Irã apresenta nova proposta aos EUA para destravar negociações de paz
O Irã apresentou aos Estados Unidos uma nova proposta para retomar as negociações e pôr fim a dois meses de guerra, informou nesta sexta-feira, 1º, a imprensa estatal iraniana, em meio a um impasse diplomático.
Um cessar-fogo entrou em vigor em 8 de abril, após quase 40 dias de bombardeios conduzidos por forças israelenses e americanas contra o Irã e de represálias de Teerã na região. Apesar da trégua, o conflito persiste em outras frentes.
Os Estados Unidos mantêm um bloqueio naval aos portos iranianos em resposta ao fechamento, por parte de Teerã, do estratégico Estreito de Ormuz, rota por onde transitava, antes da guerra, cerca de um quinto dos hidrocarbonetos consumidos no mundo. A interrupção elevou os preços globais do petróleo.
"A República Islâmica do Irã entregou na noite de quinta-feira o texto de sua mais recente proposta de negociação ao Paquistão, mediador nas conversas com os Estados Unidos", informou a agência estatal IRNA, sem detalhar o conteúdo.
Desde as primeiras conversas, consideradas infrutíferas, em 11 de abril, o Paquistão tenta aproximar as partes e reabrir o canal diplomático.
Pressão política nos EUA
Durante reunião com empresários do setor de energia, o presidente Donald Trump mencionou a possibilidade de prolongar o bloqueio naval por "vários meses", se necessário, segundo um alto funcionário da Casa Branca.
Trump tem, em tese, até esta sexta-feira para solicitar ao Congresso autorização para continuar a guerra, mas o governo sinaliza que pode ignorar essa exigência.
Pela Constituição dos EUA, cabe ao Congresso declarar guerra. No entanto, uma lei de 1973 permite ao presidente iniciar ações militares limitadas em situações de emergência, desde que peça autorização para mobilizações superiores a 60 dias.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou na quinta-feira que, devido ao cessar-fogo, "o prazo de 60 dias fica suspenso".
Petróleo volátil
Com o risco de prolongamento do conflito, o barril do Brent — referência global — chegou a ultrapassar US$ 126 na quinta-feira, o maior nível desde o início de 2022, durante a guerra na Ucrânia. Nesta sexta, recuou para abaixo de US$ 106.
Após o anúncio da nova proposta iraniana, o WTI, referência americana, caiu cerca de 5%, para US$ 99,85.
A guerra já deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e segue afetando cadeias produtivas e mercados globais.
Para Fatih Birol, diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), o mundo enfrenta "a maior crise energética de sua história". Na mesma linha, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o fechamento do Estreito de Ormuz está "asfixiando a economia mundial".
Impacto na população
Apesar da trégua, a rotina no Irã segue pressionada por inflação elevada e desemprego crescente, em um país já afetado por décadas de sanções.
"Para muitos de nós, pagar o aluguel ou até mesmo comprar comida ficou difícil, e alguns já não têm nada", disse à AFP Mahyar, de 28 anos, cuja empresa demitiu quase 40% dos funcionários.
"Nossas mesas estão menos fartas", afirmou o estudante Shahin Nampoor, de 18 anos. "Desde que a guerra começou, tudo ficou dez vezes mais caro; já não há preços fixos e cada um põe os seus."
Frente no Líbano segue ativa
No Líbano, onde Israel enfrenta o grupo pró-iraniano Hezbollah, os confrontos continuam. Ao menos 17 pessoas morreram em ataques israelenses na quinta-feira.
A embaixada americana no país defendeu a realização de uma reunião entre líderes libaneses e israelenses. Representantes dos dois países já se encontraram duas vezes em Washington nas últimas semanas — os primeiros encontros desse tipo em décadas.
Desde o início de março, a escalada no Líbano deixou mais de 2.500 mortos e mais de um milhão de deslocados, segundo autoridades locais.
(Com informações da AFP)
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