Irã rejeita abrir mão do enriquecimento de urânio — mesmo em cenário de guerra

Por Isabela Rovaroto 9 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Irã rejeita abrir mão do enriquecimento de urânio — mesmo em cenário de guerra

O Irã descartou, neste domingo, 8, qualquer possibilidade de renunciar ao enriquecimento de urânio nas negociações com os Estados Unidos, mesmo em um eventual cenário de confronto militar entre os dois países.

A sinalização ocorre dias após a retomada do diálogo diplomático, em Omã, considerada “positiva” por ambos os lados.

Apesar da disposição para continuar conversando, Teerã reforçou suas linhas vermelhas: o país aceita discutir apenas seu programa nuclear e sustenta que tem direito de desenvolver energia nuclear para fins civis.

Washington, por sua vez, pressiona por um acordo mais amplo, que inclua restrições ao programa balístico iraniano e o fim do apoio a grupos armados hostis a Israel.

A tensão aumenta em meio ao reforço da presença militar americana no Golfo. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que deve se reunir nesta semana com o presidente americano, Donald Trump, defende que esses dois pontos façam parte de qualquer negociação com Teerã.

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, foi categórico ao afirmar que o país não aceitará a exigência americana de abandonar o enriquecimento de urânio.

“Mesmo que nos imponham uma guerra, não recuaremos”, declarou.

Segundo ele, o Irã poderia avaliar “medidas de confiança” relacionadas ao programa nuclear, desde que haja suspensão das sanções internacionais que pressionam a economia do país.

Ainda assim, Araghchi questionou a disposição real dos Estados Unidos para negociações substanciais e afirmou que Teerã analisará “o conjunto de sinais” antes de decidir sobre a continuidade do diálogo. O aumento do aparato militar americano, disse, “não intimida” o governo iraniano.

No sábado, o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, visitou o porta-aviões Abraham Lincoln, atualmente destacado na região. Ao lado do comandante do Comando Central dos EUA, Witkoff destacou a estratégia de Trump de buscar “paz por meio da força”.

Avanço nas negociações?

Nas últimas semanas, o presidente americano voltou a elevar o tom contra o Irã, combinando ameaças militares com a retomada das negociações.

Após os primeiros encontros diretos desde os bombardeios americanos a instalações nucleares iranianas, em junho, Trump afirmou que as conversas foram “muito boas” e indicou que novas rodadas devem ocorrer já nos próximos dias.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, classificou as negociações como “um passo à frente”, com apoio de países aliados da região. Ainda assim, Araghchi reforçou que há “um longo caminho” até a reconstrução da confiança e reiterou que o programa balístico do Irã “não é negociável”, por se tratar de um tema de defesa nacional.

Países ocidentais e Israel acusam o Irã de buscar armas nucleares — uma alegação negada por Teerã. As negociações entre iranianos e americanos haviam sido retomadas no ano passado, mas foram interrompidas após a guerra de 12 dias desencadeada por um ataque israelense ao território iraniano.

Trump afirmou que os bombardeios americanos realizados durante o conflito “aniquilaram” a capacidade nuclear do Irã, embora a extensão dos danos ainda seja incerta. Paralelamente, o presidente voltou a ameaçar uma nova intervenção após a repressão a protestos internos no país.

Segundo a ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, a repressão resultou em 6.961 mortes — a maioria de manifestantes — e mais de 51 mil detenções.

Em caso de novo ataque, o Irã já advertiu que poderá atingir bases militares americanas na região e bloquear o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o abastecimento energético global.

(Com informações da AFP)

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