Irã diz ter escolhido sucessor de Khamenei, mas mantém nome em sigilo
O Irã definiu o sucessor do líder supremo Ali Khamenei, morto em um bombardeio realizado por Estados Unidos e Israel no fim de fevereiro, segundo informações divulgadas neste domingo, 8, pela imprensa local. O nome do novo líder, no entanto, ainda não foi anunciado oficialmente.
A escolha foi feita pela Assembleia de Peritos, órgão religioso formado por 88 aiatolás responsável por eleger o líder máximo da República Islâmica desde a Revolução de 1979. De acordo com a agência semioficial Mehr, o colegiado já chegou a um consenso majoritário sobre o sucessor.
O aiatolá Mohammadmehdi Mirbaqeri, membro da assembleia, afirmou que a decisão já foi tomada pela maioria dos integrantes, embora “alguns obstáculos” ainda precisem ser resolvidos antes da divulgação oficial.
Nos últimos dias, outros integrantes do grupo também indicaram que a escolha já foi definida. O aiatolá Ahmad Alamolhoda disse que caberá ao chefe do secretariado da Assembleia de Peritos, Hashem Hosseini Bushehri, anunciar publicamente o nome escolhido.
Há divergências, porém, sobre o formato do anúncio. Parte dos religiosos defende que a decisão seja formalizada em uma reunião presencial, enquanto outros argumentam que as atuais condições do país tornam esse encontro inviável.
Em vídeo divulgado pela agência Nournews, o aiatolá Mohsen Heidari Alekasir afirmou que a assembleia pode recorrer a alternativas remotas ou a declarações escritas para oficializar a escolha.
Segundo ele, a decisão foi orientada por um conselho deixado por Khamenei de que o líder supremo do Irã deveria ser alguém “odiado pelos inimigos do país”, e não elogiado por eles. O religioso acrescentou que o nome do escolhido chegou a ser citado por autoridades americanas.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou na semana passada que Mojtaba Khamenei, filho do líder morto, seria o sucessor mais provável. Trump, no entanto, classificou essa possibilidade como “inaceitável” e indicou que se oporia à escolha.
Mojtaba Khamenei, de 56 anos, é um clérigo de perfil linha-dura que há anos aparece entre os principais nomes cotados para assumir o cargo. Embora nunca tenha ocupado um posto formal no governo, ele acumulou influência nos bastidores do regime e mantém ligações próximas com a elite da Guarda Revolucionária. Também atuou como intermediário político de seu pai em diversas ocasiões.
O religioso se tornou alvo frequente de críticas durante os protestos de 2022, que ocorreram após a morte de uma jovem sob custódia policial por supostamente violar as rígidas regras de vestimenta da República Islâmica. Manifestantes o acusaram de exercer influência sobre o aparato de segurança responsável por reprimir manifestações no país.
Conflito entra no 9° dia neste domingo
Ali Khamenei liderava o Irã desde 1989, após ter exercido a presidência por quase oito anos. Sua morte ocorreu em 28 de fevereiro, durante um bombardeio contra alvos estratégicos em Teerã conduzido por Estados Unidos e Israel. O ataque também matou comandantes militares e integrantes de alto escalão do regime e desencadeou uma escalada militar na região.
Neste domingo, a guerra entrou no nono dia. Durante a madrugada, ataques israelenses atingiram depósitos de combustível em Teerã, provocando um grande incêndio que deixou quatro mortos. Segundo a AFP, quatro depósitos de petróleo e um centro logístico foram atingidos, o que danificou a rede de abastecimento e levou à interrupção temporária da distribuição de combustível na capital.
O conflito também passou a atingir diretamente a estrutura política do regime. Na terça-feira, um ataque destruiu um prédio ligado à Assembleia de Peritos na cidade de Qom, no sul do país, onde ocorria uma reunião de aiatolás, segundo informações divulgadas pela imprensa israelense e pela mídia estatal iraniana.
Autoridades israelenses afirmaram que pretendem “perseguir todos os sucessores e qualquer pessoa envolvida na escolha de um novo líder”, elevando ainda mais a tensão em torno do processo de sucessão.
Os efeitos da guerra já começam a se espalhar para além do Oriente Médio. Em Bangladesh, o governo iniciou medidas de racionamento de combustível diante das dificuldades de abastecimento ligadas ao conflito.
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