da bandeira tarifária de energia elétrica para março pela Aneel (em fevereiro, a bandeira estava verde) e a divulgação dos resultados setoriais do ICEI pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A madrugada já trouxe números preliminares de inflação na França e na Espanha, além do PIB final do quarto trimestre francês. Mais tarde, às 10h, sai a prévia do CPI da Alemanha, reforçando o foco global na dinâmica de preços.

No calendário corporativo, os destaques são os resultados da Enel Chile e da BlackRock TCP Capital.

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