Irã promete ao EUA resposta 'firme, devastadora e dolorosa' em caso de novos ataques
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump afirmou nesta quinta-feira, 11, em publicação na rede Truth Social, que os Estados Unidos vão "tomar" a Ilha de Kharg, localizada no Golfo Pérsico.
A declaração provocou reação em Teerã. O presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, Ebrahim Azizi, afirmou que o país dará uma resposta "firme, devastadora, dolorosa e da qual se arrependerão" caso os Estados Unidos tentem atacar ou tomar a Ilha de Kharg.
Em entrevista ao jornal iraniano Hamshahri, Azizi classificou Trump como "confuso e errático" e disse não ter dúvidas de que qualquer tentativa de ocupação da ilha resultaria em uma resposta severa do Irã.
Segundo o parlamentar, a Ilha de Kharg e todo o território iraniano estão "totalmente preparados" para enfrentar uma eventual ação militar americana. Ele afirmou que o nível de prontidão das Forças Armadas iranianas na região é máximo e que a capacidade defensiva da ilha poderá ficar ainda mais evidente caso haja uma escalada do conflito.
Trump anuncia nova onda de ataques ao Irã
Trump também alertou que os EUA atacariam o Irã "muito forte" nesta noite e tomariam outras infraestruturas petrolíferas iranianas em breve. "[Faremos] assim como fizemos com a Venezuela, o que está funcionando brilhantemente tanto para a Venezuela quanto para os Estados Unidos da América", afirmou.
Em publicação em seu perfil no Truth Social, Trump disse que "em algum momento num futuro não muito distante, tomaremos a Ilha de Kharg e outros pontos de infraestrutura petrolífera, assumindo o controle total de seus mercados de petróleo e gás".
Pouco depois, em entrevista à Fox News, Trump disse não ter certeza se "os Estados Unidos têm estômago" para uma operação de tomada da ilha.
Por que a ilha é tão importante para o Irã
A ameaça de Trump tem como alvo uma das estruturas mais estratégicas da economia iraniana. Localizada no Golfo Pérsico, Kharg recebe cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do país e é considerada uma das principais fontes de receita do governo de Teerã.
Kharg fica a cerca de 32 quilômetros da costa norte do Golfo Pérsico iraniano e, por décadas, funcionou como o principal terminal de exportação de petróleo do país, responsável historicamente por entre 85% e 95% das exportações de petróleo bruto iranianas, segundo a CBS.
A localização da ilha é estratégica. Suas águas são profundas o suficiente para permitir a atracação de petroleiros grandes demais para se aproximar das águas rasas do litoral continental do Irã.
Caso as instalações de carregamento da ilha sejam destruídas, a capacidade de exportação do Irã entraria em colapso quase imediatamente, segundo a CBS. Ataques à infraestrutura petrolífera iraniana também podem pressionar ainda mais os preços globais do petróleo, que já subiram cerca de 30% desde o início do conflito.
A ilha já havia sido alvo de ataques americanos desde o início da guerra. Em março, as forças dos EUA afirmaram ter "totalmente obliterado" todos os alvos militares presentes em Kharg, sem, no entanto, atingir a infraestrutura de petróleo na ocasião.
O analista de segurança nacional Aaron MacLean disse à CBS que Trump já demonstrou ter uma carta na manga caso o Irã continue ameaçando as rotas marítimas. "O presidente vinculou a vulnerabilidade da Ilha de Kharg ao fechamento contínuo do Estreito de Ormuz pelo Irã."
Cerca de 20% do petróleo mundial costumava passar pelo estreito antes da guerra, sendo o fechamento dele prejudicial aos EUA.
Os riscos de uma operação militar na ilha
Apesar do potencial estratégico, especialistas alertaram à Reuters que tomar Kharg seria uma operação arriscada e de resultado incerto. Tropas americanas provavelmente conseguiriam ocupar a ilha com relativa rapidez, mas isso não levaria necessariamente a um fim rápido e decisivo da guerra.
Ryan Brobst e Cameron McMillan, da Foundation for Defense of Democracies, escreveram em março que "uma tomada e ocupação da Ilha de Kharg tem mais chances de expandir e prolongar a guerra do que de gerar qualquer tipo de vitória decisiva".
Segundo eles, as tropas americanas ficariam expostas a ataques de mísseis e drones. "Após qualquer ataque bem-sucedido, espera-se que o regime iraniano divulgue vídeos desses ataques on-line, usando as mortes de militares americanos como propaganda", afirmaram.
O ex-comandante do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), Joseph Votel, disse ao site TWZ em março que, embora apenas entre 800 e 1.000 soldados fossem necessários para manter o controle da Ilha de Kharg, eles precisariam de apoio logístico que também demandaria proteção.
Votel afirmou que as tropas ficariam muito vulneráveis e que duvidava de que tomar a ilha traria alguma vantagem tática particular, classificando a ideia como "estranha", embora reconhecesse que os EUA poderiam fazê-lo, se necessário.
Kharg sob ataque na Guerra Irã-Iraque
Esta não seria a primeira vez que Kharg estaria no centro de um conflito. Durante a Guerra Irã-Iraque, na década de 1980, Saddam Hussein enviou aeronaves iraquianas para bombardear repetidamente a ilha na tentativa de sufocar a receita petrolífera iraniana.
As instalações foram seriamente danificadas, mas o Irã as reparou e manteve as exportações.
Desde então, Teerã reforçou pesadamente as defesas de Kharg, construindo sistemas de defesa aérea, infraestrutura blindada e armazenamento subterrâneo projetados para manter o fluxo de petróleo mesmo sob ataques contínuos, de acordo com a CBS.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: