Irã diz que Estreito de Ormuz está fechado e ataca navios dos EUA após sofrer bombardeios

Por Mateus Omena 11 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Irã diz que Estreito de Ormuz está fechado e ataca navios dos EUA após sofrer bombardeios

O Irã declarou que o Estreito de Ormuz está fechado e atacou dois navios americanos, como uma resposta à ofensiva dos Estados Unidos realizada uma hora antes. No início da noite, os EUA lançaram ataques aéreos adicionais contra Teerã, como havia sido informado pelo Comando Central do Exército norte-americano.

Segundo o comunicado do Centcom, “as forças do Comando Central dos EUA começaram a lançar ataques adicionais de autodefesa hoje às 18h15 [no horário de Brasília], contra múltiplos alvos no Irã, por ordem do comandante em chefe. Os ataques são uma resposta à agressão injustificada e contínua do Irã”.

Em entrevista à emissora americana Fox News, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que caças estariam voando sobre o território iraniano e que teria conversado nesta quarta-feira com “autoridades iranianas” que, segundo ele, teriam pedido a suspensão dos bombardeios. O republicano também disse que Israel não participava da operação e que novas ações militares não estavam descartadas. No entanto, Teerã nega a ocorrência dessas conversas, segundo informações da agência Reuters.

Nova fase do conflito entre Irã e EUA

Ataques dos EUA a Teerã em março de 2026, no início das ofensivas entre os dois países. (Photo by Sasan / Middle East Images / AFP via Getty Images) (Getty Images/Getty Images)

Os novos bombardeios marcam o segundo dia consecutivo de ataques americanos contra alvos no Irã desde o cessar‑fogo iniciado em abril, acordo que já vinha sendo considerado frágil antes dessa nova escalada. Washington afirma que a primeira série de ataques foi lançada em retaliação à derrubada de um helicóptero Apache pelos iranianos perto do Estreito de Ormuz. Ainda não há clareza sobre como esses ataques recentes afetarão a trégua em vigor.

Veículos estatais do Irã relataram explosões em Bandar Abbas, Minab, Kargan e Sirik, todas cidades portuárias próximas ao Estreito de Ormuz, e ativação de defesas aéreas em Isfahan. A agência Mehr mencionou “combates no mar” entre forças iranianas e norte‑americanas, sem fornecer detalhes adicionais.

Uma fonte norte‑americana disse ao Axios que os alvos atingidos pelos EUA estavam no sul do Irã, incluindo “sistemas de defesa aérea, radares e unidades de comando e controle de drones”.

Quase duas horas depois da ação dos EUA, o governo iraniano reiterou que o Estreito de Ormuz está fechado a qualquer tipo de embarcação, informando que disparou contra dois navios que, segundo Teerã, desrespeitavam seu bloqueio marítimo.

Troca de ameaças

Mais cedo nesta quarta, o Irã havia prometido uma “resposta dura” contra alvos norte‑americanos no Oriente Médio e advertiu que uma nova escalada não se limitaria apenas à região. Na terça‑feira, Teerã havia atacado uma base militar dos EUA no Bahrein em retaliação a ações anteriores, informou a Reuters.

O ataque desta quarta‑feira dos EUA foi anunciado poucas horas depois de Trump afirmar que seu Exército voltaria a atingir o Irã “ainda hoje”.

O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, declarou que os bombardeios seriam “fortes e claros” e atingiriam “instalações‑chave” iranianas, sem especificar quais. Hegseth disse ainda que os ataques serviriam para “avançar os interesses militares dos EUA no Oriente Médio e ajudar Washington a alcançar uma solução diplomática da guerra”. O Irã, porém, repetiu que não negociaria sob ameaça militar.

Impactos no mercado

Os mercados já começaram a reagir na noite desta quarta-feira, 10, após novos ataques envolvendo Estados Unidos e Irã. O regime dos aiatolás anunciou que fechou o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, depois da escalada da crise na região.

O petróleo do tipo Brent subia 2,9% às 21h (horário de Brasília), sendo cotado a US$ 92,73 o barril. Em três meses, a alta é de 7,7%. O conflito entre Irã e Estados Unidos começou no final de fevereiro.

O preço dos combustíveis, como gasolina e diesel, deve seguir em alta nos próximos meses, pois os efeitos da guerra no Irã ainda levarão algum tempo para serem mitigados, segundo empresas e especialistas.

Os novos ataques entre Israel e Irã atrasam ainda mais a solução. "Cada dia que passa é mais um dia de produção perdida", disse Eleanor Budds, diretora de pesquisa em combustíveis na consultoria S&P, durante evento da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata).

O conflito na região tem dificultado tanto a extração quanto o refino e a exportação de petróleo e combustíveis, como gasolina, diesel e querosene de aviação (QAV). A produção de petróleo no Oriente Médio teve queda de 45% em maio de 2026, e passou de 25,5 milhões de barris por mês, em 2025, para 13,9 milhões, segundo a S&P.

Com isso, o preço do petróleo atingiu cerca de US$ 120 por barril, mas depois se estabilizou entre US$ 95 e US$ 115. Há um ano, estava a US$ 60.

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