Irã diz que deve retomar acesso à internet global quase 90 dias após bloqueio aos civis
O governo do Irã iniciou o processo para restabelecer a conexão do país com a internet internacional, segundo informou a imprensa estatal iraniana nesta segunda-feira, 25. A decisão teria partido do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, segundo relato de um representante do regime citado pela mídia local.
As informações foram atribuídas ao chefe de relações públicas do Ministério das Comunicações iraniano. Até o momento, as autoridades não detalharam quando nem de que forma a população voltará a acessar plenamente a rede global, informou a agência Reuters.
De acordo com o observatório NetBlocks, especializado em monitoramento da conectividade digital, a maior parte dos iranianos permaneceu sem acesso à internet durante 87 dias. Apenas uma parcela da população conseguiu contornar as restrições por meio de VPNs (sigla em inglês para Rede Privada Virtual), ferramenta que mascara a localização do usuário e permite acessar conteúdos bloqueados.
Segundo a organização, o bloqueio imposto pelo Irã representa o apagão de internet mais prolongado já registrado em um país conectado digitalmente. O período supera o corte implementado em Mianmar durante o golpe militar de 2021, quando o acesso à rede ficou suspenso por 72 dias.
Bloqueio de informações diante de crise política
As restrições começaram em 8 de janeiro, após manifestações contra o regime em diferentes regiões do país. Em fevereiro, parte das conexões voltou a operar gradualmente. O cenário mudou novamente depois do início dos ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, quando um novo bloqueio foi imposto.
Mesmo com a possível retomada da conexão internacional, o acesso à internet segue limitado por mecanismos de censura aplicados pelo governo iraniano. O regime ampliou o uso de uma intranet nacional para manter serviços digitais sem depender da rede mundial, principalmente em áreas como educação, onde escolas passaram a utilizar plataformas locais.
Aliados do governo iraniano afirmam que as restrições são necessárias por motivos de segurança. Entre os argumentos apresentados está a alegação de que forças americanas e israelenses utilizaram rastreamento de celulares para localizar líderes militares mortos no início do conflito. Integrantes do regime também sustentam que redes sociais e plataformas digitais estariam sendo usadas por governos estrangeiros para estimular tentativas de desestabilização política.
Antes mesmo do bloqueio mais recente, aplicativos e redes sociais como Instagram e WhatsApp já enfrentavam restrições no país. Apesar disso, muitos iranianos utilizavam serviços de VPN para acessar essas plataformas.
Sem acesso a VPNs — cujo custo aumentou após o início da guerra — parte da população consegue utilizar apenas a chamada internet iraniana, uma rede separada da infraestrutura global. O sistema inclui aplicativos de mensagens, plataformas de comércio eletrônico, redes sociais, mecanismos de busca e veículos de comunicação autorizados pelo regime.
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