Israel aprova medidas para ampliar controle civil e assentamentos na Cisjordânia
O gabinete de segurança de Israel aprovou neste domingo, 8, um conjunto de medidas que altera radicalmente a gestão civil e jurídica na Cisjordânia ocupada.
O anúncio, feito de forma conjunta pelos ministros Bezalel Smotrich (Finanças) e Israel Katz (Defesa), prevê a eliminação de regulações históricas que restringiam a compra de terras por cidadãos judeus na região.
A reforma é vista por analistas como um passo decisivo para a expansão dos assentamentos e o fortalecimento da presença de colonos em áreas estratégicas para um futuro Estado palestino.
Briga por território
Uma das mudanças mais significativas envolve a transferência da autoridade sobre permissões de construção em áreas urbanas palestinas, como Hebron. Até então, modificações estruturais exigiam o aval conjunto de órgãos municipais da Autoridade Palestina e do governo israelense.
Com a nova diretriz, apenas a autorização de Israel será necessária, o que reduz drasticamente a autonomia administrativa palestina sobre o território.
Smotrich declarou abertamente que a iniciativa visa encerrar as discussões sobre a viabilidade de uma solução de dois Estados.
A reação em Ramallah foi imediata e severa. A Presidência Palestina emitiu um comunicado condenando a decisão como uma tentativa de legalizar o confisco de terras e a demolição de propriedades em áreas de soberania palestina.
Xadrez diplomático
O movimento de Israel ocorre em um contexto de pressão internacional crescente; em 2025, a ONU registrou o maior nível de expansão de assentamentos desde 2017, com mais de 500 mil israelenses vivendo em postos avançados considerados ilegais pelo direito internacional.
O momento escolhido para o anúncio carrega um peso diplomático importante, ocorrendo poucos dias antes da viagem do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aos Estados Unidos. Netanyahu deve se encontrar com Donald Trump, que, apesar da aliança histórica com Israel, já manifestou oposição à anexação total da Cisjordânia.
A medida interna pode servir como uma ferramenta de negociação para a ala ultrarreligiosa e de extrema direita do governo israelense, que compõe a base de sustentação do atual gabinete.
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