Irã intensifica repressão contra manifestantes em paralelo a negociações com os EUA

Por Mateus Omena 10 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Irã intensifica repressão contra manifestantes em paralelo a negociações com os EUA

O Irã intensificou nesta segunda-feira, 9, ações repressivas em resposta à recente onda de protestos, prendendo novos integrantes do campo reformista. A escalada ocorre em paralelo às negociações em andamento com os Estados Unidos sobre o programa nuclear iraniano.

Às vésperas de uma nova rodada de diálogo com Washington, o diretor da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohamad Eslami, declarou que o país estaria pronto para "diluir" o urânio enriquecido, desde que os americanos suspendam as sanções econômicas.

Em meio aos protestos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou a retórica contra Teerã. Primeiro, ameaçou uma ação militar em resposta à repressão, depois passou a usar o discurso como pressão para forçar o Irã a um novo acordo nuclear.

Desde então, o governo iraniano adotou uma abordagem paralela: enquanto mantém os canais diplomáticos abertos, também reforça a repressão interna. Segundo veículos locais, ao menos cinco integrantes da ala reformista foram presos no domingo, 8, entre eles Azar Mansuri, o porta-voz Javad Emam e o ex-deputado Ali Shakuri Rad.

Além das novas detenções, o regime ampliou, no fim de semana, a sentença da ativista e ganhadora do Nobel da Paz, Narges Mohammadi. Já nesta segunda-feira, 9, foi detido Hossein Karubi, filho do dissidente Mehdi Karubi.

As autoridades iranianas afirmam que os protestos têm origem externa e os classificam como "distúrbios" supostamente instigados por Israel e Estados Unidos.

Países ocidentais e o governo israelense acusam o Irã de buscar armamento nuclear — algo negado por Teerã, que defende fins exclusivamente civis para seu programa atômico.

Diálogo 'positivo' com os EUA

Após o reinício das tratativas com os Estados Unidos, em Omã, os dois lados descreveram o encontro como positivo. No entanto, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, destacou nesta segunda-feira que "a desconfiança" em relação aos Estados Unidos persiste.

Em discurso, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, pediu firmeza da população frente às pressões internacionais. "O poder nacional não tem tanto a ver com mísseis e aviões quanto com a vontade e a determinação do povo", afirmou. "Demonstrem isso novamente e frustrem o inimigo."

Apesar do discurso, o país dá sinais de que pode fazer concessões para evitar uma nova crise com os Estados Unidos. "Em resposta a uma pergunta sobre a possibilidade de diluir o urânio enriquecido a 60%", Eslami afirmou que a medida dependeria do fim das sanções, sem esclarecer se se referia apenas às impostas pelos EUA ou também a outras restrições internacionais.

O processo citado por Eslami consiste em reduzir o nível de enriquecimento do urânio ao misturá-lo com outras substâncias — o que prolongaria o tempo necessário para o país produzir material com potencial bélico.

Na rodada de conversas da semana anterior, realizada em Omã, Teerã e Washington concordaram em seguir negociando o futuro do programa nuclear iraniano. No entanto, os Estados Unidos e Israel defendem que o escopo das discussões inclua também o programa de mísseis balísticos e o apoio iraniano a grupos armados no Oriente Médio.

Por enquanto, o governo americano não sinalizou que a repressão interna afete diretamente o andamento das negociações diplomáticas.

De acordo com a Human Rights Activists News Agency (HRANA), organização com sede nos Estados Unidos, os protestos no Irã deixaram 6.961 mortos, em sua maioria manifestantes, e resultaram em mais de 51 mil detenções.

(Com informações da agência AFP)

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