Irã propõe benefícios econômicos aos EUA em acordo nuclear e negocia suspensão de sanções
O Irã apresentou uma proposta concreta para que os Estados Unidos também obtenham ganhos econômicos como parte de um eventual acordo nuclear, segundo declarou neste domingo o vice-ministro das Relações Exteriores para Diplomacia Econômica, Hamid Ghanbari.
A iniciativa ocorre a poucos dias da segunda rodada de negociações indiretas entre as partes, marcada para terça-feira em Genebra.
"Para garantir que um acordo seja sustentável, os EUA devem se beneficiar de setores econômicos iranianos de alto rendimento e rápido retorno", afirmou Ghanbari, de acordo com a agência Fars.
O diplomata detalhou que as negociações incorporaram interesses comuns em áreas como petróleo e gás — incluindo campos compartilhados —, investimentos em mineração e até mesmo a compra de aeronaves americanas pelo Irã.
Além disso, Ghanbari destacou que os ativos iranianos bloqueados no exterior também farão parte do acordo, e que sua liberação "deve ser real e utilizável, não meramente simbólica ou temporária". Para ele, o pacto nuclear firmado em 2015 não assegurou ganhos econômicos reais para Washington, o que justificaria a inclusão desses novos termos.
As declarações ocorrem em meio à retomada do diálogo entre Teerã e Washington, interrompido há anos. A primeira rodada de negociações indiretas aconteceu em 6 de fevereiro, em Omã, país que atua como mediador. Agora, as delegações voltam a se encontrar em Genebra, com a participação dos enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner pelos Estados Unidos.
Negociações entre EUA e Irã
Ao confirmar a nova rodada, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Majid Takht-Ravanchi, afirmou à BBC que "a bola está no campo dos EUA" e que, "se forem sinceros", um acordo poderá ser alcançado.
Ravanchi defendeu que as conversas devem se concentrar estritamente na questão nuclear, descartando qualquer negociação sobre o programa de mísseis balísticos do país, que classificou como parte inegociável da capacidade defensiva iraniana.
O diplomata também rejeitou a possibilidade de enriquecimento zero de urânio — ponto central de impasse histórico com as potências ocidentais, que enxergam no enriquecimento uma rota potencial para a obtenção de armas nucleares. O Irã nega buscar esse tipo de armamento.
Apesar das linhas vermelhas, Ravanchi reiterou que Teerã está disposta a "examinar compromissos" sobre seu programa nuclear, desde que Washington também inicie conversas sobre a suspensão das sanções econômicas impostas ao país.
Pressão militar e econômica nos bastidores
Enquanto a via diplomática é testada, os Estados Unidos mantêm uma postura de pressão. Um segundo porta-aviões foi deslocado para a região, e o governo norte-americano se prepara para uma possível campanha militar prolongada, caso as negociações fracassem, conforme informações da Reuters.
Paralelamente, a pressão econômica continua. Durante reunião na Casa Branca nesta semana, o presidente Donald Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acordaram em trabalhar para reduzir as exportações de petróleo iraniano para a China, que responde por mais de 80% das compras do produto iraniano. Qualquer redução nesse fluxo impactaria significativamente a receita do país.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou em coletiva que Trump prefere uma solução diplomática, mas reconheceu que "ninguém jamais conseguiu fazer um acordo bem-sucedido com o Irã".
Retomada das conversas
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, já deixou Teerã com destino a Genebra para participar das tratativas indiretas e se encontrar com o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e outras autoridades.
A expectativa é que a nova rodada avance na definição de termos que possam levar a um alívio efetivo das sanções em troca de limitações verificáveis ao programa nuclear iraniano.
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