Itália inicia candidatura do calçado artesanal à lista da Unesco

Por Gustavo Frank 16 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Itália inicia candidatura do calçado artesanal à lista da Unesco

A indústria calçadista italiana deu um passo formal em direção ao reconhecimento internacional. No dia início deste mês, no Salão dos Tapeçários do Ministério das Empresas e do Made in Italy, em Roma, foi oficializada a criação do Comitê Promotor para conduzir a candidatura da Arte do Calçado Italiano à Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, da Unesco.

A iniciativa foi apresentada durante a Assembleia Geral 2026 da Assocalzaturifici, com mediação do jornalista Nicola Porro, e tem como presidente do comitê Giovanna Ceolini, que também lidera a entidade.

O projeto é coordenado pela Assocalzaturifici com participação do Museimpresa, do CERCAL e do Politecnico Calzaturiero. A elaboração do dossiê de candidatura contará com suporte técnico da Cátedra Unesco da Universidade Unitelma Sapienza, de Roma.

Um setor, sete regiões

A candidatura recebeu adesão de Lombardia, Veneto, Marche, Puglia, Campania, Emilia-Romagna e Toscana, o que cobre a maior parte dos principais distritos calçadistas do país. Para os organizadores, o projeto busca registrar um conjunto de saberes que inclui técnicas de modelagem, tradições locais e a capacidade de adaptação que historicamente caracterizou a produção italiana. O processo também pretende envolver empresas, profissionais especializados e jovens que terão o papel de preservar esse conhecimento no futuro.

Na abertura do evento, o ministro Adolfo Urso assinou o ato constitutivo do Comitê Promotor ao lado dos representantes das entidades participantes. "O calçado italiano representa uma das expressões mais reconhecíveis do nosso sistema produtivo. Apoiamos essa iniciativa porque valoriza um patrimônio de competências nascido nos distritos industriais italianos e baseado no equilíbrio entre tradição, inovação e qualidade do trabalho", disse o ministro durante a assembleia.

Ceolini, que preside tanto a Assocalzaturifici quanto o Comitê Promotor, situou a proposta dentro de um contexto mais amplo. "Esta proposta nasce da vontade de reconhecer o valor cultural de uma herança que pertence a todo o país. O calçado italiano une competências técnicas, identidades territoriais e capacidade de evoluir ao longo do tempo", afirmou.

Formação em pauta

O evento também abriu espaço para discussão sobre renovação geracional no setor. O ministro da Educação e do Mérito, Giuseppe Valditara, defendeu o fortalecimento do ensino técnico e profissional como caminho para garantir continuidade à cadeia produtiva do calçado. "A escola e a formação técnico-profissional estão sendo chamadas a construir as competências que sustentarão o futuro do Made in Italy. Precisamos fortalecer a ligação entre ensino e trabalho e orientar os jovens para percursos que conjuguem qualidade, especialização e oportunidades", disse durante o painel.

Se a candidatura for concluída com sucesso, a Arte do Calçado Italiano se tornará a primeira tradição sapateira do mundo a integrar a lista da Unesco nessa categoria. Os reconhecimentos concedidos até agora no campo imaterial estão concentrados sobretudo em produções têxteis, sem precedente no universo do calçado.

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